Organização da oficina, o que mudou e as novas necessidades

19/02/2018

 Segundo o consultor, entre outros fatores, a partir dos anos 90, as empresas passaram a realizar diagnósticos e não mais avaliações e orçamentos na base da desmontagem 

 

A reparação automotiva teve momentos distintos de evolução. No início, as empresas eram bem autônomas, o conhecimento era adquirido de forma empírica, por experimentação, e quando o conserto do carro dava certo, o técnico ganhava o rótulo de que era bom. 

 

A partir dos anos 90, relembra José Carlos Alquati, consultor Especialista em Reparação Automotiva, as empresas passaram a realizar diagnósticos e não mais avaliações e orçamentos na base da desmontagem. 

“Elas tiveram que investir em equipamentos e muitas horas em treinamentos. 90% do tempo para treinamentos foram direcionados ao aspecto técnico de aprimoramento profissional e praticamente nada de gestão empresarial”, diz. 

 

E, ainda, “os recursos foram ficando escassos, havia dificuldade de atualizações e aquisição de equipamentos. A oficina tinha um scanner para dez mecânicos, quando o certo era um para cada. Era preciso esperar o colega terminar um diagnóstico para poder utilizá-lo e isso dificultava a produtividade, impactando nos resultados da empresa”. 

 

Novos tempos – “Agora, nós estamos vivendo uma fase em que a oficina não é mais tão autônoma, ela está ligada a conceitos novos, às associações e redes. A ênfase passou a ser a gestão empresarial, de forma que ela conseguiu detectar a necessidade de melhoria de resultados e obtenção de lucratividade. E o Sebrae deu um bom apoio nesse sentido”.

 

Alquati acrescenta que “também nasceram as redes advindas de associação, e algumas empresas distribuidoras se associaram a conceitos internacionais e trouxeram para o Brasil um modelo de rede de relacionamento comercial com suporte de consultoria, assessoria administrativa”. 

 

Escolaridade – Sobre escolaridade, o consultor comenta: “no passado, muitos empresários tinham um nível médio de escolaridade. Com a vinda dos familiares, isso mudou. E há oficinas que têm funcionários com nível superior, pela necessidade de terem um gerenciamento mais profissional para atender o cliente moderno e mais atualizado”. 

 

Organização – E as oficinas mudaram de cara. “Hoje elas têm a recepção com o ambiente para o carro e para o cliente aguardar o atendimento. Elas estão muito mais no padrão das concessionárias que adotaram esse formato de negócio há muitos anos. Há também o que eu chamo de área mista (local de orçamentação e até serviços rápidos) e a área de produção propriamente dita”.

 

Alerta – “Há muitas empresas que têm boa aparência, mas a organização está ruim, têm poucas ferramentas e nem sempre elas estão no lugar certo. E há muitas que estão organizadas nesse sentido, têm os melhores equipamentos e as melhores ferramentas, porém, elas não têm bons técnicos”. 

 

Caminho – Para Alquati, o caminho é a departamentalização. “Os melhores exemplos que eu conheço são de empresas que departamentalizaram a oficina. Elas têm uma administração que cuida do Financeiro, do RH e que está correlacionada a Compras. Um almoxarifado organizado com uma pessoa dedicada a ele, e os itens são requisitados por ordem de serviço. Ferramentas especiais também ficam nesse almoxarifado”. 

 

Além disso, “todas as oficinas devem ter um departamento de compras bem estabilizado para terem sempre a peça certa no momento certo, para o carro não ficar parado na oficina por falta de componente. E hoje o estoque é de peças mais universais, devido à grande especificidade”, acrescenta. 

 

Ferramentas – Sobre a organização das ferramentas, o consultor diz que cada técnico tem que ter as suas ferramentas e ser responsável por elas. “Ele precisa fazer um inventário diariamente, o que o obriga a não esquecer nenhuma dentro de um carro. E não emprestar para um colega que deveria ter a mesma ferramenta para uso”. 

 

Ele também orienta que todas as ferramentas devem ser limpas antes do final do expediente, bem como a contagem das mesmas. “Assim, no dia seguinte ele pode começar a produzir a partir do primeiro minuto de funcionamento da empresa”. 

 

Informatização – Por fim, Alquati comenta que hoje dificilmente há uma oficina que não tenha computador. “Porém, muitas delas não sabem usar o software adequadamente e, por isso, não se aprimoram em termos de controle da empresa. E atualmente há programas simples e bons para oficinas, para a parte de serviços e a parte administrativa, até porque hoje ambas estão coligadas”. 

 

 

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