A importância cada dia maior do aprendizado constante na reparação

13/12/2018

 Neste segmento, destaca-se quem tem mais qualificação e o mercado oferece muitas oportunidades de treinamentos e cursos

 

Com a tecnologia embarcada e os veículos cada vez mais conectados, a necessidade de aperfeiçoamento profissional por parte dos mecânicos se tornou cada vez mais eminente. No Brasil, existe uma gama de oferta de cursos e treinamentos para os mais diversos níveis, do básico à especialização, e especificamente por sistemas. E também para os empresários da reparação, na parte de gestão. 

 

No SENAI Nacional, Felipe Morgado, gerente executivo de Educação Profissional e Tecnológica, informa que os Desenhos Curriculares Nacionais dos cursos são disponibilizados, mas cada escola define o seu portfólio, pelas especificidades e demanda da indústria local. “O SENAI elabora, por exemplo, o Mapa do Trabalho Industrial, que projeta a demanda por qualificação em um prazo de quatro anos e ajuda a definir a oferta de cursos em cada região”. 

Felipe Morgado, gerente executivo de Educação Profissional e Tecnológica do SENAI Nacional

 

 

Neste ano, a oferta de cursos da área automotiva abrangeu 333 escolas de todos os 27 estados. “Nos diferentes níveis da educação profissional (formação inicial e continuada, técnico de nível médio e ensino superior). Em 2017, foram formados 98.249 alunos em todo o País. Até setembro de 2018, concluíram 60.847”, especifica Morgado.

 

Parcerias - Entre as parcerias do Sindirepa-SP, a com o SENAI permite que os associados à entidade tenham condições diferenciadas de pagamento em cursos da instituição. “Para isso, a empresa deve estar registrada com o CNAE específico de empresa de reparação de veículos”, diz Antonio Fiola, presidente do Sindirepa Nacional e Sindirepa-SP.

Antonio Fiola, presidente do Sindirepa Nacional e Sindirepa-SP

 

 

Há também convênio com TecDoc e Partlinks para dados e informações de peças e aplicações, e o Programa Empresa Amiga da Oficina que conta com mais de 40 empresas, entre fabricantes de autopeças e equipamentos e prestadores de serviços, que promovem uma série de ações aos associados da entidade, entre elas, palestras técnicas que são muito importantes para promover o conhecimento dos profissionais e estreitar relacionamento.  

“Outra ação do Sindirepa-SP é o convênio com o IQA - Instituto da Qualidade Automotiva, para certificação de oficinas com o PIQ - Programa de Incentivo à Qualidade, uma iniciativa que visa ajudar a melhorar a gestão e produtividade das empresas”, diz o executivo. 

 

Fiola ressalta que conhecimento em eletrônica é essencial e a atualização deve ser constante. “A cada modelo de veículo lançado surgem novas tecnologias e o que se aplica em um carro não serve para o outro. Isso traz um enorme desafio. Além disso, o mecânico necessita cada vez mais de acesso a informações técnicas para mexer nos veículos e ter conhecimento em informática para saber usar os equipamentos que fazem o diagnóstico”. 

 

Segundo ele, o setor vive uma falta de renovação da mão de obra. “Os jovens não se interessam mais pela profissão e isso acaba deixando uma lacuna quando os mais velhos saem da função para se aposentar. É preciso que haja incentivo para que o segmento de reparação atraia os formandos do SENAI que acabam sendo aproveitados pela indústria automobilística”. 

 

Qualificação profissional - Na Escola e Faculdade de Tecnologia SENAI Conde José Vicente de Azevedo, em São Paulo (SP), a grande procura ainda é por cursos de qualificação profissional, incluindo Eletricista Automotivo, Mecânico de Motores, Funileiro e Pintor Automotivo. “Aliás, no segmento de reparação de carrocerias tem ocorrido uma grande evolução tecnológica com o uso de novos materiais e métodos”, diz o diretor da unidade, Fábio Rocha.

 

Os cursos na escola podem ser classificados em dois grandes grupos: Cursos de Oferta Regular e Cursos de Oferta Flexível. Dentre os cursos de oferta regular para o segmento automotivo, a unidade oferece o de

 

Aprendizagem Industrial - Mecânico de Automóveis Leves e o Curso Técnico em Manutenção Automotiva, uma Habilitação Técnica em nível médio, ambos gratuitos. Já o Curso Superior de Tecnologia em Sistemas Automotivos é para formação profissional em nível superior com ênfase no segmento de pós-venda automotivo, para jovens e adultos que tenham concluído o ensino médio, com regime de entrada anual no período noturno.

 

Parcerias - Rocha conta que a estratégia da escola no sentido da constante inovação tecnológica está fortemente relacionada às parcerias com as empresas de toda cadeia automotiva, incluindo montadoras, sistemistas, fabricantes de equipamentos, ferramentas e insumos.  “No caso do atendimento às montadoras, a escola realiza cursos de aperfeiçoamento para os profissionais das concessionárias das diversas marcas”. 

Fábio Rocha, diretor da Escola e Faculdade de Tecnologia SENAI Conde José Vicente de Azevedo, em São Paulo 

 

Nessa fase, a escola absorve as tecnologias de ponta e progressivamente elas são disseminadas para o setor de reparação independente por meio de articulação com o Sindirepa. “Assim, a escola já vem desenvolvendo cursos sob medida para públicos específicos, abordando as novas tecnologias relacionadas aos sistemas de auxílio à condução bem como novas alternativas de propulsão, entre outras”.

 

De acordo com ele, os cursos relacionados a sistemas eletrônicos embarcados (veículos leves e pesados) vêm recebendo uma atenção especial com constantes atualizações do currículo incorporando progressivamente as novas tecnologias. Para o próximo ano, entre os cursos ofertados, estão o de Sistema de Transmissão Continuamente Variável (CVT), Manutenção de Sistema de Gerenciamento Eletrônico Diesel, incluindo Sistemas de Pós-tratamento EURO V, Motores de Injeção Direta, dentre outros. 

 

E Rocha deixa uma mensagem: “Para os profissionais que estão iniciando a carreira, eu diria que há uma necessidade de investir em sua formação básica para que tenham pleno domínio dos fundamentos de eletricidade, eletrônica e mecânica, pois com uma base bem consolidada será mais fácil a absorção das constantes evoluções tecnológicas”. 

SENAI Conde José Vicente de Azevedo

 

Do básico à especialização - A Escola do Mecânico nasceu em Campinas (SP), em 2011, por uma iniciativa de Sandra Helena Nalli, especializada em mecânica, a partir de um projeto social que ela realizava, formando menores da Fundação Casa. Em 2014 ela partiu para o modelo de franquia. Hoje são 22 unidades, a maioria no Estado de São Paulo e em Porto Alegre (RS), Uberlândia (MG) e Salvador (BA).

 

“Nós estamos abrindo uma unidade em Florianópolis (SC)”, antecipa, dizendo que a meta é chegar a 50 escolas no Brasil, em 2019, e a 219 unidades, em um período de cinco anos. “E o nosso ambiente de aula é uma oficina, com todo ferramental de última geração. Nós atuamos com o aluno na capacitação prática”. 

Sandra Helena Nalli, fundadora da Escola do Mecânico 

 

A formação vai desde a básica até a especialização. “Para jovens e adolescentes que pretendem entrar na área ou abrir o seu próprio negócio, oferecemos capacitação profissional para formação de base. Eles aprendem a usar os ferramentais e participam de módulos de capacitação na parte de motor, transmissão, suspensão, freios, sistema de rodagem, balanceamento e alinhamento”. 

 

Os de especialização são voltados para quem já trabalha na área e que  pretende adquirir novos conhecimentos e agregar algum módulo de serviço na oficina”. Segundo ela, a maior carência desses profissionais está relacionada à tecnologia embarcada. “Nós estamos passando por uma modificação muito forte no setor de reparação automotiva, a velocidade com que os carros evoluem não é a mesma com que os mecânicos conseguem se capacitar”. 

 

Mão de obra - E assim como Fiola, ela menciona questão da renovação da mão de obra. “Há uma dificuldade de migração de gerações, os filhos acabaram não absorvendo a profissão do pai. Percebe-se uma baixa quantidade de mecânicos jovens que estão mais conectados e que se interessam por esse tipo de negócio”. 

 

Para finalizar, Sandra Helena Nalli antecipa uma novidade. “Nós temos uma parceria com uma empresa italiana que desenvolve scanners para veículos híbridos e elétricos. Junto à engenharia desta companhia, nós estamos desenvolvendo um treinamento de capacitação específico para estes veículos”.

Escola do Mecânico - Unidade Guarulhos (SP)

 

Globalizado - Em 2007, Mário Meier Ishiguro foi procurado pela Sprintec, representante da Bosch no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, para treinar oficinas autorizadas quanto ao uso das máquinas recicladoras do sistema de ar-condicionado. Nascia, assim, a Ishi Centro de Treinamentos. 

 

​Ishi Centro de Treinamentos. No detalhe, Mário Meier Ishiguro

 

“Na época, muitas máquinas foram vendidas e as oficinas autorizadas, por não saberem usar o equipamento, pensaram em devolvê-las. Foi então que surgiu o convite para treinar essas oficinas, a não só utilizarem o equipamento mas conhecerem todo o sistema de ar-condicionado automotivo”.

 

O projeto começou na sua cidade, Balneário de Camboriú (SC), e extrapolou  fronteiras. “Em dez anos, foram 185 turmas formadas e 1.600 alunos de todo o Brasil e também alunos que vieram do Mercosul e da África. Há alguns anos, paramos de realizar cursos itinerantes pelo País, percebemos que o resultado é muito melhor para todos quando feitos no nosso centro de treinamento”.

 

Conteúdo - Ao longo dos anos, ele conta que a cada turma foram aperfeiçoando o conteúdo, sempre buscando novidades. Hoje são quatro manuais entregues durante os cursos. “Para o treinamento, nós selecionamos o pessoal que já é reparador automotivo, desta forma, o aproveitamento é muito melhor”. 

 

Ele também é direcionado a vendedores e compradores de distribuidoras de peças e ferramentas. “Para que eles possam ficar mais próximos aos seus clientes e entender melhor os problemas que os aplicadores passam, melhorando, assim, o atendimento e a compra de peças e equipamentos de melhor qualidade para revenderem”. 

 

Ishi conta que o Centro de Treinamento é  equipado com tudo que é tipo de ferramenta para trabalhar nesta área. “Nós temos parcerias com várias empresas fabricantes de equipamentos e distribuidores de peças (nacionais e internacionais), que sempre nos escutam com dicas e sugestões para melhoria de seus produtos”.

E, ainda, “nós temos desde as ferramentas mais simples até as mais sofisticadas, inclusive ferramentas que até o momento não chegaram no mercado nacional, e o aluno pode fazer o test drive e ver se realmente vale a pena adquirir esta ou aquela ferramenta ou marca”. Há também bancadas de testes para simular problemas e o funcionamento do sistema e muito mais.

 

Gestão - O Programa do SEBRAE-SP para os empresários da Reparação Automotiva tem duração de 5 meses (normalmente no período noturno, conforme solicitação dos grupos), totalizando 57 horas de capacitação e uma consultoria de 4 horas na empresa, incluindo diagnóstico inicial, consultoria, gestão financeira, planejamento estratégico, melhoria de processos e serviços, e indicadores e metas para a reparação automotiva. 

 

José Paulo Albanez, coordenador Estadual de Reparação Veicular e Comércio de Autopeças do SEBRAE-SP, destaca o Curso na Medida – Gestão Financeira. “Fundamental para o desenvolvimento do empresário, ele tem 20 horas de duração distribuídas em 5 encontros de 4 horas, abordando os principais conceitos e fornecimento de planilhas para prática e implantação de controles internos nas oficinas mecânicas. Atualmente o SEBRAE-SP oferece um desconto de 40% aos participantes na formação dos grupos”. 

 

Após este curso, o consultor recebe o empresário no Escritório Regional para uma consultoria individual de 2 horas e agenda uma visita na empresa, para em 4 horas esclarecer dúvidas e saber se as teorias estão sendo aplicadas na oficina mecânica. Há também o Curso sobre Planejamento Estratégico, que estabelece ferramentas para um planejamento empresarial de sucesso. 

José Paulo Albanez, coordenador Estadual de Reparação Veicular e Comércio de Autopeças do SEBRAE-SP

 

Da vivência de Albanez, ele pontua as falhas dos empresários da reparação na correta gestão do seu negócio. “As principais são as dificuldades nos controles internos e a não utilização de sistemas ou planilhas eletrônicas para controlar as despesas e o faturamento da oficina mecânica na organização dos processos”. 

 

O SEBRAE-SP está presente em todas as regiões do Estado de São Paulo, são 33 escritórios para atendimento. No Brasil, outros Estados também possuem estrutura e podem atender os empresários da reparação automotiva nas suas diversas demandas e dúvidas gerenciais. 

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