PEÇAS FALSIFICADAS, CADA VEZ MAIS PRESENTES NA REPOSIÇÃO

20/06/2017

 

Combater a ilegalidade é um trabalho complicado,

e o problema está atingindo volumes alarmantes

 

Anualmente, nosso país perde algo em torno de R$ 130 bilhões com o contrabando e a falsificação. Depois dos cigarros, as autopeças ficam em segundo lugar na preferência dos criminosos, somando um prejuízo de cerca de R$ 3 bilhões. As perdas se referem ao faturamento das empresas do setor e à arrecadação tributária. O levantamento é da Associação Brasileira do Combate à Falsificação.

 “Para chegarmos a esses valores astronômicos, avaliamos os números de cada setor da economia e os dados divulgados por consultorias renomadas, como, por exemplo, a Nielsen”, explica o diretor da entidade, Rodolpho Ramazzini. 

 No segmento de autopeças, rolamentos, lâmpadas, anéis, velas, cabos de ignição e até para-brisas estão entre os itens mais falsificados e contrabandeados. “Eu estimo que em torno de 30% do mercado brasileiro esteja dominado pelas peças falsificadas e contrabandeadas. O volume é muito alto e o prejuízo é absurdo, por serem produtos com alto valor agregado”, ressalta.

 

ORIGEM - Outra estimativa feita pelo diretor da ABCF é sobre a origem dos componentes. “A maior parte, cerca de 60%, entra no país pelo Paraguai ou vem direto da China. O restante das peças falsificadas é  fabricado ou finalizado dentro do Brasil”, especifica. 

Para ele, o maior problema está no mercado de reposição. “Muitas vezes, o dono do veículo não consegue avaliar se a peça é copiada, mas o profissional do setor geralmente sabe. Um item falso custa cerca de 30% menos”, esclarece o diretor. 

 

CRISE - Na opinião de Ramazzini, a crise também colaborou para o aumento da criminalidade. “O setor regrediu muito nos últimos anos, tanto no faturamento quanto na produção, pois as alíquotas de impostos só aumentaram, e o país entrou em uma longa crise econômica. Isso prejudicou as montadoras e as empresas que atuam na reposição. Então, muitos se sentiram atraídos pelo lucro fácil”.

Outro motivo ele atribui ao descontrole das fronteiras do país. “O Brasil tem 16 mil quilômetros de fronteira com os países vizinhos e hoje temos apenas 24 postos de fiscalização para cuidar de toda essa área. Nos portos do Pará até o Rio Grande do Sul, não chega a três mil o número de agentes da Receita Federal para fazerem o desembaraço de contêineres”, menciona. 

“Além disso, de Guaíra, no norte do Paraná, até Mundo Novo, no Mato Grosso do Sul, são 400 quilômetros de fronteira seca com o Paraguai, por onde passam as carretas de cigarros, de autopeças, etc., sem fiscalização”, complementa.  

 

ROTAS - Enquanto as peças contrabandeadas chegam pelos portos, provenientes principalmente da China, prontas ou a serem finalizadas no Paraguai, o terceiro meio é por contêineres com guias subfaturadas. Nesse caso, explica Rodolpho Ramazzini: 

“Elas seguem para o Paraná, para a região de Londrina e Maringá, que é o maior polo de falsificação de autopeças do Brasil, onde elas são gravadas, as embalagens são feitas e as peças despachadas para o resto do país”, informa. Outro caminho para a entrada desses produtos é pelo Canal do Panamá, que foi privatizado para uma empresa chinesa.  

 

COMBATE - Com mais de 40 anos de atuação, a ABCF congrega cerca de oitenta indústrias nacionais e multinacionais de vários setores, visando combater a falsificação, o contrabando, a fraude e a concorrência desleal. Tem escritórios em São Paulo, Paraguai, Argentina, Bolívia, Chile e, em breve, na República Dominicana. Todos contam com equipes de advogados e investigadores. 

Segundo Ramazzini, “o principal problema do setor de autopeças para combater a ilegalidade é que somente algumas empresas se deram conta do tamanho do problema e passaram a trabalhar em conjunto com a nossa entidade”.

Para finalizar, o diretor alerta que os criminosos sabem muito bem quais são as empresas que se previnem e combatem realmente o problema. “Se uma marca não enfrenta a falsificação, os bandidos vão sempre copiar as suas peças. E o investimento para esse combate é mínimo se comparado ao enorme prejuízo causado”, conclui. 

 

 

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