TÉCNICAS APURADAS DE REFORMA DE UMA TRANSMISSÃO AUTOMÁTICA

06/06/2018

 

 

Elas não são mais suficientes para um resultado duradouro, e os controles computadorizados atuais podem arruinar esse reparo

 

Há algum tempo, se você desejasse realizar um trabalho de reforma nas caixas automáticas, deveria ir um pouco mais além em seu trabalho: substituir as buchas, ajustar as folgas, talvez instalar kits de melhoria em alguns componentes. Talvez até atualizasse a transmissão com os reparos mais recentes, de uma das empresas especializadas em encontrar e corrigir pequenos problemas e falhas de projeto que poderiam gerar danos à transmissão.

 

Isto é um bocado de trabalho, mas faz a diferença. Com um pequeno esforço extra, poderíamos montar uma transmissão que duraria muito mais anos de serviço, e efetuar trocas de marcha ”melhores que quando nova”.

Porém, hoje, estes trabalhos extras não são o bastante. Mesmo com trabalho extra para que a transmissão seja remanufaturada com qualidade, não somos os árbitros finais de como a transmissão irá se comportar.

Porque hoje as transmissões são controladas por computador. E o computador decide como e quando a transmissão irá realizar as mudanças de marcha.

 

Isto não é necessariamente uma coisa ruim. Quando eles funcionam direito, estes controles por computador realizam um trabalho realmente excelente. Mais adiciona um passo importante ao conjunto: adaptações de mudança.

 

 

 ADAPTAÇÕES DE MUDANÇA

O computador monitora constantemente o comportamento da transmissão e ajusta (ou adapta) a mesma às condições de operação. Coisas como desgaste das embreagens e freios, temperatura, e mesmo o comportamento do motorista afetam as adaptações de mudança.

 

Novamente, uma boa coisa, pois devido a este controle as transmissões modernas operam tão bem. Mas, agora temos mais uma preocupação: Precisamos resetar estes parâmetros adaptativos após cada reparo de transmissão. Eis o porquê:

 

À medida que a transmissão se desgasta, o computador fica ocupado adaptando-se a este desgaste. Ele monitora quanto tempo leva para uma embreagem ou freio aplicar, e altera o funcionamento hidráulico para ajustar o tempo e sensibilidade das mudanças.

 

Agora, quando reformamos uma transmissão... ou talvez somente executamos um reparo, tudo está novo e de acordo com os padrões da montadora, enquanto o computador ainda está ajustando as mudanças baseado naquele desgaste... desgaste que não existe mais.

 

Os resultados podem ser catastróficos. Em alguns casos percebem-se somente algumas mudanças de marcha mais estranhas até que o sistema se adapte novamente às novas condições. Mas em outros casos, a aplicação das embreagens e freios pode se sobrepor uma a outra, causando um dano real aos seus componentes ou mesmo falha total da transmissão.

 

A solução? Reiniciar os parâmetros adaptativos de mudança da transmissão.

Quando resetamos os parâmetros adaptativos, estamos na verdade realizando duas coisas: Primeiro, estamos pondo o sistema de volta aos seus ajustes iniciais, de maneira que ele possa trabalhar sem danificar nada. Segundo, o computador sabe que os parâmetros foram resetados, de maneira que acelera o processo de aprendizado para ter o sistema o mais rápido possível em operação correta.

 

 

RESETANDO O SISTEMA

Como podemos resetar o sistema? Na maioria dos carros é muito fácil. Tudo o que precisamos é de um bom scanner com o último programa para o veículo em que estamos trabalhando.

 

Enquanto existem algumas pequenas diferenças de um sistema para outro, o procedimento geral é simplesmente selecionar o RESET DE PARÂMETROS do menu do scanner. Isto deve limpar as memórias de adaptação na maioria dos veículos. Estamos então prontos para executar o procedimento de aprendizado.

 

 

 

 

PROCEDIMENTO INICIAL

Uma vez que tenhamos resetado os parâmetros a zero, precisamos dirigir o veículo e assim ajudar o computador a iniciar seu processo de reaprendizado. Em muitos casos podemos alisar o funcionamento da transmissão com três passos simples:

 

1. Faça com que o motor e a transmissão atinjam a temperatura normal de funcionamento.

 

2. Execute 5 ou 6 acelerações leves – cerca de 15%. Certifique-se que a transmissão mude todas as marchas, desde a 1ª marcha até a última marcha, incluindo a aplicação da embreagem do conversor de torque (LockUp).

3. Execute 5 ou 6 acelerações com aceleração média – cerca de 30% a 40% de abertura da borboleta. Uma vez mais, certifique-se que a transmissão mude todas as marchas desde a 1ª até a última, incluindo a aplicação da embreagem do conversor de torque (LockUp).

 

Agora a transmissão deverá mudar as marchas de maneira suave e o veículo está pronto para ser entregue ao dono. Certifique-se de verificar uma vez mais a memória de avarias, e não esqueça de informar ao cliente que a transmissão continuará a se adaptar à sua maneira de dirigir nas próximas semanas.

 

 

 

TÉCNICAS NISSAN

Isto é o que se precisa fazer com a maioria das transmissões. Mas existem exceções, tais como as transmissões dos veículos NISSAN e VW/AUDI. De acordo com a NISSAN, será necessário o scanner CONULT original para resetar os parâmetros de adaptação da transmissão. Porém já consegui resetar os parâmetros de muitas transmissões NISSAN utilizando um scanner fornecido no mercado comum.

 

O procedimento para os veículos NISSAN depende do tipo de transmissão em que você estiver trabalhando. Para a transmissão NISSAN de 5 marchas, o procedimento é fácil:

 

1. Chave ligada, motor desligado

2. Alavanca em PARK

3. Conecte o scanner usual

4. Selecione o scanner no sistema A/T (transmissão automática)

5. Selecione o suporte de trabalho

6. Selecione “inicialização”

É tudo o que se necessita. Após este procedimento, ande com o veículo para executar o procedimento de reaprendizado dos parâmetros.

 

Se estivermos trabalhando em uma transmissão CVT, da NISSAN, o procedimento é um pouco mais complicado:

1. Chave ligada, motor desligado

2. Aplique o freio de estacionamento (Isto é importante pois será necessário movimentar a alavanca seletora em várias posições mais tarde durante o procedimento)

3. Conecte a ferramenta scanner

4. Selecione o sistema “transmissão”

5. Selecione e imprima a “Calibração de Dados” para posterior comparação

6. Apague a memória EEPROM

       • Aplique o freio com seu pé esquerdo e mantenha o pedal de freio acionado

       • Mude a alavanca da transmissão para Ré

       • Aplique o acelerador na metade de seu curso; precisamos que o acelerador saia tanto da posição de           acelerador fechado quanto da posição de acelerador totalmente aberto

        • Selecione “APAGAR” (“ERASE”) na ferramenta scanner

7. Movimente a alavanca seletora de volta para a posição PARK

8. Libere o pedal de freio

9. Desligue a chave de ignição

10. Aguarde 5 segundos

11. Acione novamente a chave de ignição, mas com o motor desligado

12. Selecione e imprima os dados de calibração novamente

 

Compare os dados de calibração inicial com a segunda leitura. A nova impressão deverá ser diferente da primeira, indicando que a memória adaptativa foi reinicializada.

Ande novamente com o veículo para iniciar o processo de aprendizado.

 

 

 

TÉCNICAS VOLKSWAGEN E AUDI

O procedimento VW/AUDI para reinicializar os parâmetros de adaptação envolve também a utilização do scanner VAS original com seu programa original. Sem problemas, se tivermos um à mão. Mas se não, eles não são baratos.

 

Felizmente, existem alguns atalhos para isto. Um dos mais fáceis é quando se trabalha em um Volkswagen ou Audi equipado com câmbio ZF. Para eles, apenas desconecte o conector elétrico da transmissão e dirija o veículo por algumas quadras. Desligue então o motor e reconecte o conector elétrico da transmissão.

Isto é tudo o que se precisa nestes casos. Os parâmetros auto adaptativos da transmissão são reinicializados do zero. Dirija novamente o veículo para que o computador aprenda rapidamente os novos parâmetros de dirigibilidade.

 

Para reinicializar os veículos AUDI e VOLKSWAGEN mais recentes, equipados com transmissão 09G de 6 velocidades, será necessário executar o que a Volkswagen chama de ajuste de KickDown. Eis como executá-lo:

1. Chave ligada, motor desligado

2. Conecte seu scanner normalmente e escolha o veículo em que você está trabalhando, pelo menu

3. Certifique-se que não existam códigos armazenados nas memórias dos módulos TCM e ECM. Limpe os códigos, caso seja necessário. Este reset não funcionará se houver algum código de falha de motor ou de transmissão na memória dos módulos

4. O alinhamento do corpo da borboleta de aceleração deve ter sido bem-sucedido. A menos que você tenha trabalhado no corpo de borboleta, o ajuste deverá estar OK

5. Não toque no acelerador durante este procedimento

6. Siga estes passos em seu scanner:

     [Selecione]

     [02 – Transmissão Automática]

     [Ajustes básicos – 04]

     Selecione o grupo para 001 [Go!]

     Não toque no pedal do acelerador

     Será possível ler: SYSTEM IN GRUNDEINSTELLUNG no display

     [Feito, Volte]

 

Isto é tudo; a adaptação do sistema estará completa. Execute o reaprendizado da transmissão dirigindo o veículo por alguns quilômetros para iniciar o processo, e então o veículo estará pronto para ser devolvido ao cliente. 

 

Tanto hoje quanto no passado, é importante andar alguns passos a mais quando se repara uma transmissão. Mas tenha certeza que ainda não cruzamos a linha de chegada até reinicializarmos os parâmetros adaptativos e executarmos o procedimento de reaprendizado inicial nas transmissões eletrônicas modernas.

 

 

 

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