Câmbios automatizados de embreagem simple. aspectos do funcionamento e manutenção

14/08/2019

 

 

 

Os câmbios automatizados têm se firmado no Brasil como uma opção a mais no já concorrido mercado de veículos automáticos, sendo confundidos muitas vezes com os automáticos reais em virtude de sua operação, manuseio da alavanca e comportamento serem idênticos entre si, do ponto de vista do motorista.

 

Trataremos neste artigo dos sistemas mais comuns hoje, o Dualogic, da FIAT; e o I-Motion, da Volkswagen. O sistema opera com os seguintes componentes:

 

Sistema de potência – que são os componentes destinados a gerar e armazenar a pressão hidráulica responsável por atuar o sistema. (Veja figura 1)

Sistema de gerenciamento eletrônico – composto de sensores, chicote elétrico, módulos de comando e da alavanca, e atuadores que executam o trabalho de acionamento da embreagem, seleção e engate das marchas. (Veja figura 2)

 

Sistema hidráulico – responsável por atuar as válvulas hidraúlicas e distribuir a pressão às diversas regiões do sistema. (Veja figura 3)

 

As falhas comuns de uma transmissão automatizada de embreagem simples estão no sistema hidráulico, devido a vazamentos, fluido deteriorado (água e impurezas) e desgaste dos cilindros atuadores.

 

Devido ao fato de os veículos equipados com câmbio automatizado de embreagem simples possuírem na realidade uma transmissão mecânica, apesar de serem gerenciadas eletro-hidraulicamente ou eletro-mecanicamente, o funcionamento dos automatizados requer alguns cuidados que são considerados normais na operação de câmbios manuais. Relacionamos alguns:

 

1- Quando se para o veículo em uma subida, deve-se sempre aplicar o pedal de freio, evitando assim que a embreagem fique trabalhando todo o tempo, o que ocasiona desgaste acentuado da mesma.

 

2- A manutenção do sistema robotizado presente nestas transmissões deve ser feita com frequência, pelo menos a cada 50.000 quilômetros, com a troca do fluido do sistema. O motivo da troca é que o fluido, sendo higroscópico, absorve umidade do ar e esta umidade deteriora as eletroválvulas, pistões e cilindros hidráulicos do sistema, encurtando sua vida útil.

 

3- Como a embreagem destas transmissões são idênticas em funcionamento às embreagens convencionais de veículos com câmbio mecânico, elas se desgastam e, quando substituídas, devem ser trocadas por peças idênticas às originais, pois são confeccionadas com materiais diferentes e mais reforçados. Nunca se deve substituir uma embreagem de câmbio automatizado por outra de câmbio manual convencional, pois embora funcionem num primeiro momento, sua durabilidade e suavidade de operação ficam comprometidas.

 

4- O fluido utilizado no sistema robotizado destas transmissões deve ser o recomendado pelo fabricante do equipamento, pois a adição de fluido diferente do especificado acarretará danos permanentes ao sistema, comprometendo eletroválvulas, alojamento dos pistões, acumulador de pressão e cilindros atuadores, inutilizando permanentemente seus componentes.

 

Conforme mencionado anteriormente neste artigo, as falhas mais comuns são encontradas no sistema hidráulico (desgaste da unidade hidráulica, contaminação das eletroválvulas por fluido deteriorado, vazamento devido a estes desgastes) e, portanto, a Magneti Marelli, fabricante do sistema, recomenda que NUNCA se deve tentar reparar o sistema substituindo-se somente o kit de vedações, pois na maioria das vezes o problema não acontece por causa das vedações e sim pelo desgaste nos alojamentos dos pistões, desgaste dos próprios pistões, pontas das eletroválvulas e carcaça da bomba elétrica. 

 

De fato, cerca de 70% a 80% dos reparos efetuados nestes conjuntos hidráulicos, trocando-se somente as vedações, voltam a dar defeito, em curto prazo, sendo necessário substituir a unidade hidráulica inteira para sanar definitivamente o problema de vazamento e perda de pressão hidráulica.

 

Lembre-se que, em se tratando de sistemas hidráulicos, a melhor política de reparo é a substituição do sistema, em caso de vazamentos e prevenção de problemas, trocando-se o fluido a cada 50.000 quilômetros, no máximo.

 

Esperamos com este artigo ter auxiliado, de alguma maneira, os técnicos reparadores a fim de que possam executar um serviço de qualidade, orientando seus clientes a manter preventivamente estes sistemas.

 

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