OFICINA SUSTENTÁVEL, UM DIFERENCIAL CADA VEZ MAIS VALORIZADO

25/07/2017

Em todo o mundo, a consciência ambiental ganha cada vez mais adeptos  e a legislação está muito severa. Os reparadores precisam se preparar 

 

Cada vez mais se fala em sustentabilidade no mundo atual, e nas oficinas não seria diferente, até porque elas têm que estar de acordo com a legislação ambiental. E mais do que respeitarem as normas, muitas ainda não se atentaram a que algumas ações geram economia e, portanto, mais rentabilidade, e os seus clientes percebem estas ações, o que gera valor para a oficina.

Segundo o estudo do Sebrae-SP, “Como tornar sua oficina sustentável”, são três pilares para alcançar este objetivo: meio ambiente, economia e sociedade. Nesta matéria, José Paulo Albanez, coordenador Estadual de Reparação Veicular e Comércio de Autopeças da entidade, comenta cada um dos pilares, e empresários da reparação contam como os colocam em prática.  

Primeiramente, diz o consultor, “a oficina tem que estar de acordo com a legislação municipal, que varia de cidade para cidade em relação ao nível de exigência”, esclarece, defendendo que “a falta de uma legislação específica para o setor da reparação automotiva gera uma insegurança e não incentiva o empresário a investir de forma satisfatória na sustentabilidade da oficina mecânica”. 

Para ele, é um erro o empresário achar que investir em sustentabilidade não agrega valor. “Ao contrário, o consumidor está ciente das questões ambientais. O público feminino se atenta à organização e limpeza da oficina, bem como se os funcionários estão uniformizados”, explica. 

 

CONTAMINANTES – Numa oficina, qualquer material contaminado tem que ser descartado da forma correta. “Como o óleo, a bateria, as embalagens e as peças precisam ter uma área adequada de destinação, o que significa também organização”, afirma o consultor. 

O que se traduz também em dinheiro para a oficina. “Tudo isso pode ser vendido para empresas de reciclagem, como as embalagens e o óleo que será reprocessado. Inclusive, o óleo pode ser adquirido em tambor, o que é mais rentável para a oficina”, sugere. 

 

ECONOMIA – Na MotorFast, em São Paulo, Alberto Martinucci Jr. conta que “todo o óleo retirado é descartado em um recipiente próprio, de 200 litros, e é vendido para uma empresa de reprocessamento, e também o óleo que sobra nas embalagens segue o mesmo destino, após 24 horas em uma pingadeira”, especifica. Igualmente têm descarte correto os filtros de ar, de óleo e de combustível. 

E para a lavagem de peças existe na oficina uma caixa de decantação que separa a água do lodo (sujeira e óleo). “A cada seis meses é feita a limpeza desta caixa, e uma empresa especializada recolhe esse lodo que tem como destino a incineração”, conta Martinucci, entre outras ações. 

Para gerar economia para as oficinas, Albanez cita o uso de telhas transparentes, a adoção de uma caixa de captação de água da chuva para a lavagem da oficina e de banheiros, por exemplo, a substituição de equipamentos antigos e cuidados com as ferramentas. 

Outra dica é alugar os uniformes. “A empresa que aluga lava os uniformes e separa a graxa. Isso é sustentabilidade para a oficina, pois evita que a sujeira vá para a rede de esgoto”, comenta o consultor.   

 

PESSOAS – Com uma equipe de oito colaboradores, a proprietária da oficina Meu Mecânico, localizada em Brasília (DF), Agda Oliver, destaca a importância das pessoas nesse processo. “Eu sempre digo nas reuniões que só conseguiremos crescer e se diferenciar se tivermos treinamento e motivação. Sempre motivo a equipe a participar de cursos, palestras e treinamentos. Atualmente, as questões ambientais estão entre as nossas prioridades”, afirma. 

Segundo ela, “quando se tem conhecimento e informação, você conquista a credibilidade dos clientes e tem vontade de aprender cada vez mais. Além disso, se eu ficar com receio de treinar a minha equipe, eu nunca poderei me ausentar, e a oficina não pode parar. É preciso ter pessoas que não se acomodem, tem que ter metas e alcançá-las, e ter novos objetivos”, orienta. 

 

 

EXEMPLO – Diretor Técnico da Nipo Brasileiro, localizada em São Paulo (SP), Eduardo de Oliveira Neves conta que eles seguem à risca tudo o que é preciso para atender à legislação ambiental no que se refere ao descarte de resíduos líquidos e sólidos, incluindo, ainda, uma máquina para a limpeza das peças.

“Nós já não utilizávamos mais querosene para limpar as peças e, agora, nós temos uma máquina que com um produto biodegradável realiza esta tarefa”, informa, acrescentando que na oficina há duas preocupações: com o meio ambiente e com a saúde dos funcionários. “Nós temos todo o cuidado para trabalhar de forma correta, pensando também na saúde da equipe”, diz. 

E para que ela também fique motivada e bem treinada. “Somos em 22 pessoas e sempre estamos atentos aos treinamentos disponíveis, sejam em parceria com o Sindirepa ou com os fabricantes de autopeças e equipamentos. E pela internet igualmente conseguimos muitas outras informações”, cita, complementando o quanto o ambiente influencia.  

“A oficina é bem-organizada, temos vestiário, cozinha e o funcionário valoriza isso. Quando você dá uma estrutura, um ambiente de trabalho limpo e claro, as pessoas se acostumam. Já aconteceu de um funcionário ir embora e voltar, por ele não ter se adaptado em outra oficina pela falta de organização”, afirma.  

Na parte de economia Neves cita a utilização de telhas transparentes, “só acendemos as luzes no final do dia, o que gera uma grande economia”, revela, e a captação da água da chuva. “Nós temos três tanques de 5 mil litros, o que também gera uma grande economia na conta de água”, acrescenta. 

Para finalizar, o diretor diz o quanto essas ações refletem na percepção dos clientes. “Eles reparam na organização e isso é um diferencial. Porém, primeiramente, o mais importante para eles é se o seu carro ficou bom. Isso sempre será o primordial”, conclui. 

 

SOCIEDADE – O consultor José Albanez também destaca que a sociedade estará cada vez mais cobrando atitudes sustentáveis das empresas e dos governos. “Principalmente as novas gerações, que têm muita preocupação com os aspectos ambientais, uma maior conscientização sobre as mudanças ambientais. 

Para ele, o desafio é unir os três pilares (meio ambiente, economia e sociedade). “Ao mesmo tempo, este é o caminho para obter uma melhor qualificação da empresa, atendendo à legislação ambiental, evitando multas e autuações, com uma conduta sustentável que reflete em economia e redução de despesas, maior eficiência, produtividade e rentabilidade. Assim, a empresa passa a ser uma referência no segmento em que atua”, conclui.

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