Conflitos internos, maneiras de lidar com eles na sua empresa

10/12/2018

 

 

Para tanto, basta seguir alguns passos que facilitarão a enfrentar e tornar as ações mais efetivas para um ambiente de trabalho saudável

 

Internamente nas oficinas mecânicas, assim como em qualquer empresa, podem existir conflitos que abalam a equipe e a produtividade. Com uma visão de outro mercado, mas que também cabe para a reparação automotiva, André Roberto Oliveira da Costa, diretor Financeiro e de RH da Associação Multimarcas de Farmácias (Farmarcas), separa os conflitos em cinco diferentes estilos: competição, acomodação, afastamento, acordo e colaboração. 

 

Competição - “Antes de falar sobre competição dentro da empresa, precisamos falar a respeito dos valores estabelecidos por ela. Os valores vão nortear o comportamento dentro da empresa. Quando ela tem valores definidos e a competição está dentro desses limites é benéfico para a companhia, mas quando a competição se torna antagônica a esses valores, a direção precisa tomar medidas de correção de comportamentos”. 

 

Segundo ele, no estilo competitivo o indivíduo está em um nível alto de assertividade, buscando seu interesse próprio, mas com baixa cooperação. A pessoa é agressiva e prevalece o poder. Sendo assim, o indivíduo não será assertivo, mas agressivo.

 

E Costa dá dicas de como o empresário deve lidar com essa questão de competição e incentivar o aumento de cooperação entre a equipe. “Ele tem que lidar da forma mais imparcial possível, sempre colocando os valores da empresa como um norte para não se perder o respeito entre a equipe”. 

 

 

Mesmo que as pessoas estejam competindo, ele diz que é importante que sempre prevaleça os valores da companhia. “Com os objetivos da empresa bem definidos e disponíveis para todos, fica mais fácil direcionar a competição de forma saudável, pois a competição acaba entregando o que a missão e visão dela buscam”.

 

Acomodação - “Ela acontece quando o colaborador não tem mais perspectiva de crescimento. É necessário que a empresa tenha um plano de carreira bem definido e mostre que a função dele é importante para entregar os resultados. Para o colaborador não cair na acomodação, é necessário que ela tenha objetivos de crescimento, criando novas oportunidades e, assim, desenvolvendo pessoas dentro da companhia”.

 

Nesse segundo estilo, ele esclarece que o indivíduo tem pouca assertividade e alta cooperação. Ele se autossacrifica para satisfazer a vontade de outra parte e abre mão do seu direito, se tornando passivo e não se posicionando com franqueza. Desta forma, o indivíduo não é assertivo em seu comportamento.

 

Afastamento -  “Ao perceber que um colaborador está tomando esse rumo, o empresário pode chamar a pessoa para o protagonismo, buscar que ele perceba qual seu 1/3 em relação ao problema e fazer com que enxergue que ele próprio pode reverter a situação e ajudar a outra parte a melhorar”.

 

Nesse terceiro estilo, o indivíduo possui pouca assertividade e cooperação. Se afasta do problema e abre mão dos seus direitos. Ele se torna passivo e não é assertivo em seu comportamento.

 

Acordo - “No quarto estilo, nem a assertividade e a colaboração estão em seu estágio latente, nesse ponto o indivíduo abre mão de alguma coisa e outra parte também. Não há ação do ganha-ganha 100% e ambos saem perdendo”.

 

Colaboração - “Este é o ponto alto, uma estratégia de resultado de longo prazo e não curto. Os colaboradores terão mais qualidade de vida, o clima organizacional será pró-vida e todos terão prazer de trabalhar e fazer parte do time desta empresa”. 

 

Ele explica que para conquistar a colaboração é necessário que a empresa tenha seu propósito bem estabelecido e que todos respirem isso, propósito, visão, missão e valores. “Dessa forma, o posicionamento estratégico precisa estar bem definido e, claro, para todos que fazem parte da companhia, pois eles motivam à ação”. 

 

E é importante que algumas políticas de RH estejam maduras, como política salarial, plano de carreira, benefícios e ambiente físico de trabalho. “Ao cuidá-las de forma responsável e clara, permite apenas que o colaborador não caia em desmotivação”.

 

O executivo traduz que colaboração é o estilo de administração de conflito assertivo. “O indivíduo busca entender a outra parte e aprender com os erros, sem deixar que seus direitos sejam suprimidos ou esquecidos. Ao colaborar o indivíduo vê o outro como próximo e busca resolver o conflito de forma satisfatória para ambos os lados”.

 

Falha – Sobre os erros mais frequentes nas empresas para deixarem que os conflitos acima citados aconteçam, ele avalia que “o grande erro é que elas tapam os olhos para esse tipo de problema, deixam de lidar com isso. É preciso existir guardiões de valores da companhia, e quando eles perceberem que a empresa está se afastando de seus propósitos, eles precisam tratar isso, sendo duros com o problema e suaves com as pessoas”.

 

Para finalizar, ele comenta que as maneiras de tratar os conflitos existem e tudo dependerá do resultado desejado pelo gestor. “A meu ver, a resposta mais interessante sempre é a última: colaboração. Mas se não houver uma capacitação para essa postura, partiremos para os tratamentos errados e o resultado não será satisfatório. O caminho é aprender com as dificuldades e fazer com que dos conflitos os indivíduos tirem importantes lições. E isso é papel do gestor”.

 

NA LIDERANÇA

Gilson Reis, do Caps São Caetano de Sul (SP), da Porto Seguro, conta que na oficina esses conflitos não existem. Antes mesmo que eles possam aparecer, já é feito um trabalho de gestão em sua empresa. “Nós trabalhamos muito no sentido de estimular todos os colaboradores a se ajudarem, até porque a meta dela é o trabalho em grupo”. 

 

Para isso, ele deixa bem claro para eles que sozinho ninguém chega a lugar algum e que se um ajudar o outro, com certeza, os resultados serão melhores para todos. “Para isso, utilizamos vídeos e palestras para eles perceberem essa importância. Mostramos também qual é cultura de trabalho e a regra da empresa. Quem não pactua com ela, não se enquadra na empresa”.

 

Reis comenta que estimular a equipe faz parte da cultura da empresa, principalmente com relação à atualização e participação em cursos. “Percebemos que quando alguém acha que não tem como melhorar, isso está relacionado a algum problema familiar. O que fazemos é conversar e ajudá-lo. O que deixa o funcionário desmotivado é ele sentir que não é mais útil. O segredo é incentivar e motivar seus colaboradores”. 

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