Volvo XC60 com água no câmbio automático. Qual foi o problema?

15/05/2019

Veículo modelo T5, ano 2015, com luz de advertência acesa. Diagnóstico pode estar nos trocadores de calor do motor ou da transmissão

 

 

​Na edição deste mês, nosso parceiro de longa data, Bruno Rodrigo Costa, da Juca Bala Racing, oficina mecânica situada na Freguesia do Ó, zona Norte de São Paulo, nos convocou mais uma vez para um procedimento deveras interessante, como de costume, acontecido em seu conceituado estabelecimento, a respeito da Volvo XC60, modelo T5, ano 2015, que apresentou um defeito inédito. 

“O cliente estava em viagem e a luz de advertência do carro acendeu: o nível da água do motor estava baixo.

 

Ele estacionou o veículo, abriu o capô, foi até o reservatório de água e quando abriu a tampa do reservatório identificou a existência de um líquido estranho e muito diferente. Por essa razão, ele nos ligou e nós solicitamos que trouxesse o carro à oficina para que pudéssemos analisar”. 

 

Procedimento

Quando o carro chegou na plataforma, como vocês podem ver, o primeiro diagnóstico consistiu em saber onde que foi misturada a água e o óleo, porque esse carro tem um trocador de calor do motor e um trocador de calor da transmissão. Como o reservatório da água e sua tampa apresentavam uma mistura que chamamos de “café com leite”, como podem ver na foto, nós não sabíamos, inicialmente, se era do motor ou câmbio. 

 

Diagnóstico 

Passo 1 - O primeiro foi retirar a tampa do óleo do motor, que não apresentava nenhuma contaminação, mas mesmo assim tiramos uma amostra de óleo do motor que, por fim, apresentava sua característica normal. 

 

Passo 2 - Em seguida, partimos para a transmissão e identificamos que o óleo estava contaminado. Ou seja, misturou o fluido do câmbio com o líquido do arrefecimento, o etilenoglicol. 

 

Passo 3 - Próximo passo foi remover a caixa de transmissão e enviar ao nosso parceiro, o Alexandre Teixeira, da A.G.T. Transmissões, especializado em câmbio automático. Ele explicará melhor a parte técnica sobre o que aconteceu. 

 

Então, pessoal, como vocês viram aí, o Bruno, da Juca Bala Racing, trouxe para nós esse câmbio. Sou o Alexandre, proprietário da A.G.T. Transmissão Automática, que fica localizada no centro de São Caetano do Sul (SP), e vou mostrar melhor o acontecido. O Bruno havia apresentado anteriormente o ocorrido com o líquido do arrefecimento que entrou dentro do câmbio. Vou mostrar aqui por onde esse líquido entrou na transmissão. 

 

Neste local aqui vai um trocador de calor, que é da transmissão. Sua função é trocar calor; no câmbio nós temos o conversor de torque gerando muito calor para a transmissão. Se não tivéssemos o sistema de troca de calor, esse conversor poderia chegar a 300 graus. 

 

Então, esse fluido da transmissão sai do conversor, entra no trocador de calor, onde temos duas mangueiras que vêm do motor e o líquido de arrefecimento vai fazer essa troca, retirando calor do câmbio e colocar uma temperatura ideal de trabalho para a transmissão. 

 

Então, acontece que esse trocador de calor fura através do contato com o etilenoglicol, causando a invasão do mesmo dentro da transmissão. E isso é muito prejudicial ao câmbio, porque ataca os composites do sistema. Na transmissão, nós temos vários pacotes de um material chamado composite, um papelão prensado com outros metais nobres, e o etilenoglicol acaba atacando e dissolvendo estes metais. E se a gente fizer só uma limpeza na transmissão, ele começa a desplacar estes discos e, consequentemente, a patinação do câmbio.  

 

Vamos mostrar um disco que está deteriorando, está soltando material, não posso mais montar esse disco. Tenho de trocar todos estes discos, fazer a limpeza do câmbio total, substituir todos os reparos porque ele ataca até as borrachas e as vedações. Conversor de torque é importantíssimo para realizar reparo e limpeza. A gente tira, manda para uma empresa que vai abrir esse conversor de torque, trocar a fita do LOCK-UP e fazer toda a limpeza no sistema para que possamos obter sucesso nesse trabalho. 

 

O único problema dessa transmissão é que ela é relativamente nova, um câmbio de identificação TG81SC, é utilizado em Land Rover, Volvo e Toyota, e nós temos um problema com as peças. Não há peça no mercado. Então, o que tivemos de fazer aqui nessa transmissão foi encomendar tudo na concessionária, esperar importação para montarmos esse sistema. O importante é tomar cuidado, como disse o Bruno anteriormente, para que quando o cliente chegar em sua oficina, você não apenas completar a água. É necessário investigar o porquê e para aonde vai essa água, de repente não está pingando esta água e não tem o diagnóstico visual dela. 

 

Então, faça alguns testes, como o Bruno mostrou. Se tiver água dentro do câmbio, infelizmente, vai ser difícil você fazer um diagnóstico tão rápido a ponto de não atacar os componentes internos da transmissão. Se ele ficar um tempo dentro do câmbio, já é o suficiente – como é o caso deste aqui que não chegou a ficar muito tempo e causou essa falha na transmissão, tendo de fazer um reparo completo. Por essa razão, agora, apresentamos toda a substituição do reparo: quais componentes devemos trocar e o acontecido com cada um.  

 

Passo 4 - Verificação: o porquê de ter entrado o etilenoglicol, líquido de arrefecimento. 

 

Passo 5 - Inspeção de todos os componentes. Nesse caso, o disco de composite é a primeira coisa que o etilenoglicol vai atacar: começa a saltar material. 

 

Passo 6 - Então, jamais montaremos o disco dessa forma. Após verificar, realizaremos a substituição do kit completo. Na terceira etapa, faremos a inspeção das vedações: nós temos, dentro do câmbio, anéis de vedação de diversos tipos (oring, teflon), pistões moldados de ferro com borracha e teremos de fazer a substituição dos pistões. Tudo que é de vedação iremos trocar. 

 

Passo 7 - Nós vamos fazer a troca do filtro e a desmontagem de todos os pacotes, porta planetário, e realizar a sua limpeza. 

Passo 8 - Faremos a desmontagem do corpo de válvula:

Realizaremos a limpeza de todas as válvulas, verificação, as eletroválvulas serão colocadas em bancada com aparelho, fazer o teste e limpeza. Deixando tudo pronto para a montagem da transmissão. 

 

Então, pessoal, vamos fazer toda essa revisão, como foi dito, e não nos esqueçamos que se nós não fizermos o conversor de torque, perderemos todo o trabalho que foi feito. Não nos esqueçamos deste detalhe que é muito importante, pois a sujeira, toda a água dentro do câmbio, estará dentro do conversor também e não é possível remover sem abri-lo. Não se esqueça deste detalhe!

 

Esperamos que tenha gostado. Procuramos trazer informações sobre essa transmissão relativamente nova, a TG81SC. 

A respeito da A.G.T. Transmissão Automática, nós fazemos parcerias com oficinas mecânicas que funcionam da seguinte forma: elas pegam o câmbio do seu cliente, o carro, fazem o diagnóstico (o qual podemos auxiliar) constatando o problema na transmissão, elas retiram o câmbio do carro, nos envia a transmissão. Também fazemos diagnóstico, parte de eletrônica em geral. Possuímos equipamentos originais de algumas marcas e, além disso, temos uma grade de cursos de câmbios automáticos. Inclusive essa é uma transmissão que estamos preparando um novo curso, com material técnico. Para entrar em contato conosco, ligue: (11) 9 4013-3566 ou em nossas redes sociais, agttransmissãoautomática

 

Devido às explicações do Alexandre, o câmbio chegou para nós, já foi instalado, fizemos toda a limpeza do sistema de arrefecimento com o produto “Limpa Radiador”, da Microcar  ​

Ele tirou toda a contaminação da parte do arrefecimento. E como vocês podem ver na imagem, o reservatório ficou limpo.

 

Agora faremos a regulagem eletrônica via scanner. Após toda parte mecânica feita, caixa de transmissão instalada no local, vamos para a parte de regulagem eletrônica via scanner. 

Nesse carro, já fizemos RESETS de parâmetros auto adaptativos, neste momento estamos fazendo todo acompanhamento da parte de pressão, engate da válvula de solenoide.  Agora é só fazer um test drive e entregar o carro para o cliente. No test drive, iremos analisar as características totais do veículo após o reparo. 

Assim como o esperado, o veículo ficou 100%. Essa foi mais uma matéria que nós fizemos com a TV Reparação Automotiva, junto com a participação dos nossos amigos e parceiros: Alex G. Sobrinho, da Microcar, e Alexandre, da A.G.T. Transmissão Automática. 

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