REPARAÇÃO NO BRASIL - Desafios a perder de vista

02/02/2017

Em entrevista exclusiva para a revista Reparação Automotiva, o presidente do Sindirepa-PR faz uma análise bem realista da atual situação do setor

 

No Paraná, a situação das empresas de reparação de veículos não está muito confortável. Segundo o presidente estadual do Sindirepa, Wilson Bill, as limitações atuais são muitas, a começar pela falta de poder aquisitivo dos consumidores.

Diante de tantos desafios, o dirigente prevê um período complicado pela frente, com um 2017 não muito diferente de 2016. Bill acredita que o setor “mudará de verdade” apenas quando houver uma maior união entre os empresários da reparação. 

Ao longo da entrevista, o presidente do Sindirepa-PR também comentou sobre a falta de mão de obra qualificada e a necessidade de implantar uma gestão mais profissional, entre outras questões que podem comprometer o futuro das oficinas.

 

Reparação Automotiva - Como foi o ano de 2016 para o setor de reparação no Paraná? 
Wilson Bill - Foi bem difícil para a grande maioria. De um modo geral, os serviços retraíram e as oficinas tiveram de se adequar a essa nova realidade.

 

RA - Quais motivos levaram a esse resultado? 
WB - Algumas regiões se mantiveram estáveis, por causa da queda na venda de veículos novos, mas não foi a regra. No interior, onde a safra foi boa, o volume de trabalho até aumentou. Porém, os fretes baixos motivaram muitas transportadoras a reduzir suas frotas. Algumas estão até sucateando uma parte dos caminhões para manter os outros rodando. 
 
RA - Diante desse cenário, o que esperar de 2017?
WB - Existe uma grande demanda, mas está reprimida. A frota nacional cresceu e está envelhecendo, porém, o consumidor está cauteloso, com receio de gastar hoje e faltar amanhã. As oficinas estão vivendo de manutenções corretivas, apenas o mínimo necessário. 

 

RA - Tempos atrás, o setor sofria com a falta de profissionais. Ainda há esse problema? 
WB - Continuamos com uma grande falta de mão de obra qualificada. As novas gerações não se sentem atraídas pela reparação, preferem trabalhar “no ar-condicionado”, num shopping ou escritório. Os poucos jovens que entram para o setor, muitas vezes, ficam na empresa apenas o tempo suficiente para se qualificarem. Em seguida, saem e se tornam concorrentes.

 

RA - Será possível reverter essa tendência? 
WB - Eu acredito que sim. Em primeiro lugar, as nossas autoridades e as organizações internacionais deveriam incentivar mais os jovens ao trabalho, não colocar uma série de barreiras, como as que existem na atual legislação. As novas gerações precisam redescobrir as vantagens de ter a sua própria renda, seja para ajudar a família ou preparar o seu futuro. Infelizmente, o que vemos nos dias de hoje é o contrário. Muitos não querem trabalhar e nem estudar, isso quando não seguem pelo caminho das drogas e da marginalidade. 

 

RA - Em resumo, problema é o que não falta?
WB - Temos vários. O consumidor está sem poder aquisitivo, a mão de obra está rara e cara, muitas frotas estão sendo terceirizadas, o frete baixo está acabando com os transportadores, as seguradoras estão pressionando os orçamentos cada vez mais, temos excesso de burocracia, as oficinas estão “reféns” das leis trabalhistas, as crises políticas mantêm o país paralisado, além de enfrentarmos a concorrência desleal das empresas informais. 

 

RA - Um empresário do setor certa vez comentou: muitos mecânicos fazem um esforço enorme em busca de qualificação técnica, mas esquecem de administrar a sua empresa. Quando percebem, faliram. Essa realidade também é comum no Paraná? 
WB -  É sim. Em primeiro lugar, falta um maior comprometimento dos empresários da reparação com as entidades que os representam, como o Sindirepa, a CNI ou o Sebrae. Poucos participam dos programas de gestão voltados ao setor. Infelizmente, ainda existe um grande número de pessoas no nosso meio que acha que sabe tudo e não precisa de mais nada. Várias vezes organizamos treinamentos gerenciais de alta qualidade, oferecemos descontos de até 80% aos associados e quase ninguém comparece. Nós não temos como “dar o peixe”, mas estamos sempre “ensinando a pescar”, o problema é que poucos querem aprender.  

 

RA - Mudando de assunto, como o Sindirepa avalia as novas tecnologias de conectividade, em que o carro avisa a montadora e a concessionária sobre a necessidade de manutenção?
WB - Esse é mais um desafio que teremos pela frente: quando o cliente compra um novo veículo com toda esta tecnologia embarcada, ele não é avisado que se tornará um “escravo” da concessionária. Mas as montadoras esquecem que o veículo envelhece e, um dia, estará nas mãos de um dono que não conseguirá pagar essa conta. Por outro lado, sem acesso à informação, a oficina independente não poderá ajudá-lo. Hoje, essa questão está em debate em vários países e ainda levará um tempo para encontrarem uma solução.

 

RA - Para finalizar, que ações os reparadores devem tomar para que 2017 seja melhor?
WB - O associativismo e a união do setor é a solução para a grande maioria dos problemas. Eu também recomendo muita cautela e bom senso ao longo do ano. Antes de entrar numa dívida, por exemplo, avaliar a real necessidade de fazer esse investimento para se ter todas as condições de honrar as parcelas, mesmo no pior dos cenários. Por enquanto, todo cuidado é pouco.

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