DIAGNÓSTICOS E REPAROS NAS TRANSMISSÕES SÉRIE 6T40/45 VEÍCULOS GM

20/09/2018

 

 

Uma das primeiras coisas que precisamos saber antes de diagnosticar e reparar qualquer transmissão é entender como ela funciona. Uma vez  conhecido quem faz o quê e quando deve fazê-lo, fica mais fácil entender o que inspecionar primeiro e o que não precisamos inspecionar de maneira alguma.

 

Nunca é divertido colocar a transmissão na bancada, somente para descobrir que não há nenhum defeito nela internamente. Mas se sabemos o que o componente faz e como deveria funcionar, então podemos seguir adiante a fim de diagnosticar e reparar a causa do problema.

 

As transmissões nos veículos modernos são mais complexas e necessitam de um diagnóstico mais detalhado antes de decidirmos removê-las para reparo.

 

AS PRIMEIRAS COISAS PRIMEIRO

Sempre inicie determinando se existe algum código de falha presente em quaisquer dos módulos do veículo. Inspecione quanto a códigos, registre-os, apague-os e veja se eles voltam.

 

Mesmo se um código não retornar imediatamente, isto não significa que o problema desapareceu. Pode ser que vários ciclos de ignição sejam necessários antes que um determinado código de falha retorne, ou pode ser que sejam necessárias várias condições de utilização que não conseguimos reproduzir imediatamente.

 

Os computadores atuais recebem mais do que somente os sinais do TPS e VSS para controlar as mudanças de marcha de um cãmbio automático. Você sabia, por exemplo, que um determinado tipo incorreto de combustível pode afetar a qualidade das mudanças de marcha?

 

Por exemplo, se tivermos que colocar etanol E-85 em um veículo que não seja flex, poderemos ter registrados códigos de falha do sensor de oxigênio e sensor de detonação, porque o computador não consegue ajustar a correção de combustível e avanço da ignição corretamente. Podemos substituir os sensores o dia todo e ainda assim não conseguiremos reparar nada se isto acontecer. O mesmo pode-se dizer de veículos com gás GNV instalado.

 

Se você suspeitar que este pode ser o problema, existem kits de teste de etanol que podem ajudar a diagnosticar o combustível existente no tanque. Este teste rápido pode economizar um montão de tempo e dor de cabeça.

 

Quando o módulo identifica um problema que pode afetar a transmissão, ele normalmente elevará a pressão de linha para protegê-lo. O scanner que utilizamos no diagnóstico pode fornecer informações para ajudar-nos a monitorar os sinais dos sensores e comandos do módulo que poderiam afetar como o módulo altera o controle da transmissão.

 

O conhecimento de quais sinais de entrada e de saída estão envolvidos com a transmissão ajudará no diagnóstico. Códigos de falha de carroceria, freio eletrônico e controle de tração podem afetar o desempenho da transmissão. Quaisquer códigos do sistema de alimentação do motor que tenham efeito direto na carga do motor também causarão um mau funcionamento da transmissão.

 

Assim, nosso primeiro passo em diagnosticar qualquer problema na transmissão eletrônica deverá ser inspecionar quais são os códigos de falha dos módulos e os desvios de seu padrão original.

 

BOLETINS TÉCNICOS E ATUALIZAÇÃO DE SOFTWARES

Sempre busque informações sobre boletins técnicos ou atualização de softwares antes de remover a transmissão do veículo. Algumas oficinas removeram a transmissão do veículo para finalmente não encontrar nada errado internamente com ela. Mas tarde, após montá-la novamente e colocá-la no veículo, descobriram que a transmissão necessitava somente de uma atualização de software.

 

TESTANDO OS COMPONENTES ELETRÔNICOS INTERNOS

Os componentes eletrônicos se conectam internamente com o módulo de controle e unidade mecatrônica da transmissão. Devido a esta conexão interna, não existem muitos testes internos possíveis. Ainda assim precisamos nos certificar que temos alimentação positiva e negativa ao conjunto mecatrônico, e que o computador está recebendo sinal do interruptor de freio e sinal P e N. Finalmente, precisamos nos certificar que existem dados seriais entrando e saindo do módulo da unidade mecatrônica.

 

Escanear o veículo é a única forma de examinar os comandos dos solenoides, sensor de entrada de rotação da transmissão (ISS), sensor de saída de rotação da transmissão (OSS), e conjunto de interruptores da chave seletora (IMS) quanto ao desempenho de suas funções.

 

Aqui segue um exemplo de identificação dos terminais do conector do chicote de um Chevrolet Cruze com motor 1.4L turbo. (figura 1)

A localização e identificação dos terminais poderão variar conforme o ano e modelo, assim sempre verifique a informação antes de utilizar a mesma.

 

Os sensores de velocidade são de dois fios que geram um sinal digital. À medida que o componente da transmissão gira passando pelo sensor, os sensores produzem um sinal digital de frequência. O TCM (Módulo de Controle da Transmissão) monitora esta frequência para determinar a rotação de entrada e saída.

 

O módulo mecatrônico fornece a tensão necessária para a operação dos sensores. O sensor de rotação de entrada (ISS) está localizado na tampa traseira, com o chicote direcionado para dentro do módulo mecatrônico. Ele gera um sinal à medida que o conjunto da embreagem 3ª/5ª/Ré gira próximo a ele. O computador utiliza o sinal do sensor ISS para calcular a relação de marcha e taxa de patinação.

 

O sensor de rotação de saída (OSS) está localizado sob o corpo de válvulas (figura 2). Ele gera um sinal à medida que a engrenagem de estacionamento gira à sua frente. O computador utiliza o sinal do sensor OSS para indicar a velocidade do veículo como padrão de controle e cálculo de relação das marchas.

TESTE DE FUNÇÕES DOS SOLENOIDES

Um teste importante que se deve fazer ao diagnosticar uma transmissão 6T40 com códigos de falha funcionais presentes de solenoides é verificar a funcionalidade dos solenoides; não somente eletricamente. Estes sistemas possuem um processo automatizado disponível para ajudar a limpar resíduos do conjunto de solenoides.

 

Uma ferramenta scanner atualizada instruirá o módulo mecatrônico (TECHM) a ciclar os solenoides enquanto o sistema é pressurizado a fim de limpar os mesmos. Não precisamos desmontar a transmissão para executar este processo de limpeza. Simplesmente siga as instruções do scanner para ativar o programa de limpeza. Sempre execute este processo de limpeza antes de tentar diagnosticar a transmissão.

 

Se o processo de limpeza não obtiver sucesso, precisaremos diagnosticar o problema com um kit KENT MOORE DT47825 (figura 30). Esta ferramenta não pode faltar em nossa oficina a fim de executar um trabalho bem feito.

 

• Remova o conjunto dos solenoides de controle da transmissão.

• Instale o kit DT48616 no conjunto dos solenoides de controle (torque 5 Nm).

• Aplique ar comprimido regulado (90-100 psi, 6-7 bar) à ferramenta.

• Conecte seu scanner ao conjunto dos solenoides de controle utilizando o cabo DT48616-10.

• Comande o solenoide ON e OFF. A pressão de ar deverá estar presente no medidor e deverá escoar à medida que o solenoide é ciclado. Se o solenoide ou válvula não estiver operando corretamente, a pressão no medidor não se alterará à medida que o solenoide é ciclado; neste caso, substitua todo o conjunto de solenoides.

• Se o solenoide sob teste estiver OK, instale o medidor em outro solenoide e repita o processo. Poderão existir casos quando um código de falha de desempenho do solenoide é causado por um problema com os interruptores de pressão nos modelos de transmissão Geração 1. Existem kits de reparo disponíveis no mercado para corrigir defeitos nestes interruptores de pressão. 

 

Estes interruptores foram eliminados em 2012 devido à sua alta taxa de falhas. Uma das causas é que os rebites que fixam o conjunto de interruptores à placa se soltam e permitem mau contato. Ao reparar os interruptores de pressão, sempre verifique o estado dos rebites de fixação do conjunto. (Figura 4)

 

Quaisquer códigos de falha de desempenho dos solenoides em qualquer transmissão poderiam indicar um vazamento de pressão no circuito da embreagem controlado pelo solenoide.

 

PERDA DE MARCHA DA TRANSMISSÃO QUANDO O VEÍCULO PARA

O cliente traz o seu carro na oficina, pois ele informa que a transmissão perde a marcha quando ele para o veículo. Uma inspeção revela o código P2723 – desempenho do solenoide de controle de pressão número 5  - travado desligado.

 

Todos os solenoides, após um teste, se apresentam perfeitos; assim o técnico remove a transmissão para inspeção. O problema? Uma trinca no pistão de aplicação da embreagem 1/2/3/4 (figura 5).

 

 

Inspecione o pistão cuidadosamente quanto a quaisquer trincas ou defeitos. Ele pode ter encolhido devido ao aquecimento. Em caso afirmativo, não haverá nenhuma resistência à medida que se desliza o pistão para dentro e para fora de seu alojamento.

 

Sempre substitua estes pistões vulcanizados durante uma reforma da transmissão.

 

SOBREABASTECIMENTO GERA O CÓDIGO P0218 – SUPERAQUECIMENTO DA TRANSMISSÃO

O excesso de fluido causará superaquecimento da transmissão e gerará o código P0218 – excesso de temperatura do fluido da transmissão. As transmissões 6T40/45 utilizam um elemento térmico para controlar o nível de fluido internamente, semelhante às outras transmissões GM.

 

Conhecida como válvula de controle do nível de fluido (figura 6), esta unidade é basicamente um tubo controlado termicamente. A válvula de controle do nível de fluido está fixada à carcaça da transmissão, próxima ao corpo das válvulas de controle, e é projetada para controlar o nível de fluido na tampa lateral do corpo das válvulas de controle.

 

A válvula de controle de nível de fluido contém uma tira bimetálica que reage às mudanças na temperatura do fluido e abre ou fecha uma passagem de fluido. O sistema controla o nível máximo de fluido permitindo que o fluido excedente vaze do topo da válvula de controle e drene para o cárter da transmissão.

 

A temperaturas abaixo de 60 graus C, o elemento termostático permite que o fluido drene da área do corpo das válvulas de controle diretamente ao cárter da transmissão.

 

À medida que a temperatura do fluido da transmissão aumenta, o elemento termostático bloqueia o fluxo de fluido para o cárter, mantendo o fluido na área do corpo de válvulas junto ao cárter lateral da transmissão e, assim, o fluido no cárter lateral aumenta.

 

Isto mantém o nível de fluido adequado no cárter inferior, impedindo que o volume aumentado de fluido no cárter inferior em função da temperatura atinja as partes móveis da transmissão, evitando a geração de espuma que danifica a transmissão. Um elemento termostático danificado ou solto poderá causar geração de espuma no fluido ou nível incorreto de fluido, causando superaquecimento da transmissão.

 

A temperatura do fluido deve estar dentro da faixa de operação correta para se obter uma medição adequada ao se verificar seu nível. A inspeção do nível de fluido abaixo da temperatura normal de operação resultará em nível de fluido muito baixo.

 

Ao se substituir o fluido, certifique-se que a transmissão esteja fria. Se removermos o bujão de dreno na parte inferior da transmissão enquanto a mesma ainda estiver quente, somente cerca de 50% do fluido sairá.

 

Podemos verificar a temperatura correta para medir o nível do fluido no manual de serviço da transmissão, em alguns modelos, ou pelo scanner. É imprescindível que o fluido esteja na temperatura correta de verificação ou poderemos sobreabastecer ou subabastecer a transmisão.

 

Estas transmissões são facilmente sobreabastecidas devido à taxa de expansão do volume do fluido, que é muito sensível à mudança de temperatura, dando leituras de nível falsas ao técnico. Uma pequena quantidade de apenas 400 ml pode causar vazamentos pelo respiro da caixa.

 

Sempre verifique o nível de fluido com o motor em movimento, temperatura do fluido entre 85 e 95 graus Celsius, em PARK, através do tampão próximo do retentor do semi eixo na carcaça (figura 7).

 

APRENDIZADO AUTO ADAPTATIVO

O aprendizado dos valores adaptativos da transmissão é um procedimento para transmissões automáticas de seis velocidades no qual o módulo TCM “aprende” as características individuais de cada embreagem. Uma vez que o TCM aprenda os dados da embreagem, o procedimento é transferido para as células de adaptação de dados, as quais o TCM utiliza para controle das embreagens durante as mudanças.

 

A ferramenta scanner deixa o técnico iniciar o procedimento de aprendizado dos valores adaptativos da transmissão, que deveremos executar após quaisquer destes reparos na transmissão:

 

• Serviço interno da transmissão ou reforma.

• Reparo ou substituição do corpo de válvulas.

• Substituição do conjunto de corpo das válvulas de controle.

• Atualização do software do TCM ou recalibração.

• Quaisquer serviços executados para melhoria da qualidade das mudanças.

Caso deixemos de executar este procedimento após um destes reparos, isto poderá comprometer o desempenho da transmissão ou mesmo registrar um código de falha.

Antes de iniciarmos o procedimento de aprendizado dos valores adaptativos da transmissão, certifique-se que as seguintes condições sejam cumpridas:

• Bloqueio das rodas motrizes.

• Aplique o freio de estacionamento.

• Aplique o freio de serviço.

• Abertura do acelerador em zero por cento e nenhum controle externo da RPM do motor.

• Temperatura do fluido da transmissão entre 70 graus e 100 graus Celsius.

• Cicle a alavanca seletora da transmissão de PARK para RÉ três (3) vezes para purgar o ar existente nas embreagens.

 

Se, a qualquer tempo, durante o procedimento as condições necessárias acima não forem cumpridas, o processo deverá ser abortado e será necessário começar o procedimento desde o princípio.

 

 

Isto é só para o momento. O veículo do cliente está pronto para ser entregue ao mesmo e a transmissão deverá desempenhar como nova, com mais um cliente satisfeito!!!

 

 

 

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