Programa bom de seguidores

17/09/2018

 

Programa Amigo Bom de Peça, da ZF, conquistou 44 mil seguidores, 57% deles mecânicos, e está sendo legendado em 16 idiomas

 

A Head de Marketing da ZF Aftermarket América do Sul, Fernanda Giacon, comemora o sucesso do programa Amigo Bom de Peça, lançado em abril do ano passado e que, em pouco mais de um ano e quatro meses, já conquistou 44 mil seguidores, em sua maioria mecânicos, além de uma boa parcela de aficionados por carros. Ela conta nesta entrevista facetas da trajetória do programa, sua implantação e desenvolvimento, sempre calcado na interatividade com seu público-alvo, o reparador. Entre as novidades adiantadas por Fernanda está a ampliação de conteúdo, hoje voltado para a linha leve, mas que a partir de setembro contemplará uma série da linha pesada e também da linha de transmissões, por solicitação do mercado, apurada em pesquisa no Facebook. “Vamos disseminar informações sobre transmissão porque a ZF é uma das principais fábricas do mundo de transmissões e temos muito conhecimento e informações sobre esse tema”, diz Fernanda. O programa, desenvolvido no Brasil, também está sendo legendado em 16 idiomas, entre eles chinês, russo, alemão (língua da matriz) e até mesmo português de Portugal. Confira a entrevista.

 

Reparação Automotiva - O programa Amigo Bom de Peça fez um ano. Conte-nos como está sendo sua trajetória?

Fernanda Giacon - A ZF e a TRW passaram por um processo de integração e muita coisa mudou. São duas grandes empresas que, combinadas, tornaram-se uma das líderes do setor de aftermarket. Todo o mercado queria saber o que aconteceria desse momento em diante e o nosso desafio foi como comunicar essa fusão para que o reparador, o balconista, o dono do varejo, o distribuidor, para que enfim todos entendessem e recebessem corretamente a mensagem. Então, pensamos em fazer uma comunicação de maneira diferente, usando alguma ferramenta que estivesse presente em seu dia a dia, além é lógico da comunicação com anúncios, que já estava desenhada. Queríamos ir além e, de alguma maneira, criar um programa que estivesse em seu cotidiano. Fizemos muitas pesquisas – aliás sempre realizamos pesquisas e nos mantemos próximos de todos os elos da cadeia com a intenção de saber as tendências e as necessidades do segmento. Entretanto, nesse período da integração nos aprofundamos e identificamos que o mecânico quer informação. O que ele está procurando com as novas plataformas, com os carros que chegam para ele reparar, é suporte. A palavra crucial em todas as pesquisas que fizemos foi suporte. Com todos os grupos que conversávamos, o X que identificamos é que a fábrica precisa dar respaldo. O mecânico vai aplicar nosso produto, ele confia na marca, conhece o negócio, mas ele quer saber qual fábrica estará próxima quando ele precisar para o trabalho. Foi a partir dessas informações colhidas com esse público que criamos o Amigo Bom de Peça, afinal, temos informação, estrutura, todo o conhecimento por sermos desenvolvedores das tecnologias e fornecedores das montadoras e temos um Brasil enorme e milhares de pessoas que precisam desse conteúdo.

 

RA - Como vocês levaram esse conteúdo a esses profissionais e quais os resultados já alcançados?

FG - Uma ideia que reforçamos com as pesquisas foi a internet, o acesso ao mundo digital. As pesquisas confirmaram que todos eles têm acesso até muito mais pelo Smartphone do que pelo PC para pesquisar tudo. Quando o mecânico tem uma dúvida, ele vai na internet e pesquisa o conteúdo. Mas ocorre que hoje tem muita informação na internet, muitos vídeos, sobre muitos temas e aí os reparadores encontram muita dificuldade porque às vezes eles têm que assistir 10 ou 15 minutos de um vídeo para saber se o conteúdo que ele está procurando é aquilo lá mesmo e não é muito prático. Com esse cenário surgiu o Amigo Bom de Peça, um programa da ZF em que a gente trabalha todas as nossas linhas de produtos. Um grande diferencial e umas das características que garante o sucesso do programa é que a ZF tem o maior portfólio de produtos, então podemos falar de uma grande parte do chassi do carro, do undercar, tanto para linha leve quanto para pesada. Criamos uma plataforma muito simples, onde o mecânico tem acesso aos vídeos, hoje já temos 20 vídeos disponíveis sobre todas as nossas linhas de produtos, freios, direção, suspensão, embreagem, transmissão, e depois que ele assiste aos vídeos – que são curtos, de 2 a 5 minutos, e objetivos porque vão diretamente à dica – ele pode fazer uma prova utilizando também uma apostila, um e-book que disponibilizamos com o conteúdo do vídeo por escrito. Se ele acertar mais de 90% da prova, enviamos um certificado da ZF para o endereço que ele indicou no cadastro. O coração do programa é esse. Além disso, temos uma página diferenciada no Facebook, onde damos muitas dicas e o ponto alto é a interação. Pesquisamos como o mecânico estava se comunicando, seus grupos de relacionamento, a linguagem que eles tinham, quais eram os interesses, lembramos dados históricos, misturamos todos esses assuntos e, em um ano e quatro meses – o programa nasceu em abril do ano passado – atingimos hoje 44 mil seguidores. Outro ponto importante é que esse número é orgânico, ou seja, não colocamos dinheiro para conseguir seguidores. Lógico, impulsionamos os posts para que as pessoas vejam, mas a pessoa entende que aquele conteúdo é interessante e começa a seguir.

 

RA - Quem é esse público?

FG - A maioria é reparador. Em pesquisa recente apuramos que 57% são de reparadores e o restante são pessoas apaixonadas por carro. O brasileiro gosta bastante de veículo e como falamos bastante sobre carro tem um público que segue até por curiosidade. Outro público que identificamos também são de pessoas que querem ser mecânicos. Recebemos mensagens de pessoas que querem se tornar reparadores e veem no Amigo Bom de Peça uma chance de começar a ter acesso e conhecimento. Às vezes, essa pessoa já tem uma profissão, trabalha em outro ramo e no tempo vago, ele acessa.

 

RA - Quais os avanços do programa?

FG - Em um ano e quatro meses já identificamos outros braços e começamos a trabalhar. Um deles é o podcast, outro canal de comunicação com a oficina disponibilizado no mesmo site, que o mecânico pode baixar e escutar, feito como um programa rádio, com participação dos reparadores e muitas dicas. Outra coisa é uma parceria com a Oficina de Emprego, um novo site onde os mecânicos podem cadastrar currículos e as oficinas cadastram as oportunidades. Quando o reparador coloca o seu perfil, o sistema checa se ele é cadastrado no Amigo Bom de Peça e, se ele for, o mecânico recebe a seguinte mensagem: “Você quer carregar o seu certificado na sua qualificação?” E aí ele carrega os certificados que ele já conseguiu, melhorando o seu perfil. Se ele não for cadastrado, o sistema manda uma mensagem avisando que tem um programa em que ele pode fazer cursos e obter certificados para carregar no seu perfil. Algumas oficinas de São Paulo já estão usando os certificados para conceder gratificações aos reparadores. Aí percebemos que o programa também está ajudando a melhorar a vida das pessoas porque hoje, para o dono da oficina, é um problema qualificar os mecânicos ou por não ter tempo ou não ter dinheiro, é longe e o deslocamento custa, é difícil.

 

RA - E o que as oficinas têm feito com relação a esse tema?

FG - Têm incentivado os mecânicos a entrarem na plataforma e fazer os cursos. O reparador mostra ao dono da oficina que conseguiu um certificado e ganha uma bonificação no salário no final do mês. Ou seja, o custo que ele teria com a capacitação reverte para o mecânico e o incentiva a se autocapacitar.

 

RA - Quais os próximos passos do programa?

FG - Estamos com campanha de comunicação comemorativa de um ano do Amigo Bom de Peça e selecionamos alguns participantes dessa nossa caminhada e, no mês de agosto, a selecionada é uma mulher, esposa de um mecânico, que tem oficina e ela trabalha na área administrativa e compra as peças. Ela nos confidenciou que não entendia e começou a fazer os cursos para saber mais do que acontece na oficina. Então, o programa acaba atraindo pessoas que não estão diretamente reparando carros, mas trabalham nas oficinas e quanto, mais informadas estiverem, melhor trabalham.

 

RA - Existe então uma integração muito grande com os seguidores.

FG - A interação com reparadores no Facebook é diária. Temos também grupos de foco em que, a cada dois meses, reunimos de 10 a 15 mecânicos, de diferentes regiões do Brasil, para bater um papo e saber quais são as dificuldades, porque uma das preocupações, desde o início do projeto, é o de levar soluções para esse público conforme suas necessidades. É um programa do reparador para o reparador, por isso tem que conter informações e dicas que realmente fazem parte do dia a dia da atividade. Nossa intenção sempre foi levar informação sobre problemas dos veículos, oferecer dicas de como resolver e o mais rápido possível. São esses pontos que priorizamos e discutimos nesses grupos para poder gerar conteúdo. Fazemos isso a cada dois meses, seis por ano, e estamos com 20 vídeos. A ideia é fazer mais porque existe muita demanda e são muitos assunto a serem tratados.

 

RA - Além desse programa, vocês continuam com ações presenciais como treinamentos?

FG - Temos técnicos em campo, no Brasil inteiro, que visitam oficinas, varejos e fazem palestras técnicas conforme as demandas, porém, mesmo tendo técnicos em todas as regiões, o País é muito grande e não conseguimos chegar em todas as cidades. Ainda hoje o mecânico tem dificuldade de terminar o trabalho e se deslocar até o endereço onde haverá uma palestra, ele já está cansado do trabalho e acaba tendo dificuldade de absorção. Entendam que o nosso programa é complementar, não temos intenção de substituir o físico pelo digital, mas com o digital conseguimos estar mais próximos dos profissionais

 

RA - A partir de tantas informações recebidas, como que você vê o mercado de reparação?

FG - Acredito que o mercado de reparação vai ainda crescer muito no Brasil, principalmente por meio das novas tecnologias que chegam todos os dias. Nós conhecemos o mercado e estamos trabalhando para posicionar a ZF a partir de novas realidades. Acredito que há muito espaço para melhorarmos e facilitarmos o trabalho do reparador, que tem ficado cada vez mais difícil. Nosso objetivo com esses programas é mostrar para o mecânico, o balconista, o varejista, o distribuidor, por que a ZF é a melhor parceira. Temos um vasto portfólio de produtos, nossa qualidade já é reconhecida, nossas marcas são reconhecidas e, mais do que isso, o serviço precisa estar em um nível elevado  para conseguirmos atender todo esse público.

 

RA - Com esse programa vocês conseguiram diminuir a garantia?

FG - A garantia também é uma base para geração dos conteúdos dos vídeos porque, se temos um produto que está voltando porque não teve a melhor forma de aplicação, desenvolvemos os vídeos até em função disso, justamente para ajudar o mecânico a saber como aplicar da maneira certa e não ter problema de o cliente voltar na oficina. Não sentimos diferença com relação à garantia porque o tamanho da base ainda não é significativa para tanto, mas o objetivo é esse e para conseguir isso temos que ter firmeza de propósito e continuar aumentando a base. Não tenho nenhuma dúvida que daqui um ou dois anos vamos sentir diferença junto aos mecânicos por conta do que estamos construindo com essas informações, com essa interatividade e com a proximidade da ponta, onde está acontecendo a manutenção.

 

RA - E quais são os próximos projetos? O que o reparador e o mercado em geral podem esperar?

FG - Para esse fechamento de ano estamos trabalhando forte no digital. Vamos lançar em setembro uma nova área no portal da ZF Aftermarket para ter mais conteúdo, aplicativos e informações do próprio catálogo. Essa é uma das ferramentas que estamos nos debruçando para ser realmente um local de consulta do reparador para tudo, desde processo de garantia até informação dos produtos e como reparar. Também o Amigo Bom de Peça trará novidades. Hoje os vídeos estão voltados para a linha leve e a partir de setembro contemplará uma série da linha pesada e de transmissão. Isso também é uma solicitação do setor apurada em pesquisa no Facebook. Vamos disseminar informações sobre transmissão porque a ZF é uma das principais fábricas de transmissão.

 

RA - Qual outro destaque do programa?

FG - Ele está sendo traduzido para 16 línguas, entre elas chinês, russo, alemão, português de Portugal, italiano, francês, polonês, o que confirma a qualidade do produto e todo material produzido aqui no Brasil. Estamos legendando e isso vai para todos os países onde a ZF tem aftermarket. É um produto desenvolvido no Brasil para o mundo. Na Argentina já foi lançado com o nome de “Mas Mecánico”, vamos lançar na Colômbia e o Amigo Bom de Peça será lançado em outros continentes também.

 

RA - E o que teria a falar sobre os 60 anos da empresa no Brasil?

FG - Este ano a ZF completou 60 anos no País. Para nós, é motivo de orgulho saber que a primeira planta da ZF fora da Alemanha foi justamente no Brasil. Temos uma programação de comemorações que vem sendo realizada desde o início do ano, e especialmente em agosto, mês oficial do aniversário da instalação da primeira fábrica da ZF fora da Alemanha, em São Caetano do Sul (SP). A ZF é uma companhia de mais de 100 anos, com 60 anos aqui, e desde que veio para cá só fez crescer e isso também é motivo de orgulho. Recentemente a ZF ganhou prêmio como Melhor Empresa para se Trabalhar da revista Forbes Brasil, e obteve o primeiro lugar entre as indústrias de autopeças. Enfim, é uma companhia importante para o País, tanto no aftermarket quanto no equipamento original, e permanecemos trabalhando forte para fazer a economia girar.

 

 

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