BARRA ESTABILIZADORA - Ter ou não ter, eis a questão

03/02/2017

Alguns compactos nacionais abandonaram o componente, e a maioria da frota pode seguir essa tendência no futuro

 

Muitos reparadores já devem ter notado que a barra estabilizadora dianteira parece estar ficando “fora de moda”. Alguns modelos avaliados recentemente pela revista Reparação Automotiva confirmam essa tendência, como o Nissan March e os Fiat Uno e Mobi. Mas, afinal, por que esses carros dispensaram o componente e outros ainda usam?


Para o engenheiro mecânico e professor universitário Ricardo Bock, a principal razão é econômica. Porém, o especialista é categórico ao afirmar que, dependendo da forma como a suspensão do veículo é projetada, a barra estabilizadora pode ser eliminada, independentemente do tamanho do carro.
“O FEI X-20, por exemplo, não usava estabilizadoras”, recorda Bock. Construído pelo professor na universidade e apresentado no Salão do Automóvel de 2008, o modelo não tinha nada de popular. Era um esportivo conversível com motor V8 de Chevrolet Corvette e câmbio de Porsche 911 modificado. Preparado, tinha 550 cavalos de potência.


Bock explica que, para dispensar a barra estabilizadora, é preciso ter molas resistentes o bastante para suportar todo o peso do veículo. “Porém, ao fazer isso, perde-se em conforto, pois o carro pode ficar duro”, explica. Com as estabilizadoras, é possível usar molas menos rígidas e compensar a perda de estabilidade usando as barras.

 

Suspensão dianteira do Uno e Mobi

 

FUNÇÃO - O diretor de segurança veicular da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, Vilson Tolfo, esclarece que a barra estabilizadora é uma “ferramenta” para evitar a inclinação acentuada da carroceria em curvas, mas não é a única opção. “É errado pensar que um modelo que não usa esse componente é menos estável”, enfatiza.


“Os engenheiros podem se valer de muitas outras ferramentas, como, por exemplo, os conjuntos de amortecedores e molas”, destaca. Segundo Tolfo, diversas variáveis também são analisadas durante a fase de projeto de um veículo, como a massa total, o centro de gravidade e até o nível de atrito dos pneus em curvas. 


O engenheiro Alessandro Rubio, da Comissão Técnica de Segurança Veicular da SAE Brasil, explica ainda que as montadoras realizam diversos testes dinâmicos e, se o veículo demonstrar que tem uma boa rigidez torcional (ou seja, uma carroceria bem construída e muito “firme”), o uso das barras estabilizadoras pode ser desnecessário. “Não fará diferença”, afirma.

 

Suspensão dianteira do March

 

REPARAÇÃO - Para os reparadores, Tolfo deixa uma dica muito importante sobre os veículos que não usam as estabilizadoras. “Nesses modelos, componentes como molas, amortecedores e batentes devem receber uma atenção especial. Podem ser peças exclusivas dessa versão e, na hora da troca, devem ter a mesma especificação e qualidade”, alerta o engenheiro.

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