O QUE NOS ESPERA? DIRIGENTES AVALIAM O CENÁRIO NACIONAL

20/06/2017

 

Apesar do momento político, as perspectivas são positivas para 

o segundo semestre, período que costuma ser mais aquecido

 

A queda nas vendas de veículos novos e a necessidade de manutenção dos usados têm sido, na opinião de Antonio Fiola, presidente nacional do Sindirepa, fatores que estão impulsionado a reparação automotiva em todo o país. 

Ele estima que, no primeiro quadrimestre do ano, o movimento tenha sido semelhante ao mesmo período de 2016. “Em torno de 10,5% de aumento no número de passagens”, especifica, acrescentando que “somente o mês de abril foi mais difícil devido à redução dos dias úteis em razão dos feriados”. 

Brasil - Presidente do Sindirepa fluminense, Celso Mattos diz que “em 2016 as oficinas tiveram uma queda de 30% nos reparos efetuados (seguradora ou particular). Mas nesse primeiro quadrimestre já avançamos, o que demonstra que o empresário está confiante nas medidas econômicas e nas reformas encaminhadas ao Congresso, mesmo com os últimos acontecimentos”.

“Nós começamos 2017 com uma expectativa bastante otimista, o que frustrou um pouco, pois o mercado manteve os números de 2016. Mas eu diria que os primeiros meses do ano foram estáveis. Porém, com recuos em alguns segmentos, como para quem trabalha com funilaria e pintura, onde geralmente o cliente pode esperar um pouco mais para fazer o reparo”, diz Pedro Paulo Medeiros de Moraes, presidente do Sindirepa de Pernambuco. 

No Rio Grande do Sul, o presidente do Sindirepa, Enio Guido Raupp, comenta que, diante da atual situação de muitos setores da economia, a reparação automotiva vai bem. “Principalmente para as oficinas que são organizadas e junto aos seus clientes estimulam a manutenção preventiva. Assim, elas estão conseguindo manter a sua empresa”. 

Para Wilson Bill, presidente do Sindirepa paranaense, o mercado continua muito instável. “Há uma demanda reprimida há tempos pela instabilidade política e econômica. Mas, com a falta de poder aquisitivo dos clientes e o grande endividamento, a inadimplência está cada mês maior por causa do desemprego e da perda da renda familiar. É preciso ter muito cuidado”, avalia.

OPORTUNIDADES - “A maior oportunidade para o setor é que muitos clientes deixaram de comprar veículos novos, como faziam anteriormente, a cada um, dois ou três anos. Eles não estão trocando seus carros e, automaticamente, isso gera demanda para a reparação”, relata Moraes. 

“A frota nacional também está  crescendo e isso gera uma forte demanda. Até porque há muitos carros com idade acima de 5 até 15 anos, justamente a faixa que frequenta as oficinas independentes. Dos nossos 42,8 milhões de veículos, 44% estão nessa faixa”, ilustra Fiola. 

Já Mattos diz que “as oportunidades apresentadas foram o melhor aproveitamento de produtos, a criação de nichos de trabalho, até então deixado de lado por alguns empresários, sem dizer a união do setor,  que pode avançar em qualidade de gestão administrativa”. 

Bill pondera que as oportunidades são poucas. “A concorrência está predatória, e a informalidade, aumentando. Sem recursos, muitos clientes estão buscando esses profissionais informais. Para piorar, as peças de reposição estão com sérios problemas de qualidade”.

Segundo ele, “com a enxurrada de peças importadas da China, que até grandes marcas estão embalando, a reparação está amargando o prejuízo do retrabalho”, lamenta.

 

PERSPECTIVAS- Na opinião de Fiola, as perspectivas são positivas para o segundo semestre. “Esse período costuma ser mais aquecido. O momento político complica um pouco, mas estamos otimistas.”

 Para Celso Mattos, a saída da crise será lenta, muito em função da reforma trabalhista, das futuras negociações das seguradoras com o setor e do cenário econômico. 

“O empresário passou a acompanhar com mais profundidade o mercado econômico, sabendo a hora de enxugar ou expandir o seu quadro de funcionários”, analisa.

De acordo com o dirigente, “a tendência, caso a reforma trabalhista seja aprovada e as negociações com as seguradoras encerradas de forma positiva, é podermos enxergar um 2018 com grande aumento da geração de emprego”, prevê.

Para Bill, a esperança é sempre de um semestre melhor. “Porém, com prudência e cautela. Para contrair uma dívida só o faça se tiver certeza de que poderá pagar, pois tenho constatado que muitas empresas do segmento estão com sérias dificuldades para pagar as despesas mensais”, orienta.

 Ele defende que a Inspeção Veicular seria o grande salto para o setor. “Se ela fosse implementada, mais de 50% da frota seria reprovada. No Paraná já estávamos tratando do assunto com a Secretaria do Meio Ambiente, mas tivemos de abortar o projeto do nosso Plano de Controle de Poluição Veicular porque ela foi abandonada na cidade de São Paulo e isso acabou desestimulando os outros locais”. 

OFICINAS - Airton Tenório, proprietário da oficina Para Recife, localizada em Pernambuco, conta que, de uma maneira geral, o setor vem passando por dificuldades. “Para nós, que também atendemos seguradoras, o número de veículos ainda está bom”, comenta.

Tenório acredita que o setor voltará a crescer quando o Brasil der sinais claros de recuperação e as pessoas se sintam seguras. “Com a retomada da economia, teremos um grande número de seminovos precisando de reparos”, prevê.

 

 

 

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