Mercado e reparadores ao longo dos anos passam por constante evolução

14/12/2017

 

Tecnologia cada vez mais presente nos veículos não assusta os empresários do setor. O que falta é informação 

 

Desde o advento da injeção eletrônica os veículos têm passado por uma evolução tecnológica sem precedentes, e muito mais está por vir com os híbridos e os autônomos, que em um futuro breve chegarão às oficinas. Para os empresários do setor, o maior desafio continua sendo o acesso às informações, mas a novidades não assustam.

 

Alexandre Santos Muller (foto), coordenador de Atividades Técnicas da Escola SENAI Conde José Vicente Azevedo, localizada no Ipiranga, em São Paulo (SP), avalia que “as principais evoluções/inovações tecnológicas foram desenvolvidas visando resolver as preocupações com eficiência energética, relacionadas ao conjunto motriz do veículo, e nas questões relacionadas à conectividade, segurança e conforto do usuário do automóvel”.

 

Segundo ele, “é crescente a incorporação de motores de combustão cada vez mais eficazes equipados com sistemas de injeção direta de combustível, sistemas start/stop, conceito Downsizing aplicados nos motores, transmissões automáticas e automatizadas e sistemas híbridos de propulsão”. 

Aprimoramento

 

E a principal mudança foi a necessidade de aprimoramento nas técnicas e equipamentos de diagnóstico em que a inter-relação entre os sistemas ganha uma maior importância. “Embora os sistemas tenham ganhado maior complexidade, com conhecimento e as ferramentas adequadas a etapa de diagnóstico se tornou mais assertiva”, pondera Muller.

 

Muller prevê que a reparabilidade em um futuro breve deve se tornar mais complexa em função dos incrementos tecnológicos que exigirão mais conhecimento e habilidade por parte do reparador. “E o SENAI/SP tem investido na atualização tecnológica da escola em conjunto com as empresas parceiras, tanto na questão dos recursos didáticos, infraestrutura bem como na atualização dos instrutores”.

 

Atualmente na escola, as principais demandas estão relacionadas aos sistemas de veículos equipados com injeção direta de combustível, transmissões automáticas e automatizadas e de conforto e conveniência. “E o setor vem demostrando cada vez mais interesse em buscar aperfeiçoamento por meio de cursos, palestras, seminários e feiras, a fim de acompanhar as constantes evoluções tecnológicas”, conclui Muller. 

 

O QUE MUDOU

 

Confira a seguir, o que mais mudou nos últimos anos em termos de tecnologia veicular e como as oficinas independentes e os centros automotivos estão se preparando para atender as novas demandas, na avaliação de quem está na linha de frente da reparação automotiva, de Norte a Sul do País. 

 

“O que melhorou muito foi a parte de eletrônica. Há muita tecnologia para a gente trabalhar e gerenciar melhor o carro, como melhorou a dirigibilidade para o dono do veículo. A vinda dos carros mais conectados pode ser um negócio bom ou não para nós, dependendo se teremos acesso à informação”, diz Sergio Marques de Deus, da Servcar, de São Paulo (SP).

 

Segundo ele, “a mudança que sentimos bastante foi dos veículos carburados para os de injeção eletrônica. De lá para cá, foi preciso nos adaptarmos às novas tecnologias e os equipamentos nos ajudam bastante. As oficinas têm que ter equipamentos de ponta para fazerem os diagnósticos”.

 

Aperfeiçoamento - Marques comenta que há muita carência de cursos e treinamentos. “Se para nós que estamos em São Paulo existe essa deficiência, imagina para quem está em regiões mais distantes. E não apenas por parte dos fabricantes de autopeças, mas as montadoras deveriam ter uma linha direta com a gente, pois somos nós que respondemos por grande parte da reparabilidade”.

 

Aldo Ivo de Castro, da Auto Mecânica Curitiba, localizada em Curitiba (PR), também faz uma avaliação similar. “A injeção eletrônica foi a principal inovação nos últimos anos, nós tivemos que fazer cursos para nos atualizarmos e ter equipamentos adequados para trabalharmos. E, para isso, as empresas parceiras nos fornecem bastante informações”. 

 

Por outro lado, ele lamenta que “dificilmente as fábricas oferecem treinamentos, pois acham que as oficinas independentes são concorrentes das concessionárias.  Assim, somos nós que temos que ir atrás das informações”. 

 

ACOMPANHAMENTO

 

Paulo Gilmar Boff, da Valência Centro Automotivo, em Porto Alegre (RS), conta que “foi a partir do sistema de injeção eletrônica que os veículos foram evoluindo tecnologicamente até os dias atuais com o sistema de injeção direta. Tudo isso exigiu bastante preparo, conhecimento técnico do reparador e, quem não conseguiu acompanhar, ficou para trás”. 

 

 

De acordo com ele, há iniciativas de treinamentos que têm ajudado bastante. “Como a Volkswagen que oferece cursos na concessionária, um vídeo-aula direto da fábrica. E todo o treinamento do próprio fabricante é bem-vindo, pois se tivermos o conhecimento do funcionamento, fica fácil de fazer o reparo”. 

 

E sobre o veículo do futuro, ele prevê que “nos softwares o mecânico nunca conseguirá mexer. A função dele será sempre a de fazer a análise, o diagnóstico, sabendo como funciona o sistema. E cada vez mais utilizando equipamentos, o que já é indispensável há muito tempo”. 

 

Meio ambiente - No relacionamento com as concessionárias, Werique Farias da Silva, da Centro Oeste Peças e Serviços, localizada em Brasília (DF), diz que houve uma melhora significativa. “Elas melhoraram o canal de informações sobre peças, mas a parte de treinamento deixa a desejar. Quando um novo veículo é lançado deveria haver um programa de divulgação de seus componentes e novidades, sobre o que precisaremos nos especializar para trabalhar nele”. 

 

Em sua opinião, a principal evolução veicular foi a preocupação com o meio ambiente. “Foram feitos vários ajustes nos veículos para diminuir os impactos das emissões de gases. E o segundo ponto foi a busca constante por economia e eficiência. Nós, como reparadores, estamos meio perdidos, a tecnologia está cada vez mais presente nos veículos e o acesso às informações das montadoras e das fábricas ainda é uma dificuldade”. 

Vertentes 

 

 

 

 

Na Mecânica Moura Imports, em Goiânia (GO), Walter Moura Júnior, fala sobre duas vertentes quando o assunto é evolução veicular: funilaria e pintura, e mecânica. “A tendência dos veículos é ter estrutura de alumínio, em muitos já presente no capô e nos para-lamas. A recuperação dessas peças é totalmente diferente das de lata, os funileiros são treinados e preparados para trabalhar com o convencional, nós estamos tendo que reaprender a fazer a reparação”. 

 

Na parte de mecânica, diz ele: “não dá mais para ter uma oficina convencional se não houver alguém treinado e com um scanner. Às vezes é necessário reprogramar o carro por causa de uma simples desmontagem. Além disso, os veículos elétricos e autônomos já são uma realidade e isso também vai mudar muito a reparabilidade”, prevê.

 

No Nordeste, André Luiz Reis, da Oficina Autenticar, localizada em Recife (PE), comenta que o que mais evoluiu nos veículos foi a parte de eletrônica, a injeção eletrônica e os novos equipamentos que foram necessários nas oficinas. “Os equipamentos ajudam bastante e nós procuramos bastante informações pela internet”.

Segundo ele, “em comparação com anos anteriores, há poucos treinamentos. E o que mais precisamos é de treinamentos em relação aos sistemas eletrônicos”. Situação similar apresentada por Tiago Pereira de Melo, da Oficina O Damião, em Fortaleza (CE). “Às vezes, uma distribuidora promove juntamente com a fábrica alguns treinamentos. Porém, geralmente, eles são muito mais voltados a produtos, quando o que precisamos é de treinamentos sobre o contexto da tecnologia dos carros”, afirma.

 

MUDANÇA

 

 Do ponto de vista da evolução, Melo destaca também o sistema de injeção eletrônica e a tecnologia cada vez mais embarcada nos veículos. “E para nos atualizarmos, fazemos treinamentos e principalmente os equipamentos são fundamentais para se ter um diagnóstico preciso. Acredito que com o tempo nós teremos mais acesso às informações”, prevê.

 

Questionado sobre os veículos cada vez mais conectados, ele comenta que isso não assusta. “É o mesmo que antigamente, quando lançaram a injeção eletrônica e todo mundo ficou apreensivo. No decorrer do tempo, as informações foram chegando e as oficinas foram se adaptando”. 

 

ACESSO

 

Para o empresário Ataliba Raimundo Batista da Silva, da Ataliba Mecânica Técnica, de Manaus (AM), as fábricas deveriam ficar mais atentas às necessidades das oficinas. “Hoje o desafio é ter acesso às informações. Diretamente das indústrias há uma carência muito grande, e o que temos é a internet e a mídia especializadas”.

 

Segundo ele, “a cada dia os veículos têm mais tecnologia, a comunicação é feita pela rede CAN (sistema de transmissão de dados em rede entre os módulos de controles veiculares), e a tendência é acompanharmos tudo isso, até por fazermos parte da rede Bosch. Os carros elétricos e híbridos são uma coisa para nos preocuparmos, vai demorar um pouco para chegarem às oficinas, mas eles já são uma realidade”.

Em Belém (PA), Janaína Valente, da Oficina Tamandaré, avalia que os veículos mais conectados mudarão toda a reparabilidade. “Nós temos muita carência de treinamentos. A internet é uma ferramenta que ajuda muito, mas nem sempre encontramos as informações que queremos”. 

 

Para ela, não há dúvidas que os veículos evoluíram bastante nos últimos anos. “Tanto que para fazermos um diagnóstico o painel de instrumentos do carro tem “n” indicações sobre o que é preciso saber. É necessário ter um scanner para que o diagnóstico seja feito e as oficinas precisam se atualizar em relação a isso. Antes, uma limpeza no carburador regulava o carro. Hoje, quem não tiver conhecimento e equipamento não consegue trabalhar”. 

 

 

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