Comércio Eletrônico já faz parte da rotina do reparador moderno

19/06/2018

 

​Entre outras razões, a indisponibilidade de itens no varejo leva os reparadores a recorrerem ao comércio eletrônico

 

Em 2017, o faturamento do comércio eletrônico foi superior a R$ 59 bilhões, incluindo todas as categorias, com um crescimento de 12% quando comparado a 2016, segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm). Para este ano, a entidade projeta uma alta de 15%, chegando a R$ 69 bilhões. 

 

Entre as categorias mais vendidas, os destaques foram: Eletroeletrônicos, Óticas e Acessórios e Acessórios Automotivos, de acordo com o estudo “E-commerce Radar 2017 – Resultados do mercado de e-commerce do Brasil”, da Neomove em parceria com ABComm. 

 

Já um levantamento do Atlas, que tem como foco a divulgação de dados e informações práticas para auxiliar no crescimento do mercado, mostra que a categoria automotiva é muito dependente de buscas realizadas pelo Google,  73% das compras, e que a taxa média de conversão, de apenas 0,7%, é praticamente a metade da média do comércio eletrônico em geral (1,3%). 

 

Questionado se compras pelo comércio eletrônico são uma tendência entre os empresários da reparação, Antonio Fiola, presidente do Sindirepa-SP e Sindirepa Nacional, acredita que o varejo continuará sendo o principal canal.

 

“A internet é mais um canal para o reparador buscar a peça quando necessita, mas as lojas ainda são e continuarão sendo o ponto principal de compra até pelo relacionamento de anos e a facilidade na entrega em poucas horas, e também formas de pagamento”. 

 

Desvantagens - Entre os pontos desfavoráveis, ele cita o prazo. “se você tem o carro na oficina, não pode esperar uma semana pela peça”. E a questão de o produto ser muito técnico. “O que pode ocorrer engano e a devolução. No caso da internet, pode se tornar mais complicada por causa dos trâmites que a operação envolve”. 

 

Para finalizar, Fiola compara o mercado brasileiro com o americano. “Apesar de lá o e-commerce ser mais forte que no Brasil, os reparadores continuam optando pelas lojas. Pesquisa revela que apenas 20% dos consumidores compram pela internet, sendo que a procura é por acessórios. Acho que a pesquisa é feita pela web, mas a loja ainda é ponto de referência do mecânico”. 

 

Falta no varejo – Fabiana Guadani, da oficina Alemão o Bom, de São Paulo (SP), conta que há pelo menos cinco anos eles compram peças pela internet, principalmente quando elas não estão disponíveis no varejo. “O volume é grande, mas bem menor do que compramos das autopeças”.

 

Segundo ela, é fácil achar peças pela internet. “Basta fazer a busca, encontrar a peça, verificar o valor do frete e passar as informações aos clientes. Não tem muita burocracia e nem muito erro. Cerca de 80% do que compramos é pelo Mercado Livre”. 

 

E para não ter erros no pedido, uma estratégica adotada é a verificação. “Nós sempre finalizamos a compra ligando para o vendedor para checarmos se está tudo certo. É um padrão nosso para recebermos a peça certa e no prazo de entrega estipulado”. 

 

Vantagens – A falta de itens nas autopeças e os preços altos são os principais motivos de compras pela internet na Mary Rei Centro Automotivo, de Salvador (BA). “Compramos peças pela internet bem esporadicamente, principalmente para veículos importados, quando não a encontramos nas lojas ou quando o preço está caro nas concessionárias”, diz Anderson dos Santos Contreiras. 

 

E a principal fonte é o Mercado Livre. “É o primeiro lugar que acessamos pela grande variedade de itens disponíveis”, comenta. Sobre o prazo de entrega, Contreiras diz que isso é combinado com o cliente. “Há casos em que o veículo pode rodar e outros que não. Mas geralmente a entrega é por Sedex, que é mais rápida”. 

 

Volume – Na Ataliba Mecânica Técnica, Lucas Ataliba Silva informa que o volume de peças adquiridas pela internet, principalmente pelo Mercado Livre, é grande, bastante diversificado, principalmente quando as peças não estão disponíveis nas lojas. 

 

“Outra vantagem de comprar pela internet é a questão do parcelamento, que geralmente é diferenciado (mais vezes). Além da variedade de fornecedores que encontramos no Mercado Livre”. Porém, já houve problemas na entrega. 

 

“Não foram muitas vezes, mas já recebemos peças avariadas. Acho que isso aconteceu por estarmos em uma região distante (Manaus – AM)”. Sobre o prazo de entrega, ele diz que é de no máximo três a cinco dias, e que o cliente acaba entendendo. 

 

Comunicação – Em Santa Catarina, Roberto Turatti (Billy), ex-presidente do NEA/ARVESC, Núcleo Estadual de Automecânicas/Associação de Reparadores Veiculares de Santa Catarina, conta que é bem pouca a compra de peças pela internet no Estado.

 

“Usamos muito os sites de compras para acessar o Skype e falar com o fornecedor, como por exemplo, para consultar catálogos, numeração de peças e aplicações. Porém, a compra em si é muito pequena”, explica. 

 

Melhores ofertas – Willyan Taufner, responsável pelo Mundo dos Mecânicos, grupo no Facebook com mais de 150 mil seguidores, informa que é grande o volume de compras pela internet, principalmente em lojas especializadas. “Nós pesquisamos preços e selecionamos as lojas que têm as melhores ofertas. Além disso, 50% dos meus clientes compram pela internet e chegam com as peças nas mãos”. 

 

Para ele, a principal vantagem é a facilidade de devolução, quando necessária. “Pela internet, eu tenho um prazo de sete dias para devolver a peça, caso não goste do produto, ele não precisa estar com defeito. E isso sem nenhuma burocracia e sem precisar ter a questão da garantia”.

 

Por outro lado, ele comenta sobre o prazo de entrega. “Ela é mais demorada, mas acaba sendo uma vantagem comprar pela internet, justamente pela facilidade de uma troca ou devolução”. 

 

Ele cita como esse processo é rápido. “Para devolver uma peça ao distribuidor é preciso emitir uma nota de devolução, pelo sistema de peças on-line, simplesmente recebemos uma postagem reversa pelos Correios, o que é mais vantajoso. É muito mais simples”, compara.

 

Todos os meses – “O volume de passagens de carros na oficina é grande, atendemos cerca de 800 veículos/mês, então basicamente compramos peças pela internet todos os meses, a maior parte do Mercado Livre”, afirma Valdir Pinto da Silva, da Roda Center Centro Automotivo, de Guarulhos (SP). 

 

A maior parte dos itens via internet é de componentes eletrônicos e de peças  indisponíveis nos seus parceiros. “Quando não encontramos no distribuidor convencional, nem na concessionária, apelamos para a internet”. Mas nisso há um ponto desfavorável.

 

“Pela internet, o cliente tem acesso ao mesmo produto e ao mesmo preço. Muitas vezes ele não entende que precisamos colocar uma margem por causa do risco da garantia, inclusive da mão de obra. E sobre o prazo de entrega, às vezes o carro fica mais tempo na oficina, mas esse não é o maior problema”.

 

Retirada no local – Na Motorfast, de São Paulo (SP) o volume de compras pela internet é pequeno, mas quando necessário há um esquema diferenciado. “Nós temos motoboy que retira a peça em mãos. Pagamos pela internet e combinamos isso com o vendedor, até para o veículo não ficar parado na oficina”, conta Bruno Tinoco Martinucci.

 

Segundo ele, os itens adquiridos via web são geralmente os que não encontram de pronta entrega nas autopeças ou junto aos seus fornecedores rotineiros, ou algo muito específico que também não tem nas concessionárias. “Por esse canal nós encontramos tudo, inclusive de veículos que foram importados para o Brasil com pouco volume de unidades”.

 

 

O setor de autopeças para o Mercado Livre

O Mercado Livre possui 211 milhões de usuários registrados na América Latina, sendo 34 milhões dos quais, compradores únicos. Em toda a região são 10 milhões de vendedores únicos. Peças e Acessórios são a principal categoria da plataforma.

 

“Por questões estratégicas, nós não divulgamos o número de unidades comercializadas. Mas podemos divulgar que, em número de anúncios, no último mês a plataforma registrou mais de 9 milhões de anúncios ativos”, diz Bruno Fumagalli Guarnieri, gerente de Marketplace e responsável pela categoria de Autopartes no Mercado Livre. 

 

Pela plataforma, os itens mais vendidos são: farol, cinto de segurança, suspensão e amortecedor. “O Mercado Livre disponibiliza diferentes produtos automotivos que também são destaques na plataforma, dentre os quais: peças em geral, pneus e som/multimídia automotivo”, acrescenta. 

 

Guarnieri comenta que não há uma estatística que mostre o percentual de compradores pessoas física e jurídica. “O Mercado Livre não realiza um recorte específico a respeito”. E ele destaca que preço é fator predominante no momento da compra pela plataforma, entre outras vantagens. 

 

“Como segurança do site, garantia de procedência das peças, o serviço de compra segura e a diversidade de itens ofertados também são considerados no momento da compra”, finaliza.

 

E as compras são feitas pelo Mercado Livre e diretamente nas empresas. “O Google facilita muito as buscas. Quando identificamos a empresa, nós compramos diretamente com elas e, como dito anteriormente, nós combinamos a retirada da peça no local”, finaliza.

 

 

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