OBJETIVOS EM COMUM, EMPRESÁRIOS SE UNEM POR MAIS CONHECIMENTO

25/08/2017

Outrora concorrentes, hoje formam parcerias, indicam clientes e executam serviços em suas diversas especializações 

 

 

Ao longo dos anos, grupos, núcleos e associações de oficinas mecânicas foram formados. Para muitos, o motivo inicial era a vinda da injeção eletrônica, que revolucionou a reparabilidade, e havia uma carência muito grande de informações. Atualmente, os motivos são outros e a união se mantém. 

“No começo, os participantes se consideravam concorrentes e existia uma cautela nas discussões. Hoje formam parcerias, inclusive, indicando clientes e executando serviços em suas diversas especializações, diz Paulo Albanez (foto ao lado), coordenador estadual de Reparação Veicular e Comércio de Autopeças do Sebrae-SP. 

Os primeiros grupos de oficinas no Sebrae-SP foram formados em 2014, com a participação de 64 empresários, hoje são 480 e a meta é chegar a 1.000, em 2018, além de mais de 20 mil atendimentos para o setor automotivo no Sebrae-SP. “E a ação mais atual dos grupos é a formação do clube de compras, o que vai permitir uma grande economia nas aquisições dos grupos”, destaca. 

Entre outras atividades, ele explica que “o objetivo é colaborar no sentido de ampliar e proporcionar uma nova visão dos empresários no relacionamento, informações que gerem maior participação entre eles e ampliação dos negócios”. Confira a seguir cases de grupos bem-sucedidos. 

 

NEA/ARVESC, NÚCLEO ESTADUAL DE AUTOMECÂNICAS/ ASSOCIAÇÃO DE REPARADORES VEiCULARES DE SANTA CATARINA

A partir do projeto Empreender da Alemanha, implementado em Santa Catarina no início de 1990, surgiram os primeiros núcleos de automecânicas. Unidos, foi criado o NEA, em 1998, a partir de três núcleos (Blumenau, Brusque e Joinville), que logo se proliferaram pelo estado catarinense. Hoje, são 360 oficinas associadas.  

“A formação do núcleo tinha como objetivo a união das oficinas e em como elas poderiam evoluir e se profissionalizar. À época, o trabalho nas oficinas era muito artesanal”, recorda-se o coordenador do NEA/Arvesc, Roberto Turatti (Billy).

Hoje os tempos são outros e os anseios do grupo também. “Eu diria que os três principais são o desenvolvimento técnico, o gerencial e a gestão de clientes. Um tripé, pois nós temos que cuidar da parte técnica, dos resultados da oficina e da parte de clientes”, especifica.

Outro foco do NEA/Arvesc está na parte ambiental. “Nós temos um cuidado grande com a questão do meio ambiente e temos alguns quesitos que exigimos por parte das oficinas, dependendo da sua metragem, a licença ambiental ou a conformidade ambiental”, explica. 

 

 

NAC, Núcleo de Auto Mecânicas da Cuesta 

Criado em Botucatu (SP), em 2011, e formalizado como uma associação, quatro anos depois, o NAC nasceu com a missão de promover e desenvolver de forma sustentável a reparação automotiva e, desde o início, conta com dez membros. 

“O objetivo do NAC é ajudar as empresas do setor de reparação automotiva na formalização, capacitação, segurança no trabalho, descarte correto dos resíduos e gestão empresarial”, informa Silvana Figueiredo, presidente do NAC.

Para ela, para alcançar este objetivo, o grupo conta com o apoio do Sebrae, Senai, Prefeitura e outras lideranças dentro e fora do estado de São Paulo. “E estamos para iniciar as negociações com fabricantes e distribuidores para compras em conjunto”, conclui. 

 

 

ARVAR, Associação dos Reparadores de Veículos de Araraquara e região

Em 1995 nasceu a Arvar, que chegou a ter 150 associados e hoje são 50 que contribuem mensalmente para a entidade. “À época, reunimos um grupo de empresários de oficinas e víamos que estávamos à mercê, não tinha quem brigasse pela classe, foi assim que surgiu a ideia da associação”, diz Antonio Donizete dos Santos (Zete), presidente e um dos fundadores.

Para Zete, uma das principais conquistas da entidade foi ter um local próprio para se reunirem. “Nós temos um salão próprio que foi cedido pelo município de Araraquara (SP), com capacidade para 150 pessoas, em um prédio bem localizado na entrada da cidade”.

Mas ele também destaca outras conquistas. “Foram muitas nesses mais de 20 anos, como as parcerias com fabricantes e distribuidoras para a realização de treinamentos e os convênios, como os planos de saúde para os associados”.  

 

 

 

Grupo de Oficinas de Jundiaí

Ramificação da Apor, Associação dos Proprietários de Oficinas de Reparação, que sobreviveu até 2015, o Grupo de Oficinas de Jundiaí reúne vinte empresários da reparação de Jundiaí e região, e começou com o objetivo de atrair as indústrias para obter informações técnicas. 

“É muito mais fácil um grupo de vinte pedir um treinamento do que isoladamente, e, pelo menos uma vez por mês, nós realizamos treinamentos, sempre com a participação de um fabricante ou de uma empresa especializada”, informa o gestor do grupo, Sérgio Ricardo Ferreira dos Santos.

Hoje a demanda principal é na parte de gestão. “As oficinas carecem muito de informações nesta área. Uma oficina é uma empresa, muitos conhecem bem a parte operacional e técnica, mas nem sempre a de gestão, o que elas podem terceirizar ou ter uma pessoa com experiência no estabelecimento. E o Sebrae já me procurou para oferecer um treinamento para o grupo”.  

 

AESA-SP, Associação das Empresas de Serviços Automotivos do Estado de São Paulo

A Aesa-SP foi fundada em 2003, inicialmente como um grupo de dezoito oficinas, hoje são oitenta empresas. O objetivo é unir a classe, transmitir conhecimentos e proporcionar melhores condições técnicas, administrativas e sociais aos associados. Atualmente, ela realiza reuniões mensais, cursos e palestras.

Entre as principais ações, Max Filipe Pavesi, secretário da Aesa-SP, destaca o ferramental, “contamos com um estoque de ferramentas as quais emprestamos aos nossos associados”. E a disponibilidade de manuais e catálogos. “Nós temos um acervo de manuais, CDs e DVDs para os associados, seja para consultar alguma dúvida ou até mesmo para estudar em casa”, afirma.

E, ainda, “contamos com os mais atuais sistemas de informações técnicas que englobam a maioria das montadoras. E sempre oferecemos cursos de alta qualidade com instrutores experientes, cursos práticos que facilitam o aprendizado”.

 

 

Grupo G6 Pneus e Serviços

Criado em 2003 com seis lojas participantes, atualmente com treze, o grupo surgiu em São Paulo (SP) para unir forças e vencer dificuldades, inclusive administrativas, a fim de oferecer aos seus clientes qualidade, bons preços e experiência no segmento de serviços automotivos.

Em conjunto, diz Mauricio Fabio, administrativo do G6, “nós fazemos negociações e compras, treinamentos, marketing, uniformes para funcionários, troca de conhecimentos técnicos, comerciais e de ideias sobre o mercado, parcerias com fornecedores, convênios com algumas seguradoras para conceder descontos a seus segurados, entre outros”, menciona. 

O grupo se reúne todas as terças-feiras ou quando necessário. E uma das principais conquistas, diz Fabio, “foi a consolidação de um grupo e de ideais de trabalho que adquiriram credibilidade e confiança de seus clientes, fornecedores e colaboradores”. 

 

G15, Grupo dos Quinze

A eletrônica embarcada foi o que impulsionou a criação do G15, em São Paulo (SP), em 1994, época em que a injeção eletrônica marcava o fim dos carburadores. “Era tudo novidade. Muitos participaram de cursos, treinamentos e eventos. Nesses encontros, alguns criaram afinidades e decidiram montar o grupo”, recorda-se Cesar Samos, membro e ex-coordenador do G15. 

Hoje, o ponto alto é o intercâmbio técnico, o que envolve várias ações. “Entre elas, todo mundo se ajuda quando um carro na oficina tem um problema, e se alguém consegue uma informação, ela é divulgada para o grupo”, cita. 

Agora, diz ele, “nós estamos vivendo uma segunda revolução, o carro trabalha internamente com redes de comunicação e o desafio é o diagnóstico dos novos sistemas. Já estamos correndo atrás de informações e de novos equipamentos”, antecipa. 

O nome G15 surgiu pelo ideal de que fossem quinze membros. Começou com doze, chegou a dezesseis, e hoje são treze, sendo que mais da metade dos que formaram o grupo permanecem. “Em comum, todos têm o mesmo perfil técnico, padrão de trabalho similar e a mesma vontade de fazer tudo direito”, revela. 

 

GTA, Grupo Técnico Automotivo

A eletrônica embarcada também motivou a criação do GTA, em 1995, com dezesseis membros. Hoje são catorze. “Foi por uma iniciativa do Sindirepa-SP que à época reuniu oficinas referenciadas, ligadas às sistemistas. Unir-se em grupos permitia que as informações fluíssem entre eles, para que tivessem acesso às novas tecnologias”, conta Sandro Banderali, um dos fundadores do GTA.

 Da troca de informações técnicas e de conhecimento, o grupo partiu para a compra em conjunto de peças e equipamentos, como, por exemplo, de scanners. “Alguns tipos de veículos não têm tanta demanda na oficina, o que não justifica a compra do equipamento. A solução mais inteligente é a compra em grupo, rateando o custo e emprestando-o um para o outro”, explica. 

E mais recentemente para a capacitação. “Em um primeiro momento, o grupo foi formado por uma dificuldade técnica. Em um segundo, veio a questão da profissionalização, a importância da gestão eficiente, como a criação de métricas para quantificar resultados. Eu diria que esta fase foi mais importante que a primeira fase”, avalia. 

 

ROMAT, Rede de Oficinas MecânicaS do Alto Tietê

Após uma palestra na apresentação do Projeto Aprender Empreender Unir para Crescer, a Romat foi criada em 2001, com o intuito de se fortalecer como grupo praticando o associativismo entre os integrantes. Inicialmente com catorze oficinas, atualmente são sete, das cidades de Ferraz de Vasconcelos, Poá, Itaquaquecetuba e Mogi das Cruzes, todas de São Paulo. 

Francisco Severiano Alves (Chiquinho), coordenador da Romat, conta que entre as principais ações do grupo, que se reúne todas as segundas-feiras, estão as palestras e os check-ups. “Que são realizados de forma solidária com arrecadações de alimentos para doações a entidades locais”, informa.

E da união das oficinas, Chiquinho ressalta que uma das principais conquistas foi a melhoria na parte de conhecimentos administrativos com o apoio do Sebrae e, Senai. “As oficinas do grupo são acompanhadas por consultores do Sebrae”, acrescenta. O grupo também realiza compras coletivas, como por exemplo, de elevadores, óleo de motor e de algumas peças.

 

NEOM GBA – Núcleo Empresarial de Oficinas Mecânicas de Guarabira

Em 2010 nasceu o NEOM GBA, uma parceria do Sebrae-PB, Associação Comercial e projeto Empreender. Hoje, o núcleo reúne entre 16 e 20 empresários que tinham como objetivo o fortalecimento do segmento com ações coletivas, como participações em feiras, cursos, palestras, parcerias entre si, consultorias e ações de Marketing.   

Nesses 17 anos, Jacy Viana de Andrade Leobino, gerente da Agência Regional do Sebrae de Guariba (PB), cita algumas das principais conquistas: “Foram diversas capacitações técnicas e gerenciais ofertadas por Sebrae e Senai, participação nas maiores feiras do segmento no Brasil, consultoria coletiva do Programa 5S e para a construção do Plano de Gerenciamento de Resíduos”. 

Segundo ela, “o núcleo foi reconhecido em nível estadual pelo excelente trabalho, e o objetivo é preparar as empresas para que elas sejam sempre competitivas e estruturadas em redes. Além de tornar a região conhecida como um polo automotivo”, finaliza.

 

 

Núcleo dos Reparadores Automotivos de Gurupi

A alta inadimplência do setor e a necessidade de capacitações técnicas foram os principais motivos para a criação do Núcleo dos Reparadores Automotivos de Gurupi (TO), em 2006, que atualmente conta com 25 empresários do segmento, incluindo autopeças. 

Liliane Pagliarini, analista técnica do Sebrae-TO e gestora do Projeto Serviços Automotivos de Gurupi e região, conta que, além de capacitações e palestras técnicas, os membros já participaram de várias missões técnicas, como a última Automec. “Lá, eles fizeram contatos com vários fornecedores, negócios e investimentos em novas tecnologias e ampliação dos serviços prestados”.

E com a união foram implementadas algumas práticas que hoje fazem a diferença nas oficinas participantes do núcleo. “Como práticas de gestão ambiental, gestão empresarial, inovação dos processos e novas tecnologias adquiridas, e o associativismo do grupo”, menciona Liliane Pagliarini. 

 

Grupo de 350 empresas, de Pernambuco

Em 2009, um grupo de empresas do setor procurou o Sebrae-PE para apoiá-los na implantação de um programa de qualidade que os levasse a adquirir uma certificação direcionada à melhoria de processos. Atualmente, o grupo é constituído por 350 estabelecimentos das cidades de Recife, Olinda, Abreu e Lima, Paulista, Jaboatão, Camaragibe e São Lourenço, em Pernambuco. 

“O objetivo é aumentar a competitividade, por meio do desenvolvimento da gestão empresarial, inovação, empreendedorismo e sustentabilidade”, informa Sybelly Figueira, gestora do Projeto Automotivo do Sebrae-PE. Entre as ações, estão: cursos, palestras, seminários e consultorias, e o Sebraetec, consultorias especializadas e personalizadas na área de inovação. 

Segundo ela, “com os bons resultados alcançados, empresas de outros municípios também buscaram apoio do Sebrae. Iniciamos um projeto para o segmento em Petrolina e estudamos a viabilidade de iniciarmos um trabalho em Caruaru. Este atendimento ocorre através dos escritórios regionais do Sebrae, nestas localidades”, conclui.

 

OITO grupos, 114 membros, no CE

As redes de empresas são formadas por grupos com interesses comuns que se unem para a melhoria da competitividade de um determinado setor ou segmento. Foi assim que o primeiro grupo que reúne doze empresários da reparação se uniu, em Fortaleza (CE), em 2006. Hoje são oito grupos, 114 membros, incluindo de outras cidades do estado. 

Grupos não apenas de empresários da reparação, mas que também atuam na linha de acessórios, autopeças e motopeças. “Esta forma busca parcerias que proporcionam competitividade, mais renda, mais lucro, investimento acessível, mais estudos e pesquisas”, diz Felipe Cidrão Cavalcanti Passos, gestor Estadual de Comércio do Sebrae-CE.

Ele explica que cooperação entre as empresas é uma forma de torná-las mais competitivas em um mercado cada vez mais complexo. “Por meio de parcerias é possível fortalecer o poder de compra, compartilhar recursos, dividir o ônus de realizar pesquisas tecnológicas e buscar ações de desenvolvimento contínuo das competências gerenciais dos empresários do setor”.

 

OITENTA empresários unidos no Espírito Santo

Desde 2013, o segmento de reparação automotiva do Espírito Santo vem sendo atendido pelo Sebrae-ES, quando teve início o projeto-piloto de Boas Práticas da Qualidade Setor Automotivo, a partir de solução desenvolvida pelo Sebrae Nacional. O grupo mais recente foi formado no primeiro semestre deste ano e reúne oitenta empresários da Região Metropolitana de Vitória. 

“O objetivo é promover a competitividade do segmento de reparação automotiva capixaba, por meio da melhoria na gestão, das práticas de sustentabilidade e do acesso à inovação”, especifica. Entre as ações, estão: cursos, consultorias e palestras de gestão, palestras e missões técnicas. 

E, apesar do pouco tempo de existência do grupo, ele diz que já é notória a evolução das empresas apoiadas pelo Sebrae-ES no projeto. “Pelos relatos dos empresários, as abordagens do Sebrae junto às suas empresas vêm gerando grandes resultados nas áreas de gestão e na produção”.

 

A força da reparação no Mato Grosso do Sul

Segundo Daniela Rodrigues, analista da Unidade de Competitividade Empresarial do Sebrae-MS e gestora das ações para o segmento de serviços automotivos de 2014 a 2017, em 2016 foram criados três grupos: nas regiões Centro, Centro-Sul e Costa Leste de Mato Grosso do Sul, sem nomes, mas organizados para promover a troca de informações e cooperação. 

“Anualmente são aplicados diagnósticos de gestão para mensurar o nível de maturidade empresarial e identificar quais são os gaps a serem sanados. A partir da identificação dos pontos de melhoria, são propostas ações de desenvolvimento empresarial com consultorias, oficinas, palestras e cursos”, diz. 

Ainda conforme Daniela, na região Centro, o grupo é de 25 oficinas mecânicas; na Sul são 16 e na Região Costa Leste,17. “O segmento de reparação automotiva é um dos elencados pelo Sebrae Nacional como prioritários, dada a sua representatividade na economia nacional”. 

Por fim, ela conta que “no intuito de desenvolver estas empresas de reparação automotiva, o Sebrae/MS captou recursos junto ao Sebrae Nacional para promover ações de capacitação para o segmento, com o objetivo de promover a competitividade e o desenvolvimento sustentável dos pequenos negócios de serviços automotivos no estado, visando o seu fortalecimento e perenidade”.

 

 

 

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