INFLUENCIADORES DIGITAIS, COMO ELES CONTRIBUEM NO DIA A DIA DOS REPARADORES

19/02/2018

 

As mídias e as ferramentas digitais têm contribuído para disseminar informações e prover a troca de conhecimento.  E no setor de reparação automotiva não tem sido diferente

 

Diretor da Alpha Consultoria, Alexandre Costa, afirma que os recursos digitais não só vão contribuir para a evolução do setor como serão um dos principais pontos de ruptura do segmento. “Isso porque o meio digital permite o compartilhamento de conhecimento em grande velocidade e com grande capilaridade. E isso muda tudo!”, valida.

 

Segundo ele, “em um passado não tão distante, o conhecimento adquirido era repassado presencialmente ou por recursos de áudio e vídeo, que dependiam de corporações e empresas produtoras do conteúdo. Hoje, qualquer um pode produzir seu próprio conteúdo, e compartilhá-lo”. 

 

Conteúdo – Costa comenta que atualmente é grande o número de canais e sites que produzem conteúdo técnico. “Tal temática retém o interesse não só do aplicador, mas também do cliente final, usuário do carro. Esse magnetismo se dá pela grande evolução técnica envolvida, principalmente nos últimos anos, onde novos sistemas foram desenvolvidos”. 

 

Outro ponto, diz ele: “sempre houve muitos mitos nos serviços automotivos que atualmente puderam ser esclarecidos nas redes sociais em todo o País. Mas há outros conteúdos que podem ser explorados. Em nossa empresa de consultoria já temos projetos em andamento para explorar melhor outras temáticas nos recursos digitais”.

 

Recomendação – Para acessar os meios digitais de maior interesse, o diretor recomenda que se faça a ‘a pergunta certa’ à ferramenta de busca. “Lembre-se que hoje todo o conhecimento humano está sendo organizado e disponibilizado na internet. Portanto, terá grande sucesso aquele que souber extrair essas informações da maneira mais eficiente”.

 

Atenção – Na opinião de Costa, a internet pode tanto contribuir para melhorar a operação quanto pode ser um gargalo produtivo em uma oficina. “O mau uso dessa ferramenta, seja pelo momento indevido, seja pelo conteúdo inapropriado, prejudica a produtividade geral da empresa. Acredito que a conscientização é o melhor caminho”. 

 

Tendência – Para ele, não há dúvidas de que a tendência é aumentar a oferta de meios digitais. “Isso é reflexo de uma sociedade mais conectada, e esse comportamento apenas é replicado dentro das oficinas, principalmente pelos técnicos mais jovens. Os smartphones e internet de alta velocidade irão mudar a forma como interagimos com nossos clientes, através do uso de aplicativos, e gerimos nosso negócio de serviços automotivos pelo uso de sistemas mais eficientes e uso de conhecimento compartilhado”. 

 

O Que Nos Move – Inclusive, ele mesmo criou uma plataforma para compartilhar conhecimento. “Há muitos canais de vídeos bem-sucedidos que compartilham dicas sobre manutenção com qualidade, então, pensei em algo diferente e foquei em tecnologia e inovação, esse é o mote do meu canal”.

 

O Que Nos Move foi lançado em dezembro do ano passado e atende desde o técnico que pode entender como funciona melhor os novos sistemas automotivos como os donos de veículos para ficar por dentro do que há de mais moderno no setor. 

 

“O melhor dessa experiência é que, utilizando esse mesmo conceito, novos projetos são estruturados em nossa empresa, já surgiram novas oportunidades de negócios com os meus clientes, e estamos desenvolvendo novas ferramentas no mundo digital”, conclui Costa. 

 

 

 

Willyan Taufner, administrador do grupo Mundo dos Mecânicos no Facebook, conta que ele surgiu nos Estados Unidos pela necessidade de comunicação entre os colegas da reparação e, posteriormente, no Brasil. “Hoje nós temos 345 mil membros que postam assuntos relevantes da reparabilidade”, diz. 

 

E os membros se ajudam quando há dificuldades no conserto de algum veículo, por exemplo. “As pessoas buscam informações técnicas, geralmente quando há um BO (problema) eles colocam as perguntas e as pessoas do grupo interagem. As respostas são praticamente imediatas”.

 

No dia a dia, ele cuida da administração do grupo, das aprovações, e outro grupo se encarrega da entrada e saída de membros. “Não é fácil administrar um grupo desse tamanho”, revela, acrescentando que “o público principal são os reparadores. O segundo seriam os anunciantes de ferramentas e peças”.

Motivo pelo qual foram criados grupos específicos: O Mundo das Ferramentas e O Mundo das Autopeças. E depois foram unificados o Mecânicas Fantásticas e Mecânicas e Reparadores do Brasil. A ideia foi ter grupos específicos e os dois primeiros pertencem à Bastos Juntas”. 

 

As empresas estão procurando por eles para anunciar. “A primeira delas nos deu um equipamento de alinhamento completo em troca de divulgação. “Pois não deixa de ser um grupo de mecânicos que precisa de ferramentas e não deixa de ser uma parceria com os fabricantes”.

 

Em sua opinião, as ferramentas digitais contribuem muito para a evolução do setor. “É muita informação, muitos lançamentos de veículos novos e de tecnologias, e o mundo digital ajuda muito. Tudo que precisamos saber, sempre tem uma opinião de alguém e até fora do País. A maior dificuldade dos reparadores hoje é não ter informações técnicas dos fabricantes”, finaliza. 

 

 

Também no Facebook, o grupo foi adquirido pela Bastos Juntas, em 2016, e é administrado por Edney Maciel Bastos. “Ele foi adquirido devido ao número de participantes com o intuito de chegarmos diretamente, mais facilmente ao reparador. É um marketing de dentro para fora. Uma coisa é colocar uma propaganda na loja de autopeças. Outra é estar no dia a dia do mecânico com a marca de um produto”. 

 

 

Atualmente com 240 mil seguidores, Edney conta que o grupo foi crescendo gradualmente. “Até porque é muito importante a moderação, pois tem muitos que não têm a ver com o ramo de autopeças e querem divulgar seus serviços e produtos. A moderação é um filtro para focar apenas em conteúdo do ramo”. 

 

No grupo, o assunto abordado é o dia a dia das oficinas. “Como algo engraçado que aconteceu, as engenhocas, as soluções dos reparadores no conserto de veículos e dicas bem complexas que os mecânicos ou sabem resolver e postam, ou, principalmente, postam dúvidas e automaticamente elas são respondidas”.

 

E o universo extrapola o território nacional. “O grupo também tem muita força em Angola, Portugal, países de língua portuguesa. 4% dos membros são de outras nações e, no geral, as principais demandas são por informações técnicas de aplicação”. 

 

Para ele, o mundo digital chegou para ficar. “Eu acredito bastante que ele contribui para a evolução do setor. É bem comum nas oficinas os grupos de WhatsApp para esclarecimento de dúvidas, como os próprios grupos no Facebook. Acho que o que falta é unificar esses grupos, pois o assunto é eminente a todos da reparação automotiva”.  

 

Em 2008, Marcelo Tonella criou o seu canal no YouTube. “Foi por uma oportunidade em compartilhar experiências, informações técnicas e procedimentos que em minha adolescência eu tive muita dificuldade de encontrar. Como entusiasta em mecânica, sempre senti falta de boa informação técnica, livros ou revistas eram raros nos anos 80 com conteúdo técnico relevante”. 

 

Os primeiros vídeos eram relacionados à regulagem básica dos motores Volkswagen refrigerados a ar. “Gravamos os vídeos imaginando que seriam exatamente a forma que eu gostaria de ter encontrado essas informações há dez ou quinze anos, com bom nível técnico, sem ocultar nenhum detalhe, e mantendo sempre a mecânica como tema central dos vídeos”.

 

A partir de três séries, o público passou a interagir, o que direcionou Tonella à geração de conteúdo. “O retorno do público é o principal formatador do nosso conteúdo. E paralelamente à mecânica, eu pude fazer uma série bastante amadora, onde pintava uma peça de lataria de um fusca, explicando o uso dos materiais, a sequência e apresentando o resultado”. 

 

Série que rendeu um feedback incrível. “Diversas pessoas relataram que se encorajaram e montaram uma pequena oficina, que passou a ser a sua fonte de renda. Isso me fez perceber a grande responsabilidade que tínhamos na geração de conteúdo. Mais do que compartilhar uma experiência pessoal ou informação, estávamos disponibilizando um material de grande relevância, confiável, que incentivava as pessoas a acreditarem em seu potencial”. 

 

Atualmente, o canal tem 275 mil seguidores. “Um número que nos impressiona, uma vez que o conteúdo dos vídeos é técnico, muitos são longos (mais de uma hora). E o público principal é formado por pessoas que buscam informações técnicas, seja como hobby ou mesmo profissionalmente. Temos alguns relatos de que nossos vídeos são usados em algumas aulas como complemento da matéria abordada, o que nos deixa lisonjeados”. 

 

Segundo ele, as mídias sociais já revolucionaram a forma da informação ser divulgada. “Em um primeiro momento explorada por pessoas comuns, elas passaram a ser exploradas por empresas, o que eleva a qualidade da informação para outro patamar”. 

 

Por outro lado, ele cita que as empresas têm como desafios falar a linguagem do público e saber selecionar a fonte de informação. “Exatamente para que uma informação errada não se torne verdadeira, o que hoje em dia, infelizmente, é comum”, conclui. 

 

De um canal no YouTube para o modelo de franquia, o empresário Alexandre Dias Generoso conta que o programa Por Dentro da Oficina, no canal High Torque, nasceu como uma forma de mostrar para os seus clientes o que tinha sido feito de reparo no veículo.

 

“O modelo caiu nas graças do público e outras pessoas que não eram clientes começaram a acessar os vídeos”, diz. Atualmente, o canal tem, em média, 2 milhões de visualizações por mês e quase 550 mil inscritos.

 

O público é o reparador que busca informações técnicas e o cliente para aprender um pouco mais sobre o que é feito no veículo dele. “A principal demanda dos reparadores é por procedimentos. A maioria deles tem dificuldades de acesso às informações técnicas e tendo tudo mastigado é mais fácil”. 

 

E isso gera uma demanda que mapeia o empresário na criação de novos vídeos. “Até porque onde há deficiência de algo e você tem a oferecer, isso lhe dá um destaque maior”. 

 

Para ele, a comunicação online estará cada vez mais presente no dia a dia das pessoas. “Existe um momento antes e um depois da internet. A dificuldade de acesso à informação era muito maior, hoje ficou mais fácil, os mecânicos compartilham informações entre si, não só Facebook e YouTube, como o próprio WhatsApp tem grupos para esta finalidade. Essa cultura de auxílio mútuo vem ajudando muito o setor e o reparador também tem acesso às peças, graças ao comércio eletrônico”.

 

 

 

 A equipe de profissionais da revista Reparação Automotiva trabalha cada vez mais para levar a você, amigo reparador, um conteúdo que o ajude no seu dia a dia. Aliás, você pode ter acesso às informações, além da revista impressa, através do facebook e canal no Youtube da publicação. Se ainda não é seguidor da Reparação Automotiva no Facebook, curta a página... já no Youtube, inscreva-se e fique por dentro das últimas novidades do setor e também de procedimentos técnicos e avaliações, respectivamente.

 

 

 

 

 

Com mais de 100 vídeos postados no YouTube, Ricardo Chiarato conta que tudo começou por iniciativa de seu pai, Décio Chiarato, de 70 anos de idade. “Ele acompanha muito as mídias sociais e percebendo que muitas informações estavam erradas, decidiu tomar uma atitude, tanto que os três primeiros vídeos foram feitos por ele e, depois, eu dei sequência”.

 

E experiência não falta. A DR Auto Mecânica tem mais de 50 anos, começou especializada em carburador e Chiarato se especializou em mecânica. “E os vídeos contêm dicas de manutenção, em alguns, os veículos estão com os componentes à mostra, como por exemplo, com o motor sem o cabeçote”, diz.

 

Apesar do pouco tempo no ar, os vídeos começaram a ser postados após a Automec'17. “Os vídeos chamam muitos clientes, e vem gente de longe aqui. Não tínhamos ideia do alcance da internet, e já estamos abrindo outra oficina aqui do lado”, finaliza. 

 

 

 

A Doutor-ie surgiu em 1997 para atender a enorme demanda por treinamentos em eletrônica embarcada. “No começo, ministrávamos treinamentos itinerantes, principalmente nos estados de Santa Catariana, Paraná, São Paulo e Rio Grande do Sul”, recorda-se Valter Ravagnani, diretor.

 

Para cada treinamento era feita uma pesquisa e desenvolvido um manual técnico específico com ilustrações, diagramas, testes, etc. “Os alunos também contavam com suporte técnico pós-treinamento e após alguns anos nós já tínhamos centenas de manuais técnicos desenvolvidos e prestávamos suporte a milhares de alunos”. 

 

Nesse cenário, surgiu a Enciclopédia Doutor-ie. “Inicialmente, era um sistema de assinatura em CD-ROM que englobava todos os manuais desenvolvidos e oferecia suporte técnico aos assinantes. O CD-ROM evoluiu para uma plataforma online com atualizações diárias e suporte técnico ao vivo em horário comercial”.

 

Hoje essa plataforma abrange mais de 25.000 manuais; a Enciclopédia Doutor-ie Online. “Ela tem 4 versões básicas: Car, Suv, Truck e Motos, que contêm assuntos relacionados a manutenções periódicas e relacionados a diagnóstico de falhas”, especifica. 

 

A assinatura pode ser feita para trabalhar somente com veículos Ciclo Otto (Car) ou caminhonetes e utilitários a diesel (SUV) ou caminhões e ônibus (Truck) ou motocicletas (Motos). Também pode assinar combinações dessas versões: Car+SUV, SUV+Truck, etc. “A assinatura é anual e todas as versões contam com suporte técnico ao vivo via chat ou telefone e atualizações online diárias”. 

 

Segundo Ravagnani, “atualmente, nós atendemos mais de 95% da frota de todas as montadoras comercializadas no País. Quem assina a versão Car, por exemplo, tem acesso a todas as montadoras, veículos, atualizações e assuntos relacionados aos veículos Ciclo Otto e assim por diante”.

 

Para finalizar, Ravagnani comenta a importância das ferramentas digitais. “Certamente nos próximos cinco anos, os veículos sofrerão mais mudanças do que nos últimos vinte: híbridos, plug-ins, elétricos, autônomos, etc. Ferramentas conectadas à internet e com atualização em tempo real serão fundamentais no dia a dia dos reparadores”. 

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