Sistema de Carga e Partida, conheça em capítulos esse procedimento automotivo

19/04/2018

 

 

Amigo reparador, iremos dar início ao estudo do Sistema de Carga e Partida, que apesar de antigo e conhecido, também evoluiu com o advento da Eletrônica Embarcada nos veículos. O Sistema de Carga e Partida passou por avanços que conheceremos a cada etapa estudada. Primeiro vamos viajar pela história, desenvolvimento e aplicação do Sistema.

 

HISTÓRICO
No final do século XVIII, em 1800, o físico italiano Alessandro Volta se torna o pai da pilha, seguindo as pesquisas de Luigi Galvani, que criou a pilha galvânica.

 

Mas uma curiosidade que não podemos deixar passar aqui:

Galvani havia publicado a respeito de uma experiência com o sistema nervoso de uma rã, que alguns se referem como sapo. Bom, era um anfíbio!

 

Volta observa a pesquisa e vê que a energia concentrada não era o que Galvani nomeou de energia animal, mas sim uma reação por conta do ácido do corpo ligado ao metal. Volta repete a experiência utilizando dois metais diferentes, Zinco e Cobre, e ao ligá-los ao nervo da perna da Rã, e ao encostar as pontas dos metais um no outro, a perna se mexe. Então surgem os princípios da nossa Bateria, que tecnicamente chamamos de Acumulador de Energia.

 

Leia mais acessando o Link: www.infoescola.com/biografias/alessandro-volta/

 

Alessandro Volta morreu em março de 1827 em sua cidade natal como um dos grandes pioneiros no estudo da eletricidade e o inventor de diversos instrumentos para medi-la. Em sua homenagem foi dado o nome de “volt” à unidade para o potencial e tensão elétrica e o nome de “Cratera Volta” a uma cratera da superfície lunar em 1964.

 

ACUMULADORES DE ENERGIA – BATERIA
Apresentaremos de forma simples e de fácil entendimento a bateria automotiva, lembrando que a Bateria tem por Função transformar a energia elétrica em energia química para que possa ser acumulada (guardada em reserva). 

Apresentamos aqui algumas informações técnicas que nos são fornecidas pela Indústria de Baterias Tudor, que é nossa parceira desde 2003, na LCAR Auto Elétrica, empresa de nossa propriedade. 

 

CONSTRUÇÃO DA BATERIA AUTOMOTIVA:  Bateria Didática:

 

BATERIAS CHUMBO-ÁCIDA
Caracterizam-se por apresentarem placas formadas por substâncias derivadas de CHUMBO e como eletrólito, solução de ácido sulfúrico. As peças ou componentes de uma bateria chumbo-ácida são:

 

PLACAS POSITIVAS - Também chamadas de ânodos, apresentam como matéria ativa o óxido de chumbo (PbO) e quando carregadas eletricamente transformam-se em dióxido de chumbo (PbO2) com uma coloração castanho claro. Essa massa ativa é fixada em uma grade metálica de chumbo-liga, oferecendo  boas resistência mecânica e condução da eletricidade.

 

PLACAS NEGATIVAS - Também chamadas de cátodos, apresentam-se como matéria ativa o óxido de chumbo (PbO) e um agente expansor quando carregadas eletricamente, transformam-se em chumbo esponjoso (Pb)0 com uma coloração cinza metálico. Essa massa ativa é fixada em uma grade metálica de chumbo-liga, oferecendo boas resistência mecânica e condução da eletricidade.

 

MASSA CINZA COR NATURAL DO CHUMBO

 

Separadores - Os separadores são fabricados de um material isolante, de baixa resistência ôhmica, antiácido e micro poroso. Têm por finalidade reduzir ao mínimo a resistência interna dos elementos e a distância entre as placas. 

 

Os separadores são colocados entre as placas positivas e negativas para evitar o contato direto e não permitir o curto circuito e ao mesmo tempo mantendo um certo espaço entre as placas. Os filetes dos separadores devem estar voltados para as placas positivas evitando o contato direto, devido à alta oxidação das mesmas. O material empregado deve ter boa condutância eletrolítica. Os materiais empregados são: Polietileno, PVC; Fibra de vidro, etc.              

 

Recipientes- Geralmente são construídos de plásticos polipropileno, ebonite e vidro. Também definidos como caixas ou monoblocos. Este material deve ter boa isolação elétrica e resistência ao impacto; as tampas e rolhas devem ser providas de válvulas que permitem o escape dos gases gerados no processo normal das baterias.

 

 

Conexões - São peças metálicas, têm por finalidades interligar as células de uma bateria. Normalmente, são chamadas de conectores ou travessas, o material mais usado é o chumbo e o mesmo deve ter uma seção (espessura) que não rompa ao fechar curto-circuito na bateria. 

 

Eletrólito - É uma solução de ácido sulfúrico diluída em água destilada ou desmineralizada. O eletrólito utilizado varia em sua densidade de 1.100 a 1.260 g/cm², dependendo do tipo de bateria, das condições de serviços e da temperatura ambiente.

 

CONCEITOS ElÉTRICOS

Antes de seguirmos com as informações sobre bateria, é necessário entendermos os conceitos elétricos, para que possamos compreender a manutenção, testes e funcionamento correto do Sistema de Carga e Partida do veículo.

 

Tensão – no conceito técnico, chamamos de Diferencial de Potencial (ddp), para ficar em uma linguagem mais simples, é a diferença entre o negativo e positivo, que nos dá a possibilidade de medir seu valor. Lembrando que a unidade de medida é o Volt, que veio em homenagem a Alessandro Volta. E pode ser representada por: E, U e V.

 

Para medirmos este diferencial, é necessário que existam corrente elétrica e resistência ôhmica.

E a fórmula que utilizamos é: E=RxI, U= RxI e V=RxI, daqui para frente iremos adotar V=RxI.

 

Corrente Elétrica - é o movimento dos elétrons. Simplificando, corrente elétrica se dá quando há consumo da energia elétrica. Unidade de medida é ampère, representado por I (intensidade) ou A (ampère), em homenagem ao físico francês André-Marie Ampère.

 

TIPOS DE CORRENTES
Corrente Alternada (AC)
- utilizada em residências e indústrias, é chamada assim pois sua intensidade e sentido alternam em fase e neutro. 

 

Corrente Contínua (CC – DC) – utilizada nos veículos e equipamentos eletrônicos dotados de bateria, como fonte de energia, a Intensidade mantém seu sentido direto Positivo e Negativo, saem e chegam até o final da linha de transmissão na mesma posição.

Exemplo:

Com uma Bateria na mão totalmente carregada, sem nada estar ligado, há apenas Tensão, mas não Corrente, pois a Corrente só existe quando ligamos um equipamento qualquer que vá consumir esta energia.

 

Sentido da Corrente Elétrica

Real - do polo negativo para o positivo.

Convencional - do polo positivo para o negativo.

 

Fórmula para cálculo da Corrente Elétrica 

I = V/R ou A = V/R


Quando se tem a potência (watts) 

I = P/V

 

 

Resistência Elétrica – é a condição de um determinado componente em resistir a passagem da corrente elétrica. Sua unidade de medida é o Ohm (Ω), em homenagem ao físico alemão George Simon Ohm, que definiu as leis que utilizamos para cálculos elétricos.

 

Representação = R e unidade Ohm (Ω).

Fórmula R= V/I

 

 

Potência Elétrica - pode ser definida por trabalho exercido pela corrente elétrica por um determinado período de tempo.

 

Unidade de Medida - Watts, representado por W ou P, em homenagem ao físico escocês James Watts.

 

Fórmula – P = VxI

 

 

Diante dos conceitos básicos apresentados, podemos seguir com o estudo do sistema de carga e partida, pois através deles determinamos o diagnóstico de cada componente do sistema.

 

UTILIZAÇÃO MANUTENÇÃO E ESTOCAGEM DA BATERIA 

As baterias exigem certos cuidados quanto à sua manutenção, estocagem e utilização no veículo. Geralmente uma bateria dura em média de 2 a 3 anos, eventualmente pode ocorrer uma duração maior ou menor, 

que vai depender da forma de utilização da mesma e aplicação correta.

Ocorreu um fato de um cliente que atendi alguns anos atrás cuja a bateria durou 14 anos. Foi um fato inédito, que lembro que a Tudor recolheu a mesma, com o certificado de garantia, e presenteou o cliente com uma nova,

 pois aquela era uma bateria cujo código era do início da fábrica em Governador Valadares (MG). 

 

 

Mas o que leva uma bateria ter durabilidade maior ou menor?

O sistema de carga da bateria é determinado por Ciclo e quanto mais ela descarrega e precisa ser recarregada diminuímos sua vida útil. O ideal é que ela mantenha a carga estável. Para isto, entrará em cena um outro componente que estudaremos, o Alternador.

 

Mas hoje, por falta de conhecimento de muitos, condutores acabam prejudicando a vida útil da bateria de seu veículo. Um destes fatos muito comum é a aplicação de acessórios sem a consulta a um técnico devidamente preparado, pois acrescentam equipamentos e acessórios sem realizar o cálculo e levantamento de carga consumida e capacidade de recarga do veículo.

 

Exemplo:

Num veículo cujo alternador veio reparado para manter uma corrente de 65 ampères, o proprietário deseja instalar som com módulo de potência, aumentar a potência dos faróis e acrescentar os faróis auxiliares.

 

Façamos os cálculos:

Aparelho de som 50 watts

Módulo de som   1500 watts 

Faróis baixo          90 watts x 2 = 180 w

Faróis alto           100 watts x 2 = 200 w 

Faróis de Neblina 100 watts x 2 = 200 w

 

Somando o acréscimo de potência, teremos 1950 w na fase de farol alto e 1930 w na fase baixa. Convertendo em corrente consumida teremos I = P/V,  I + 1950/12,6v.

 

Isso resultará em 154,76 ampères, ou seja, faltarão a este alternador 89,76 ampères, e assim a bateria se descarregará rapidamente.

 

 

 

 

 

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