Renovação na oficina, a hora de saber se o seu negócio não vai bem

21/01/2019

 

 

Para especialista, indicadores têm que ser muito bem definidos e que esse é um processo que se aplica a empresas de todos os portes 

 

O processo de recuperação ou renovação corporativa, denominado de turnaround, se aplica a empresas de todos os portes e segmentos.  Este processo se dá quando problemas são identificados ou quando elas estão em crise, abrangendo estratégias que visam uma mudança de rumo que recoloque a empresa no eixo e permita voltar a crescer.

 

Especialista no tema, Flávio Ítavo orienta os empresários da reparação que o primeiro passo é ter indicadores muito bem definidos. “Em uma oficina, os indicadores devem conter o seu faturamento mês a mês, os seus recebimentos e a sua margem, descontados os gastos (custos fixos e com fornecedores). É preciso acompanhar o quanto se está recebendo pela média de reparos”. 

 

Segundo ele, “muitas empresas têm dificuldade em perceber que estão vivenciando uma crise e não se atentam aos vários sinais que a organização vem dando há algum tempo. Em muitos casos, a empresa acaba se enquadrando em um contexto muito mais grave do que imagina, ao ponto de não haver mais possibilidades de correção”. 

 

Problema e crise – Em especial, nas oficinas mecânicas, o especialista comenta que há uma diferença entre problema e crise. “Problemas têm toda hora na oficina, como o concorrente ao lado que reduz preço, ganha seu cliente e o faturamento cai. Porém, se ela está perdendo faturamento durante três meses sem ninguém na vizinhança estar avançando, isso é sinônimo de crise”.

 

Outra diferença, explica ele, é que problemas são revertidos em um período de tempo com ações adotadas, porém, quando ações são adotadas e a questão não é solucionada, isto mostra que a oficina está passando por uma crise e que o empresário perdeu o controle. “Por isso, é fundamental ter regras de acompanhamento dos indicadores”.

 

E também ter um acompanhamento dos novos clientes que entram mensalmente na oficina. “Se por um prazo a oficina não atraiu novos clientes, algo está errado. Pode ser no preço, na fachada que não está atraente, ou na sua comunicação, por exemplo”. Mais um ponto de alerta para ser avaliado. 

 

Causa – E quando se consegue identificar a causa dos resultados negativos, fica mais fácil buscar uma solução para o problema. “Fica mais complicado quando não se consegue identificá-los e provavelmente estamos falando de crise e não de um problema. Isto é pura gestão e isso é uma coisa que as oficinas mecânicas não primam muito por fazer”.

 

O resultado é a lei natural de sobrevivência. “Há mais oficinas do que a demanda exige e menos qualificação do que seria necessário para garantir uma prestação de serviço adequada. Quem entender realmente este mercado e se profissionalizar terá grandes ganhos em médio e longo prazos. A crise tem um prazo para ser gerida, por isso, a rotatividade das oficinas mecânicas é enorme”. 

 

Ítavo esclarece que ter uma série de resultados negativos nem sempre é fruto de uma crise fora de controle. “Pode ser que a empresa tenha determinado ações que poderiam vir a resultar em prejuízos temporários, que no futuro serão revertidos em resultados ainda melhores que estes. Estamos falando de resultados que acontecem em detrimento às ações tomadas no sentido de eliminá-los”.

 

Renovação – Realizar uma mudança significativa em sua oficina se traduz em uma mudança de rumo. “Para isso, é preciso se tornar uma pessoa capacitada a fazer as modificações ciente de tudo. E o segredo para implementar esta mudança cultural vem do fato de analisar rapidamente o que está acontecendo, ter instrumentos para lidar com as pessoas e mostrar para elas qual é o caminho, o que é preciso ser feito”.

 

Identificado que se está em uma crise ou chegando perto dela, a mudança tem que ser rápida, tem que ter uma data limite. “Invariavelmente, os empresários no Brasil são otimistas e sempre acham que sairão da crise, até porque já passaram por situações similares, mas se não conseguir recolocar o controle da empresa, esta é a hora de chamar um especialista para ajudá-lo. É preciso ter esta grandeza e humildade”. 

 

Segundo ele, para as pequenas empresas este prazo é curto, caso contrário, os problemas se agravam demais. “O maior indício é quando não se consegue mais pagar os fornecedores e/ou o segundo aluguel do imóvel. E quando chega ao ponto de os empresários não conseguirem mais conversar com seus fornecedores, bancos, clientes e funcionários, não há mais o que fazer, de um determinado ponto ele não consegue mais se recuperar”.

 

Resistência – De sua experiência, Ítavo cita três motivos principais que levam o empresário a não perceber que a sua empresa não vai bem: ele não sabe porque não estabeleceu métricas; não tem dados de seus clientes, “a maioria não gosta de fornecê-los e o dono da oficina tem que ser muito habilidoso para consegui-los, ao contrário das concessionárias que já têm estas informações”, compara. O terceiro é que ele precisa se organizar muito internamente, o que leva tempo, e não consegue enxergar muito o resultado.

 

E sem informações é inviável tomar decisões. “Boa parte dos empresários da reparação não tem informações. Eu conheço umas dez oficinas que não têm um sistema de RD (sistema de relacionamento com o cliente)”, destaca Ítavo. E ele compara oficinas mecânicas com cabeleireiros. “Ambos têm o mesmo porte de faturamento, porém, os cabeleireiros conhecem muito bem o seu cliente, quando foi a última vez que ele foi ao salão, o seu tíquete médio e quando voltará. Um salão só entra em crise se não quiser olhar para os números”. 

 

EMPRESA SAUDÁVEL

De toda a sua experiência em concessionária, Odair Sapucaia Batista (Ney), junto ao seu sócio, não apenas administra toda a parte de gestão de sua oficina, a  Opcar, em São Paulo (SP), como são também os dois que realizam todos os serviços. “A minha oficina é de pequeno porte, prefiro trabalhar assim. As empresas maiores têm que ter um administrativo, diferente de nós”, afirma. 

 

E desde o início das atividades da Opcar, em 2005, ele diz que nunca passaram por uma crise. O segredo, diz ele, está na gestão. “Não fazemos estoque de peças e insumos, como óleo. Após a ordem de serviço aprovada pelo cliente, fazemos a solicitação junto aos fornecedores e sempre realizamos o pagamento quinzenalmente”. O objetivo é manter o controle mensal.

 

Controle que também é feito de todos os custos. “Durante o mês, nós separamos todos os valores das contas, o restante é o nosso lucro, e mantemos sempre uma reserva para o próximo mês. O segredo é manter o fluxo e as contas controladas, o que para nós não é uma dificuldade, pois quando uma empresa é maior, invariavelmente, os custos são maiores”. 

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