ECOSPORT DURATEC - Defeitos combinados difíceis de resolver

03/02/2017

Muitas vezes, um veículo entra na oficina com um problema que parece fácil, mas a causa pode ser uma soma de fatores, como um grande quebra-cabeça

 

O principal problema de se realizar apenas a manutenção corretiva é que, quando o veículo chega à oficina, geralmente apresenta muitos defeitos ao mesmo tempo. É comum o reparador ficar perdido na hora de fazer o diagnóstico e o orçamento, pois nada funciona direito, e as causas do problema podem ser muitas. 


O engenheiro Sergio Torigoe, do Centro de Diagnóstico Automotivo Torigoe, teve um caso assim no ano passado, com um Ford EcoSport 2.0 Duratec 2009.  Com 90.300 km, o carro chegou pela primeira vez na oficina em maio de 2016, com o motor falhando. Ao avaliar o sistema, ficou comprovada a necessidade de trocar a bobina do primeiro cilindro. 

 

MISTÉRIO - Após apagar os erros, o carro ficou bom. Porém, no decorrer do ano, o EcoSport retornou outras quatro vezes, sempre com o motor falhando e a luz de injeção acesa. O scanner informava o mesmo defeito: P0300 - falha geral de ignição. “Testamos as bobinas, limpamos os injetores, calibramos as velas e nada resolvia”, recorda Torigoe.


Em dezembro, ao passar novamente o scanner, Sergio recebeu outro código: P0340 - falha no sensor do comando de válvulas. Diante da novidade, um novo procedimento de diagnóstico foi realizado, com uma sequência de testes no sensor de fase e no seu chicote. Mas nada de errado foi encontrado. O mistério do Ford EcoSport Duratec seguia sem uma solução.


Ao verificar o sincronismo do motor, o reparador o encontrou fora de ponto. “Retiramos a roda fônica e descobrimos que a polia do virabrequim estava ruim, com a borracha ressecada. Isso provocava um deslocamento dos dentes em relação ao sensor de rotação, causando uma falha no sincronismo”, explica Torigoe.

 

 

NEM ASSIM - No entanto, a instalação de uma nova polia não foi o suficiente para sanar todos os defeitos do EcoSport. O motor voltou a falhar novamente e apresentar o defeito P0300 no scanner.

 

Como as velas tinham sido substituídas na primeira visita, foi tentada uma troca das outras três bobinas. O carro realmente melhorou, mas ainda não ficou perfeito.

 

 


Apesar de todo o trabalho realizado, o veículo passou a apresentar um defeito inusitado: com o ar-condicionado ligado, a marcha-lenta oscilava, dando a impressão de que o motor apagaria a qualquer instante. “A única solução que encontramos foi avançar o ponto em meio dente, a exemplo de um Ford Fusion que tínhamos atendido anteriormente”, revela Torigoe. 

 

FICA A LIÇÃO

 

Casos assim reforçam a importância de se trocar, mesmo que preventivamente, todas as bobinas. Também servem de alerta aos reparadores sobre a importância de realizarem uma avaliação mais ampla dos defeitos em veículos que não possuem um histórico de manutenções preventivas.


Nas oficinas, a correria é grande, assim como a pressão por consertos rápidos e baratos, o que nem sempre é possível. Torigoe comenta que, felizmente, o dono do EcoSport tinha consciência do estado do carro e estava interessado em encontrar uma solução. Mas, hoje em dia, isso é algo muito raro.

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

  • Facebook Social Icon
DESTAQUE NA REPARAÇÃO

Revista Reparação Automotiva Edição 140

29/05/2020

1/3
Please reload

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Please reload