Transmissão Automática, 09G/TF60-SC com patinação de 3ª para 4ª marcha

07/03/2018

A importância de se realizar um bom diagnóstico antes de abrir a transmissão automática

 

A empresa japonesa AISIN AW CO. LTD. é o fabricante e desenvolvedor da transmissão TF60-SN (nomenclatura do fabricante), que é uma transmissão de 6 velocidades, totalmente automática e controlada eletronicamente.

Os engenheiros da Volkswagen foram também envolvidos, em conjunto com Aisin, no processo de desenvolvimento de seus veículos e eles deram a designação 09G/09M.

 

O 09G/09M é usado em uma ampla variedade de aplicações e tamanhos de motores, como resultado, o número de placas de fricção, proporções planetárias, relações intermediárias e de transmissão final variam dependendo da carga de torque requisitada pelo veículo específico. 

 

Há uma variedade de diferentes configurações de peças, algumas dessas unidades possuem o trocador de calor ligado à transmissão, enquanto outros usam um permutador de calor remoto, isso altera o casco, a capa e o corpo da válvula  e, se forem usadas peças incorretas, ocorrerão falhas graves. 

 

Realizar um bom diagnóstico é muito importante em qualquer manutenção, e em se tratando de transmissão automática é ainda mais necessário, pois um diagnóstico errado irá ocasionar uma grande perda de tempo, e nem sempre a manutenção irá ter sucesso. 

 

Vamos usar como exemplo a transmissão 09G, que é muito famosa pelos seus defeitos no corpo de válvulas e solenoides, fazendo com que os reparadores acabem substituindo no caso de não encontrar nenhum desgaste na parte interna da transmissão, e mesmo após a substituição do corpo, não se tem sucesso com o reparo. 

 

Utilizando o exemplo de um Jetta 2.5 com a transmissão 09G, que apresenta uma patinação na troca de marcha de 3ª para 4ª, a patinação é somente até aplicar o conjunto, após empregada a 4ª marcha não sofre mais patinação.  

 

O mais interessante é que na redução de 5ª para 4ª marcha não temos patinação alguma, o veículo funciona perfeitamente, então vamos tentar entender um pouco mais o funcionamento com a tabela de aplicação de marcha Figura 1. 

 

 

Verificando na tabela, vimos que na 3ª marcha são utilizados os elementos de aplicação embreagem K1 e embreagem K3, quando vai aplicar a 4ª marcha a embreagem K3 desaplica e aplica a embreagem K2, mantendo a embreagem K1 aplicada.

 

Com isso já temos o primeiro diagnóstico: defeito na embreagem K2, pois de 3ª para 4ª é ela que está aplicando e sofrendo a patinação. Após conhecer qual é a embreagem que temos problemas, vamos abrir e substituí-la? Ou vamos continuar os diagnósticos? 

 

Sim!! Vamos continuar os diagnósticos. Antes de abrir a transmissão, vamos realizar inspeções simples como identificação de DTC no TCM e nível do fluido, também verificar a pressão de trabalho da transmissão. Mas, cuidado: a transmissão 09G não possui sensor eletrônico de leitura para a pressão de linha, ao realizar essa leitura é necessário um manômetro. 

 

Sabendo que o nosso defeito é uma patinação de 3ª para 4ª marcha, já identificamos que a embreagem K2 está apresentando problemas, podemos realizar a leitura da pressão de trabalho dela com um manômetro e, com auxílio de material didático, identificamos o parafuso de leitura da pressão da embreagem K2 na parte traseira da transmissão, conforme a Figura 2.

 

Instale o manômetro no parafuso indicado e faça um teste de rodagem, quando a transmissão mudar de 3ª para 4ª marcha, a pressão no circuito de embreagem K2 deve subir para 65-90 PSI; se a pressão não aumentar, procure o problema no corpo da válvula, como uma válvula de aderência ou um solenoide defeituoso.

Se a pressão sobe normalmente, mas a transmissão patina na entrada da 4ª marcha, temos um problema interno no conjunto de aplicação. Após esse segundo teste e diagnóstico, vamos realizar o 3° diagnóstico. 

 

O 3° teste que vamos realizar é o de estanqueidade do pistão da embreagem K2, aplicando ar comprimido controlado pelo duto indicado na Figura 3. No caso do Jetta, não foi identificado nenhum vazamento no teste de aplicação, restando somente as embreagens internas.  

 

Após toda desmontagem da transmissão, não foi encontrado nenhum desgaste em qualquer um dos elementos de aplicação. Na Figura 4 temos uma imagem do conjunto de embreagens da K2 em perfeitas condições e olhando no fundo da carcaça da transmissão 09G Figura 5, vimos uma luva de metal onde é montado o conjunto da K2. 

 

 

Na Figura 6, vimos o canal de alimentação da embreagem K2. Ela tem uma área calibrada para o fluxo de vazão correto na aplicação da embreagem K2. Como a luva é somente prensada, com o tempo de uso ela pode se soltar e girar, o que diminui a área de vazão (Figura 7), que com o auxílio de um espelho, foi feita a inspeção do duto interno. Como a vazão do fluido é menor, o tempo da aplicação também será, atrasando a aplicação da embreagem K2 e gerando patinação. 

 

 Nesse defeito, a embreagem K2 somente patinava na hora da sua aplicação, de 3ª para 4ª marcha, já na redução de 5ª para 4ª marcha, elas se mantinham sem apresentar patinações. 

 

No mercado de reposição de peças você encontra facilmente o kit de reparo para esse defeito, substituindo a luva por uma nova. 

 

Um defeito não muito comum, que pode trazer muita dor de cabeça ao reparador, no caso de não realizar um bom diagnóstico. 

 

 

 

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

  • Facebook Social Icon
DESTAQUE NA REPARAÇÃO

Leia a versão digital de Dezembro da Revista Reparação Automotiva.

10/12/2019

1/3
Please reload

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Please reload