Ajudando o meio ambiente


A atividade sustentável da Lwart Lubrificantes poupa os recursos naturais e contribui para a preservação ambiental, quando retira do mercado um resíduo nocivo e fecha o ciclo de vida do produto, que pode ser utilizado infinitas vezes para a produção de lubrificantes

 

 

A nossa entrevista desta edição é com Manoel Browne, diretor de RI, Sustentabilidade e Jurídico da Lwart Lubrificantes, que hoje possui uma moderna estrutura logística, com 16 Centros de Coleta localizados estrategicamente em todo o País, com uma equipe devidamente treinada, e uma frota própria de mais de 320 veículos, o que faz com que a empresa seja também a única no setor com atuação nacional.

 

 

Reparação Automotiva – Em primeiro lugar, gostaria que contasse um pouco da história da Lwart, quando foi criada, quais serviços prestava no começo, as principais dificuldades de permanecer no mercado, etc.

Manoel Browne - A Lwart Lubrificantes é uma das empresas do Grupo Lwart, de Lençóis Paulista (SP), e foi a primeira divisão de negócios do Grupo a ser criada, em 1975. O acrônimo LWART tem origem nos nomes dos fundadores do negócio – Luiz, Wilson, Alberto e Renato – mais o sobrenome Trecenti. No início da década de 70, os irmãos Trecenti ampliavam as atividades de negócios anteriores da família e começaram a se dedicar à atividade metalúrgica, instalaram uma laminação de ferro, para produzir vergalhões para as construções, estruturas metálicas e equipamentos agrícolas. Com o crescimento da demanda industrial no Brasil, a companhia passou a fornecer seus produtos para clientes em outros Estados, o que gerou a necessidade de viagens frequentes, para participar de concorrências promovidas por diferentes empresas. Numa dessas viagens, Renato Trecenti conheceu o trabalho de um homem que coletava óleo lubrificante usado para vender a uma companhia rerrefinadora. Vislumbrou, então, uma oportunidade, em um encontro inesperado que mudaria os rumos dos negócios da família na cidade paulista. Foi o fato determinante para a fundação em 1975, da Lwart Lubrificantes. Desde a sua criação, a empresa já assumiu a posição de destaque no mercado de rerrefino, bem posicionada em capacidade, tecnologia e qualidade, com a incorporação das mais modernas tecnologias disponíveis à época. A Lwart Lubrificantes realiza, há mais de 40 anos, um trabalho fundamental para a preservação do meio ambiente e o desenvolvimento sustentável do País: a coleta e o rerrefino do óleo lubrificante usado e contaminado (OLUC). Líder no País no setor em que atua, a Lwart Lubrificantes é a única indústria de rerrefino da América Latina a produzir o óleo mineral básico do Grupo II, produto de alta qualidade em razão dos altos índices de pureza e desempenho, seguindo as especificações internacionais da API (American Petroleum Institute). Um dos grandes desafios em se manter no segmento está no fato de que atualmente, no final do século XX, principalmente com as mudanças no clima, há a necessidade urgente de adoção de um novo modelo de produção, consumo e do próprio modo de viver no planeta,  o que garante boas condições e recursos para as futuras gerações. Para as empresas, significa desenvolver processos e itens baseados na gestão sustentável. Ou seja, conduzir negócios de forma sustentável, tornando-os economicamente viáveis, ecologicamente corretos, socialmente justos e culturalmente aceitos. O comprometimento com as boas práticas e com a responsabilidade corporativa deve ser o principal condutor desta nova “revolução industrial”. Não faz mais sentido pensar apenas na produção de um determinado produto analisando somente o seu processo de fabricação. Deve-se cuidar da origem da matéria-prima até o descarte do item após o seu uso e de como é possível reaproveitá-lo. Nesse contexto, o consumidor também desempenha um papel de corresponsabilidade para que isso seja efetivamente uma realidade. Em relação ao OLUC, matéria-prima primordial para a Lwart Lubrificantes, o prejuízo ao meio ambiente gerado pelo descarte inadequado deste resíduo é enorme. Apenas 1 litro de óleo lubrificante usado descartado na água contamina 1 milhão de litros e os gases emitidos por queima não controlada do óleo são altamente poluentes. Evitar que o óleo lubrificante usado polua a água e o ar é fundamental para a preservação do meio ambiente. Além disso, a sua transformação em óleo mineral básico é o melhor e mais nobre destino que se pode dar a esse resíduo perigoso. E isso é possível por meio do processo de rerrefino, processo industrial é semelhante ao do refino de petróleo em complexidade e tecnologia. O rerrefino resgata as propriedades originais do óleo básico, matéria-prima nobre oriunda do petróleo, que é um recurso não renovável e que “não terá outra safra”. De acordo com a legislação brasileira (regida pela pelas leis do Conama - Conselho Nacional do Meio Ambiente - e portarias da ANP - Agência Nacional do Petróleo), todo óleo lubrificante usado deve ser rerrefinado. Descartá-lo de qualquer outra forma incorre em crime ambiental. Portanto, esse trabalho tão importante para o meio ambiente só pode ser realizado por meio da conscientização ambiental das diversas fontes geradoras (postos de troca, concessionárias, oficinas, transportadoras, indústrias, etc.) e de nós consumidores, que somos corresponsáveis no cumprimento da lei. Na hora de trocar o óleo de nossos automóveis ou motocicletas, deve-se sempre optar por locais que acondicionem corretamente o óleo usado e que o destinem ao rerrefino. Hoje, a Lwart Lubrificantes possui uma moderna estrutura logística, com 16 Centros de Coleta localizados estrategicamente em todo o País, com uma equipe devidamente treinada, e uma frota própria de mais de 320 veículos, o que faz com que a empresa seja também a única no setor com atuação nacional. A atividade sustentável da Lwart Lubrificantes poupa os recursos naturais e contribui para a preservação ambiental, quando retira do mercado um resíduo nocivo e fecha o ciclo de vida do produto, que pode ser utilizado infinitas vezes para a produção de lubrificantes.

 

RA - Quais as principais novidades e tecnologias empregadas no processo de coleta e rerrefino de óleo lubrificante usado, além das certificações?

MB - A Lwart Lubrificantes é a única produtora de óleo mineral básico do Grupo II na América Latina e, também, atua com outros subprodutos como óleo agrícola e isolante. Além de possuir um moderno Centro de Tecnologia Analítica – LWARTECH – para pesquisas e análises. O grande diferencial tecnológico da empresa é a utilização do hidrotratamento como processo de produção dos óleos básicos do Grupo II, que recebem essa classificação da API (American Petroleum Institute) e permite a aplicação em lubrificantes de mais alto desempenho. A alta pureza e a performance desses óleos básicos abrem uma série de possibilidades de aplicação em outros itens, como óleos agrícolas, isolantes e de grau alimentício, recentemente lançados.

 

RA -  Por favor, explique como se dá esse processo e o destino que o produto tem.

MB - A coleta do óleo lubrificante usado e contaminado (OLUC) e o rerrefino posterior permitem novamente a produção do óleo mineral básico do Grupo II de alta qualidade, utilizando-se alta tecnologia. Com isso, essa matéria-prima reaproveitada de alto valor agregado volta ao início da cadeia produtiva, sendo utilizada na produção do óleo lubrificante e retornando ao mercado para consumo. Na natureza, nada se perde. Esse processo de logística reversa é feito pela Lwart Lubrificantes em todas as regiões do País, com cobertura em mais de 4 mil municípios. O transporte é realizado com segurança e eficiência até a rerrefinaria, com alta tecnologia. Sobre o aproveitamento, a transformação dos resíduos em produtos nobres atinge uma taxa de conversão acima de 70%. E o que sobra, ainda é aproveitado por outras cadeias produtivas como agronegócio, setor elétrico e de construção civil.

 

RA - Fale sobre o ciclo do óleo lubrificante usado que continua mesmo após sair do motor.

MB - Uma vez que o óleo lubrificante perde sua finalidade de lubrificação, o que ocorre porque suas propriedades químicas se degradam durante o uso, o óleo usado ou contaminado (OLUC), precisa receber a destinação ambiental adequada. A solução é o rerrefino. Neste processo  industrial, é realizada a descontaminação e a restauração da molécula de carbono como óleo mineral básico. Em seguida, esse produto sustentável e renovado retorna para a indústria formuladora que o utiliza como matéria-prima, mais uma vez, para a produção de um novo óleo lubrificante. É um circuito virtuoso de muito valor agregado para a cadeia produtiva.

 

RA - Discorra por favor a respeito do posicionamento da Lwart no setor automotivo e quais as ações com o segmento.

MB - O setor automotivo é muito representativo para a Lwart Lubrificantes, já que a frota nacional de aproximadamente 48 milhões de veículos gera grande volume de óleo usado. O resíduo do mercado automotivo é integralmente aproveitado pelo rerrefino. Há diversas iniciativas no segmento com o objetivo de mostrar a importância do recolhimento e da destinação correta do óleo usado. Além disso, a Lwart Lubrificantes atua como uma importante fornecedora de materiais para o setor automotivo. Inserida na cadeia dos lubrificantes, ela fornece óleos básicos de excelente qualidade às formuladoras, que os direciona, principalmente, para a produção de lubrificantes automotivos de alto desempenho.

 

RA - Como a empresa enxerga o atual cenário no quesito oportunidades e desafios?

MB - A empresa vem investindo constantemente em tecnologia de ponta para transformar resíduos em produto de alto valor agregado. Possui uma moderna estrutura logística em todo o País, tem um know-how de décadas no mercado, e acredita que as oportunidades serão maiores à medida em que alguns desafios forem superados: mais conscientização das fontes geradoras (setor automotivo, postos, oficinas, indústrias, etc.) para a adequada coleta e destinação dos resíduos e maior presença do setor público para orientar e combater a destinação ilegal. Feito isso, será possível utilizar toda a capacidade instalada, atualmente com ociosidade, além de aumentar o nível de segurança para novos investimentos.

 

RA - A Lwart também realiza treinamentos presenciais para conscientizar sobre como proceder o descarte correto? Se sim, quantos tem realizado e em quais regiões do País?

MB - São realizadas ações em diversas localidades do País, com foco em educação e sensibilização de toda cadeia envolvida com o óleo lubrificante pós-consumo. Nos últimos doze meses, por exemplo, foram mais de 15 iniciativas com esse propósito.

 

RA - E quais as ações para estreitar o relacionamento com esse público?

MB - Foram realizadas ações setoriais em grandes congressos, outras com associações regionais e sindicatos do setor de postos de combustíveis, indústrias, etc., e convênios com autoridades públicas no campo da sustentabilidade.

 

RA - Como foram esses seis meses de 2019 para a empresa, como é a participação da Lwart em feiras e quais as expectativas para o fechamento deste ano?

MB - A demanda pelo nosso produto tem sido boa. Em 2019, foram coletados mais de 70 milhões de litros de OLUC e vendidos mais de 51 milhões de litros de óleo básico nos primeiros 6 meses de 2019. Percebemos que a demanda pela coleta de óleo usado neste primeiro semestre tem aumentado e estamos coletando acima do planejado. Para o segundo semestre, o objetivo continua sendo o crescimento.

 

RA - Quais os próximos projetos e investimentos da Lwart para o setor automotivo?

MB - Em relação à coleta, será ampliado o número de bases para atender os clientes com maior proximidade e agilidade. E, no que se refere aos óleos básicos, estão previstos investimentos em tecnologia de planta e produtos, na busca por um processo cada vez mais eficaz. Isso em função de mudanças na matéria-prima que temos percebido ao longo do tempo, e também devido aos novos requisitos para os óleos básicos, guiados internacionalmente pelas tendências de lubrificantes automotivos para aplicação em motores de maior eficiência energética e menor nível de emissões.

 

RA - Faça suas considerações finais...

MB - É importantíssimo chamar a atenção das pessoas, principalmente do setor empresarial, para que a destinação correta do óleo lubrificante usado seja realmente realizada e, mais do que isso, disseminada. Às vezes, por um valor irrisório, as pessoas preferem entregar o resíduo para agentes que não possuem as devidas licenças da ANP e dos órgãos ambientais, e que acabam sendo coniventes e solidários por um problema de passivo ambiental ou mesmo com sua reputação. Porém, ao fazer o que é certo, seja com a Lwart Lubrificantes ou outra empresa que atue dentro da lei, o setor automotivo estará contribuindo decisivamente para a sustentabilidade do País e para a imagem e crescimento do próprio mercado. Imaginamos que o combate às peças “paralelas” é crucial para a reparação automotiva e o mesmo ocorre para nós, que atuamos na atividade de coleta e destinação de resíduos. Não podemos nos esquecer nunca do meio ambiente e da saúde das pessoas. O processo de rerrefino diminui a necessidade de extração de petróleo, recurso natural escasso e finito. Se descartado no meio ambiente, o óleo lubrificante usado e contaminado permanece por décadas e contamina o solo, que fica inutilizável para agricultura. Também pode contaminar a água e os lençóis freáticos e, caso seja descartado na rede de esgoto, inviabiliza o seu tratamento. A queima indiscriminada do óleo pode até agravar o efeito estufa e causar danos à pele e ao sistema respiratório em razão da liberação de gases tóxicos.

 

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21/01/2020

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