Muito além do salário, motivação é mais que benefício financeiro

26/07/2019

 

E, segundo especialista entrevistado nessa reportagem, hoje é possível inovar em estratégias para encantar a sua equipe

 

Nos dias atuais há várias maneiras de motivar a sua equipe, sem que isso passe necessariamente por remuneração. É sabido que, cada vez mais, as pessoas estão buscando qualidade de vida e o ambiente de trabalho tem um grande peso nesse sentido. Nas palavras de João Henrique Vogel, cofundador e CFOO da Cuidas, startup que conecta empresas a médicos e enfermeiros no local de trabalho, as empresas estão mudando.

 

“O mundo corporativo está passando por uma forte transformação na forma como enxerga e se relaciona com seus funcionários dentro das empresas. Se antigamente, o colaborador era somente uma peça do maquinário que deveria fazer a indústria crescer, hoje ele precisa ser olhado como indivíduo único”.

 

Por isso, entender as suas necessidades, características, sonhos e desafios é uma chave para times de alta performance. “Quando se fala de motivação, muitos gestores chegam a associá-la diretamente à remuneração salarial. E ela realmente é importante. Mas não é apenas isso que os funcionários buscam no ambiente de trabalho. Premiações sociais, simbólicas e qualidade de vida também são almejadas pelos colaboradores”.  

 

Formatos – Vogel comenta que quando falamos em premiação de equipe sempre lembramos dos métodos mais tradicionais como planos de saúde, vales transporte e refeição, participação nos lucros, benefícios em academias e restaurantes. No entanto, com a chegada de serviços modernos no mercado, é possível inovar em estratégias para encantar a equipe.

 

“Existem outras formas de motivar a equipe como, por exemplo, levar saúde e bem-estar aos funcionários no próprio ambiente de trabalho, adotar horários flexíveis de acordo com a demanda de cada funcionário, se isso for possível na rotina da empresa, oferecer serviços de beleza, massagens, espaços de relaxamento, opções de lazer no escritório, entre outros”.

 

Periodicidade – Segundo Vogel, a ideia é que esses benefícios sejam oferecidos com uma certa frequência dentro das empresas. “De acordo com cada estratégia, os empresários devem avaliar como melhor abordar os seus funcionários. Mas, é preciso lembrar que hoje em dia, as pessoas tendem a passar mais tempo no escritório do que em casa. Logo, o que a empresa puder possibilitar além da execução do trabalho em si será provavelmente a principal via de acesso do colaborador àquele recurso”.

 

Ele menciona que por ser raro que os funcionários consigam encontrar tempo durante a semana para estudar e aprender algo novo por prazer, foi criado um grupo de estudos na Cuidas. “Para motivar o time a praticar exercício físico regularmente, subsidiamos ingressos de corridas de rua. Para possibilitar momentos de relaxamento e meditação, temos a sala zen”.

 

Em sua opinião, é mais importante fomentar a cultura corporativa de que o ambiente de trabalho deve ser um lugar prazeroso, onde as pessoas querem estar além da obrigação de trabalhar, do que pensar em quais benefícios devem ser dados e em qual periodicidade.

 

Saúde – O bem-estar dos funcionários é fundamental, e quando se fala saúde no ambiente corporativo, de acordo com o executivo, é impossível não assimilá-la com os velhos e tradicionais planos de saúde. “Porém, geralmente usa-se o plano de saúde apenas quando se está doente, então é mais um plano de doença do que de saúde na verdade”.

 

E as empresas que dão benefícios de saúde motivadas apenas a dar um benefício a mais, para manterem-se empregadores atraentes, estão deixando um potencial enorme de produtividade na mesa. “Saúde é importante, não somente para atrair e reter talentos ou satisfazer requerimentos trabalhistas, mas para que a empresa seja saudável. Somos tão fortes quanto o nosso elo mais fraco”.

 

Ele esclarece que, “assim como individualmente cuidamos de cada órgão do nosso corpo, a empresa é um organismo vivo e cada colaborador é um órgão. Funcionários com problemas de saúde, sejam de natureza biológica ou psicossocial, limitam não só a sua própria produtividade, mas também a do time. Quando as pessoas começam a adotar essa mentalidade de saúde, não de doença, percebem que os planos de saúde não dão conta do recado”.

 

A Cuidas é um exemplo de startup de tecnologia focada em saúde que quer cuidar tanto do colaborador quanto do organismo-empresa, não só quando houver um problema, mas principalmente antes de o problema acontecer, repensando os hábitos de vida de cada um.

 

“Tanto para casos de prevenção e promoção à saúde, quanto em casos de problemas agudos, a Cuidas leva médicos e enfermeiros para o local de trabalho do colaborador, possibilitando uma linha de cuidado personalizada, focada nas individualidades do paciente e não na doença. Esse cuidado de atenção primária resolve até 80% dos problemas de saúde que a população enfrenta”.

 

Investimento – De modo geral, colaboradores mais felizes e mais saudáveis produzem mais e ficam na empresa por mais tempo. “Isso por si só já justifica o investimento em saúde corporativa. Dito isso, existem maneiras mais óbvias e menos óbvias de entender que saúde corporativa não é custo, mas sim um investimento”.

 

Vogel expõe que as mais óbvias costumam estar ligadas à absenteísmo. “Cada vez que um colaborador precisa ir ao pronto socorro em horário comercial perde-se pelo menos metade de um dia de trabalho, até um dia inteiro, entre deslocamentos e tempo de espera no hospital. Sabe-se também que colaboradores com sobrepeso ou obesos faltam ao trabalho de 4 a 11 dias anualmente a mais do que os seus colegas sem o mesmo problema”.

Para ambos os exemplos, ele explica que o serviço da Cuidas teria evitado absenteísmo, “seja evitando a visita ao pronto socorro ou trabalhando em um plano de qualidade de vida com os colaboradores acima do peso”.

 

Já as maneiras menos óbvias costumam estar ligadas à rotatividade. “Existem ainda muitas empresas que investem bastante tempo e dinheiro em recrutamento e treinamento, mas acabam vendo esse investimento sendo desperdiçado com taxas altas de rotatividade”.

 

Entre algumas possíveis causas de rotatividade, comenta Vogel, pode ser que os colaboradores cultivem hábitos no trabalho e na vida que induzem ao burnout, ou porque os colaboradores não sentem que a empresa se importa verdadeiramente em cuidar deles, por exemplo. “Aqui, a Cuidas também ajuda tanto a evitar as situações de burnout quanto a fortalecer a marca empregadora, mostrando que a empresa realmente se importa”.

 

A Síndrome de Burnout é um estado físico, emocional e mental de exaustão extrema, resultado do acúmulo excessivo em situações de trabalho que são emocionalmente exigentes e/ou estressantes, que demandam muita competitividade ou responsabilidade.

 

 

 

Aproximação

 

Na Santa Oficina, na cidade de São Caetano do Sul (SP), o empresário Fabiano Petrone motiva a sua equipe passando para eles o que deu certo em sua vida, além da parte técnica tão necessária em uma oficina. Como por exemplo, educação financeira. “É algo que eu aprendi há muito tempo e que faz parte da minha vida e da minha família. Eu ensino a eles a guardarem dinheiro para um propósito, como uma viagem no final do ano. E sempre tento passar para eles o que eu aprendi e que deu certo na minha vida”.

 

Também faz parte da rotina de Petrone estar sempre próximo a eles. “Eu sou muito próximo a todos, batemos papo semanalmente e fazemos reuniões pelo menos a cada quinze dias. Apesar de eu ser o dono da oficina, eu faço parte do pátio, estou com eles todos os dias, toda hora. E este convívio passa um pouco do lado profissional e passamos a viver mais o lado pessoal, humano”.

 

Outra forma de motivar a sua equipe está na remuneração. “A motivação sempre vem da parte financeira e aqui na oficina nós trabalhamos com comissão e produção. O que pela minha experiência mostrou que as pessoas trabalham com mais empenho e mais vontade”. Exemplo disso, ele lembra que algumas vezes no ano passado eles trabalharam aos sábados para darem conta da demanda e não teve um funcionário que se opôs.  

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