Pilares do desenvolvimento

17/12/2018

 

 Equipamento, informação e treinamento sustentam a expansão da Tecnomotor em mais de três décadas de desenvolvimento

 

Surgida nos anos 80 e depois de muitos desafios internos e externos, a Tecnomotor logo percebeu que seu futuro estava no mercado independente de reparação. Ao longo das últimas décadas, a empresa especializou-se em desenvolver equipamentos de diagnósticos para oficinas e, mais que isso, percebeu a importância de oferecer informação precisa e suporte aos profissionais. “Já temos 38 anos de história e não pensamos simplesmente no produto pelo produto, mas sim em capacitação, informação de qualidade e suporte aos clientes, ajudando o reparador a crescer, porque se o reparador se manter e expandir seus negócios, continuaremos fortes no setor”, acredita Lorenzo Piccolli, diretor da Tecnomotor Distribuidora.

 

Nesta entrevista exclusiva à Reparação Automotiva, Piccolli relembra o início das atividades no mercado brasileiro e os caminhos que levaram a Tecnomotor a expandir suas atividades para a fabricação de equipamentos de diagnóstico além das fronteiras brasileiras, sempre com o foco no seu bem mais valioso: o mecânico. “Ele quem fez o que a Tecnomotor é hoje e o que mais queremos é seu crescimento, aperfeiçoamento e melhoria de seus lucros.O sucesso do mecânico é nossa maior satisfação”.

 

Reparação Automotiva – Como surgiu a Tecnomotor?

Lorenzo Piccolli – Em 1980 nasceu a marca Tecnomotor de uma empresa chamada Enfase, de um italiano que resolveu trazer os primeiros equipamentos automotivos via CKD da Tecnomotor Itália. Nesse ano criaram-se os produtos Tecnomotor Brasil com tecnologia italiana e brasileira, mas em 86 nos separamos da Enfase e da Tecnomotor Itália e nasceu a Tecnomotor do Brasil com quatro sócios-fundadores e daí para frente, os projetos passaram a ser 100% nacionais. 

 

RA – Vocês já conheciam o setor?

LP – Posso dizer que começamos um crescimento quando passamos a entender nosso cliente e fazer o que realmente ele necessitava. As soluções desse universo, ainda naquela época, eram para carros carburados, mas o grande “boom” como crescimento do mercado brasileiro e de frotas veio com o advento da injeção eletrônica. Fomos pioneiros nas soluções para atender esses carros com injeção eletrônica. Falo que a Tecnomotor, assim como outros fabricantes nacionais, esteve ao lado e deu suporte ao mecânico para enfrentar esse desafio tecnológico.

 

RA – O que a Tecnomotor oferecia a esses profissionais?

LP – Equipamentos, informação e treinamento. Esses três pilares fizeram os mecânicos acreditarem e vencerem  os desafios da eletrônica embarcada e,  como consequência, a prosperidade e o crescimento das empresas.

 

RA – Como se deu esse atendimento?

LP – No começo realizamos muitas palestras sobre injeção eletrônica para conscientizar o mecânico. As palestras e os materiais técnicos que fizemos no início, com tudo muito detalhado, até hoje são elogiados pela qualidade e pelo nível de detalhamento. Nosso objetivo sempre foi facilitar a vida desse profissional. O que se traduz no nosso slogan, Soluções inteligentes, oficinas eficientes.  Nos próximos anos, a receita não será diferente para os novos desafios, vamos conscientizar com palestras, depois treinamentos e equipamentos, em especial, voltadas para as tecnologias utilizadas no carro elétrico.

 

RA – Esse atendimento é um diferencial da Tecnomotor?

LP – Por essa história de realmente estar ao lado e dar suporte, vencer barreiras e crescer no mercado junto com o reparador, um dos principais diferenciais que a Tecnomotor tem perante o setor é essa intimidade com o cliente, fruto desse relacionamento muito próximo feito pelo seus fundadores desde sua criação. Enquanto muitas empresas grandes, incluindo multinacionais, entram e saem do Brasil e muitas vezes deixam todos na mão, a Tecnomotor permaneceu e continua dando condições para o segmento se desenvolver. 

RA – Então há uma preocupação muito forte com o reparador?

LP – Sim, sempre a solução é pensada de acordo com as necessidades do reparador. O que pudermos fazer para que ele continue vencendo todas as barreiras, faremos. Essa é nossa filosofia. Um de nossas valores que está escrito em todas os ambientes da empresa é “Foco no Cliente” que para a Tecnomotor se traduz da seguinte forma: “Entender as tarefas e circunstâncias do cliente, colocando-se no lugar dele; Prover e criar soluções que sejam boas para ele. Oferecemos soluções inteligentes, para levar as oficinas e que elas continuem vivas no setor. A Tecnomotor oferece muito mais do que um item, oferece um relacionamento para a oficina lucrar e valorizar os seus parceiros.

 

RA – Como acontece esse suporte?

LP – Nosso suporte técnico é todo concentrado na matriz, para ajudar nas dúvidas de operação dos produtos e ajudar no diagnóstico. Como já disse, não é o produto pelo produto. Hoje existe um aplicativo, TecnoZap (WhatsApp), onde ele pode nos enviar fotos, questões, dúvidas e o nosso técnico responde como se fosse um whatsapp. Assim facilitamos e agilizamos o atendimento ao cliente, e por isso temos um reconhecimento muito grande no mercado, por essa tecnologia e suporte, que são pilares muito fortes.

 

RA – E quais são as tendências?

LP – Falamos muito dos desafios e, olhando as tendências, o que as oficinas vão enfrentar, um dos principais desafios será o carro compartilhado, isso vai levá-las para um cliente chamado CNPJ, e não de grandes corporações, será um síndico com 10 ou 15 veículos que vai querer um serviço de eficiência, qualidade, rapidez e, principalmente, preventivo, mas as oficinas terão que se organizar para isso. Se hoje você é uma oficina que só espera o cliente bater na porta porque o carro dele deu problema, você não está preparado para atender essa nova demanda. E seus antigos clientes, de 20 anos, de repente mudaram e você não saberá por quê. Um exemplo é o mecânico da família, se eles resolverem ter uma experiência diferente, provavelmente não voltarão mais. A oficina tem que se preparar para isso e enfrentar todas essas tendências. A recomendação é buscar eficiência produtiva, saber seu faturamento, ticket médio, lucro, enxergar oportunidades dentro do seu negócio, porque às vezes ela tem várias unidades de negócio, mas enxerga apenas um resultado. Cuidar muito do retrabalho, pois este é o câncer de qualquer oficina.

RA – E qual sua mensagem para o profissional mecânico?

LP – O mecânico é o nosso bem mais valioso, é ele quem fez o que a Tecnomotor é hoje. O que mais queremos é que ele evolua, cresça e lucre muito. Nossa maior satisfação é que ele, como cliente, busque eficiência e soluções inovadoras porque se ele crescer e ganhar mercado estaremos ao seu lado. O setor está muito dinâmico, com muitas mudanças, por isso, ele pode contar com a Tecnomotor para ajudá-lo a enfrentar os desafios. Esse é um setor extremamente vitorioso. O mecânico é um profissional que vai enfrentar qualquer barreira. Hoje fala-se muito que o profissional do futuro é aquele que estuda toda hora e o reparador é um cara que está a todo momento estudando e aprendendo, correndo atrás da informação com atitude de querer aprender. É um orgulho ser uma empresa brasileira e fazer parte, junto com o mecânico, do segmento de reparação.

 

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RA – Como a Tecnomotor entrou no segmento da reparação?

LP – Com a nacionalização, em 86, fizemos projetos para algumas montadoras, mas ainda no final da década 80, resolvemos abandonar todo o mercado de montadoras porque era muito oscilante, e passamos a focar integralmente no mercado independente de reparação.

 

RA – Esse setor está profissionalizado?

LP – Sim. As oficinas mecânicas enfrentaram a eletrônica embarcada e venceram. Esse mérito é desses profissionais porque foram atrás de estudar e aprender, com pouco recurso das montadoras e sistemistas, tudo muito na raça, com apoio de alguns empresas do setor, de parceiros fabricantes de peças e escolas como Senai. Essa vitória foi muito importante. Até o presidente do Sindirepa, Antonio Fiola, tem uma frase muito forte sobre isso: “nenhum carro no Brasil ficou sem consertar pelo setor independente de reparação”. Ou seja, sempre se deu algum jeito, mérito dos reparadores.

 

RA – Mas, não foi sempre assim?

LP – Não. No início, muitos tinham medo do fim do carburado e da entrada da injeção eletrônica. Depois da injeção vieram o airbag, ABS e tudo mais e crescemos nessa onda, junto com o mercado, ajudando as oficinas a se manter, evoluir e crescer e, consequentemente, a Tecnomotor se tornou o que é hoje, uma empresa de referência em equipamentos de diagnóstico e suporte técnico. Suporte Técnico muito atuante, onde até hoje, por exemplo, o cliente compra um Rasther e vários técnicos são disponibilizados para atender os clientes e ajudar a oficina a operá-lo e também a ajudar no diagnóstico do veículo.

RA – Como a Tecnomotor ajuda as oficinas a otimizar recursos e espaço físico?

LP – Com a visão de eficiência, é muito mais fácil para uma oficina que acabou de fazer a suspensão, já no elevador, conseguir fazer o alinhamento ao invés de levar para um terceiro, sem correr riscos e sem arcar com custo de mão-de-obra ociosa em deslocamentos, nossas soluções são integradas e compactas, compartilhando o espaço já existente na oficina.

 

RA – E quanto ao mercado internacional, quais são as iniciativas da empresa?

LP – Temos duas frentes no segmento externo. Na Argentina temos uma empresa em sociedade com um grande parceiro onde dispomos de engenharia de software local, vendas e suporte técnico voltados para atender a frota regional, com muitos carros Diesel e, apesar dos altos e baixos, conseguimos uma liderança muito boa e nos tornamos uma das principais marcas de diagnóstico nesse país. Temos também distribuidores na América Latina e o último empreendimento foi o escritório nos Estados Unidos para alcançar o mercado diesel dos EUA e do México.

RA – Sabemos que o desenvolvimento dos produtos ocorre por meio de engenharia reversa. Como vocês se atualizam com relação aos lançamentos?

LP – A engenharia reversa acontece muito com relação ao scanner, equipamento de diagnóstico multimarcas que tem que atender todas as montadoras no mercado. É inviável para uma oficina comprar os scanners originais de todas as montadoras, sendo um custo estratosférico e não eficiente. Hoje os scanners multimarcas disponíveis no mercado mundial são desenvolvidos através da engenharia reversa. No caso da Tecnomotor para nossos desenvolvimentos fazemos análise, com base na frota, na quantidade de carros emplacados e também nas solicitações dos nossos clientes, feita por meio de nosso portal, onde ele solicita o que o carro está precisando e a partir daí, definimos a lista do que desenvolver. Nosso intuito é fazer isso acontecer, porque a opinião do cliente é muito importante. Não adianta desenvolver sistemas que ninguém precisa, que não têm demanda. No caso do scanner acontece muito a engenharia reversa, mas em nossos outros produtos não, pois a concepção e todo o desenvolvimento é própria. Por exemplo, o alinhador que desenvolvemos utilizamos todo um status quo das tecnologias modernas que não são comuns no mercado para esse item, tornando o equipamento muito mais rápido e robusto. Somos uma empresa de eletrônica muito forte, temos know how e usamos esse conhecimento em novas áreas. Desenvolvemos produtos modernos para nos diferenciar como as bancadas Diesel, para as quais desenvolvemos um conceito de teste graças à nossa capacidade de engenharia. Lançamos recentemente um item inovador em nível mundial, que é o Shock Box, para realizar teste de suspensão. Hoje existe o Shock Test que é um produto caríssimo e ocupa muito espaço. Conseguimos desenvolver um equipamento que analisa a oscilação de cada suspensão e, através da comparação entre os lados direito e esquerdo de cada eixo, determina o desequilíbrio sugerido na norma NBR14040. Com essa informação, o reparador através de um método tecnológico leva segurança ao seu cliente no pré diagnóstico, mostrando para o proprietário do veículo uma análise técnica e qualificada. Além da análise de suspensão, o Rasther Shock Box pode ser habilitado para diversas funções especiais dedicadas ao centro automotivo, realizadas através do scanner. Tudo isso com um acesso prático e simplificado, facilitando o uso do operador. Essa é uma inovação própria e sempre levando eficiência para o negócio da oficina.

 

RA – Com relação aos treinamentos, como ocorrem?

LP – Desde o início sempre tivemos muitos treinamentos, foi um grande diferencial, com instrutores parceiros, mas com o tempo o mercado deu uma esfriada. Agora os treinamentos estão voltando à tona. O Senai ocupa um espaço importante, mas nunca foi papel nosso ser uma escola. Nosso negócio é o equipamento, mas sabemos que o treinamento por trás disso ajuda muito. Nas nossas bancadas de Diesel, temos instrutores que dão treinamento, também oferecemos treinamento para entrega técnica de produtos, algumas turmas específicas na fábrica e outros na oficina do cliente, e cada vez mais treinamentos e palestras são importantes para o desenvolvimento desse segmento. O Brasil é gigante e, em 2008, criamos a Tecnomotor Distribuidora e as filiais para estar próximo ao mercado. Essa filial tem showroom, assistência técnica, áreas para treinamento, etc. Hoje são cinco unidades próprias e três unidades de terceiros, licenciados, para estar próximo ao reparador, oferecendo atendimento e suporte regional.

 

RA – Vocês também participam das feiras do setor?

LP – A feira é um evento muito importante porque é relacionamento com o cliente. O Brasil é muito extenso e a feira é uma oportunidade de relacionamento para apresentar nossos produtos, o cliente ver o produto funcionando. Hoje analisamos quais são importantes porque não é um investimento barato e temos que avaliar o retorno. Para nós, a Automec é a principal feira. A Autop e a Autonor são muito significativas e depois tentamos ir para feiras distantes. Estivemos em Petrolina (PE), Goiânia (GO) e Rio Grande do Sul este ano, que são menores, mas o mais importante é participar e levar nossos produtos e se relacionar com os clientes. Também participamos de eventos do Senai, realizamos palestras técnico-comercial para novos negócios e, particularmente, tenho visitado o Brasil com uma palestra sobre “Tendências para o futuro da reparação” para o profissional olhar o mercado adiante e se preparar para o setor que está mudando rapidamente e o segredo para sobreviver é olhar para frente. A necessidade de reparar o carro sempre vai existir, mas vai existir muita mudança nesse caminho entre o dono do carro e o ato de reparar.

 

RA – Quando o retrabalho acontece?

LP –São vários os motivos. Quando a oficina não está capacitada ou não tem ferramenta certa para fazer o serviço corretamente ou precariedade no fornecimento e na qualidade da peça. Tem que se trabalhar forte nessas áreas e, na maioria delas, o profissional é um excelente técnico, que gosta de consertar carro, mas não é o melhor gestor. O proprietário tem que começar a se dedicar pelo menos de 20 a 30% do tempo para gerir o negócio. O complicado é onde aprender sobre gestão de oficina, pois hoje existe pouca oferta. A Tecnomotor há 15 anos tem experiência oferecendo para a sua Rede chamada ECOCAR, cursos e consultorias administrativas para ajudá-las e fazer do excelente técnico, um grande empreendedor. Estamos querendo passar esse know how para o mercado. Temos mais de 30 mil clientes e a Tecnomotor está preocupada com que a oficina seja mais eficiente. O equipamento é uma consequência dessa história, temos que levar informação, treinamento e equipamento para esse setor.

RA – Como é o giro comercial da Tecnomotor?

LP – Nosso universo é o equipamento de diagnóstico e é considerado de bem durável. Hoje mostramos que um scanner é uma fonte de receita, para ganhar eficiência e, consequentemente, ganhar dinheiro. Nossa equipe comercial é de consultores, que opinam e conhecem muitos negócios porque rodam por muitas oficinas. Com isso, também auxiliam no negócio e trazem a fidelidade e reconhecimento. Essa intimidade com o cliente nos permite alimentarmos de muita informação que permite ajudar tanto eles quanto a Tecnomotor a desenvolver equipamentos e soluções que trarão eficiência e benefícios que ajudarão a oficina a sobreviver. Então, o bem durável tem um ciclo de venda longo, mas mantendo esse relacionamento ele compra alguma coisa nova e abrem-se novas frentes, novos negócios. Hoje temos três áreas de segmento para poder atender da melhor maneira novos negócios e queremos que o cliente enxergue na Tecnomotor uma provedora de soluções.

 

RA – O que vocês projetam para o ano que vem?

LP – Tínhamos uma expectativa muito boa para este ano, uma sensação que o mercado estava se descolando da política, mas acho que a crise dos caminhoneiros assustou muito a população. Com os produtores de bens duráveis a coisa ficou complicada e sentimos esse momento. Mesmo assim estamos próximos das metas, mas agora com uma perspectiva muito mais otimista porque entendemos que a página virou e todo mundo tem que seguir viagem e acreditar no Brasil. Temos um setor gigantesco que nos últimos 20 anos revelou um consumo e uma evolução muito grande. Por isso, enxergamos também a necessidade de parcerias estratégicas com grandes marcas para poder buscar soluções e ser o provedor com o que há de melhor custo-benefício, eficiência e suporte. O grupo Tecnomotor conta hoje a com uma empresa que fabrica e uma distribuidora com 8 filiais que dá suporte para todo o mercado brasileiro.

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