OSCILOSCÓPIO AUTOMOTIVO, O FUTURO JÁ CHEGOU!

12/01/2018

Aprenda as funcionalidades deste equipamento e saiba como utilizá-lo para um correto diagnóstico

 

Há mais ou menos sete anos, um grande amigo, Paulo Jovino, chegou apresentando algumas imagens de um diagnóstico de motor com uma ferramenta que até pouco tempo era destinada aos técnicos em eletrônica, em reparos de TV, som, aparelhos industriais, etc. 

 

Então, através de um grupo de amigos que se comunicavam através de Skype, MSN e, por fim, um fórum de debates, postávamos dúvidas, ajudávamos uns aos outros. Hoje com o WhatsApp a comunicação é mais rápida e este grupo continua difundindo o avanço da tecnologia automotiva e como solucionar os problemas. 

 

Esse grupo tem mais de 100 participantes espalhados por este País de Norte a Sul. Mas, a que esta história nos remete? Nos leva a ver que o futuro já chegou! Os carros atuais chegam com muita eletrônica embarcada e novos recursos, e a cada dia mais é preciso o reparador automotivo estar atento não só mais à caixa de ferramentas, um multímetro, caneta de polaridade e um scanner, mas hoje é preciso conhecer e saber interpretar os sinais elétricos emitidos por sensores, atuadores e ferramentas de diagnóstico.

 

OSCILOSCÓPIO – É um instrumento de medições de sinais elétricos e eletrônicos, onde analisamos em dois eixos X e Y a relação de tempo e intensidade deste sinal. Cada componente a ser analisado tem uma forma de onda, um parâmetro a ser ajustado para uma análise perfeita.  

 

O que utilizamos é o novo Raven 3, um Scanner com Osciloscópio de 3 canais integrado, onde podemos medir três componentes que sua relação de funcionamento seja necessária para um diagnóstico correto. Exemplo: Para um teste de sincronismo utilizaremos dois canais analisando o sensor de fase e o sensor de rotação, que se encontram em perfeito sincronismo. Como a imagem abaixo indica, realizamos a análise do sincronismo de um motor diesel IVECO Cursor 9. Neste teste o funcionamento está perfeito.

 

Apresento aqui alguns dos recursos que se tem na utilização do Osciloscópio, mas são infinitos os testes e diagnósticos que podemos realizar. Mas antes de darmos sequência precisamos esclarecer o porquê de sua aplicação nos veículos atuais.

 

Porque temos veículos com a empregabilidade altíssima de eletrônica embarcada. Hoje o carro conversa entre seus módulos de controle, os sinais de transmissão são gerenciados conforme o toque no acelerador, o pisar do freio, todas as unidades ligadas entre si, um sistema de rede de comunicações, conhecido como REDE CAN BUS.

 

DIAGNÓSTICO - O diagnóstico do veículo hoje é como o diagnóstico médico, trabalha-se sobre imagens, buscando enxergar aquilo que está oculto ao sistema convencional de se realizar um reparo. Um dos sistemas que se faz necessária a aplicação do osciloscópio é o sistema de ignição. 

 

O que muitas vezes foi simples reparar, trocando-se um jogo de velas, cabos e ignição, uma tampa de distribuidor, etc. Hoje sua interferência nos sistemas eletrônicos pode causar uma falha não só de funcionamento, mas também de outros sistemas, como: freios ABS, sistema de transmissão, sistemas de navegação, etc.

 

Um sistema de ignição tem sua forma de onda, uma relação de tempo e tensão que deve estar em ordem. Nas imagens abaixo temos gráficos de funcionamento do sistema de ignição:

 

1. CONTROLE – Armazenamento de energia: Durante o fornecimento de corrente à bobina, é armazenada energia no campo magnético. Com a alimentação ligada, a bobina é carregada (o circuito primário está fechado, o circuito secundário está aberto). Num ponto de ignição especificado, a corrente é interrompida. 

 

2. CORRENTE PRIMÁRIA – Acima vemos a tensão induzida: Cada alteração de corrente numa indutância (bobina) induz (cria) uma tensão. É acumulada alta tensão secundária.

 

 

3. TENSÃO SECUNDÁRIA – Alta tensão: Como acontece num transformador, a tensão alcançável é proporcional à relação de enrolamento primário/secundário. A formação de faísca ocorre quando a tensão da ignição tiver sido atingida (“breakthrough”).

 

4. CORRENTE SECUNDÁRIA – Faísca de ignição: Após a formação de faíscas na vela de ignição, a energia acumulada é descarregada no canal de faísca (o circuito primário está aberto, o circuito secundário está fechado). E sem osciloscópio não há como enxergar estes sinais, que se apresentam em formas de ondas. Mas, para conseguir enxergar estes sinais é preciso saber ajustar os controles do osciloscópio. Vamos ver o que ajustamos:

 

a. TRIGGER – O Trigger é para se medir o disparo, início e fim de uma onda, onde o reparador define o que deseja observar do sinal medido.

 


b. TEMPO - O reparador analisa o tempo de um sinal para verificar se o resultado encontrado está dentro dos parâmetros estabelecidos para aquele componente. Exemplo: Quando analisamos a imagem de sincronismo do Motor IVECO. O sinal na parte superior é de rotação onde contamos a volta da roda fônica de 60 dentes -2 da falha e o sinal inferior é a fase, também transmitida por uma fônica com espaçamentos diferentes marcando a fase de cada cilindro, conforme a rotação do eixo virabrequim. 

 

 

c. ACOPLAMENTO – Deve se ter atenção ao que se mede, pois temos acoplamentos CC-Corrente contínua e AC- Corrente Alternada, a seleção errada pode danificar o equipamento, bem como apresentar um diagnóstico errado. 

 

 

 

d. ESCALA – Com relação à escala, nós ajustamos a base de tempo, que devemos dar atenção, pois em uma base fora do parâmetro apresentamos um diagnóstico falho. Aqui deixamos apenas uma introdução do que está chegando como novidade para o reparador automotivo. Os avanços são imensos e a cada dia o reparador precisa entender que o aperfeiçoamento e a busca de conhecimento se fazem tão urgentes quanto à compra de equipamentos novos e modernos. Para um diagnóstico preciso, é necessário ter conhecimento técnico, equipamentos de ponta como o Raven 3, e biblioteca técnica para a correta manutenção.

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