ESPERANÇA RENOVADA - Reparadores otimistas com 2017

02/02/2017

Para a maioria dos empresários, o novo ano será melhor do que o anterior, apesar das dificuldades da economia
 

O ano começou bem agitado em algumas oficinas. Na Stilo Motores, localizada na cidade de São Paulo, ninguém parou durante o mês de janeiro. “O movimento cresceu em dezembro e seguiu igual até agora”, destaca o proprietário da oficina, Francisco Carlos de Oliveira.
A percepção de Oliveira é compartilhada por profissionais de todo o Brasil. Entre dezembro e janeiro, a equipe de telepesquisadores do Observatório da Reparação (uma das muitas novidades que a ZNews Editora apresentará durante o ano) entrou em contato com cerca de trezentas oficinas para saber como foi 2016 e o que esperavam de 2017.

 

CASA CHEIA - A enquete mostrou que o empresário da reparação está otimista. Mais de 66% dos entrevistados acreditam num aumento do movimento. Apenas 7,4% declararam que a situação pode piorar. “Estou acreditando em 2017, acho que teremos muito serviço”, aposta Marcelo Navega, reparador da capital paulista.
O presidente do Sindirepa Nacional, Antonio Fiola, também espera um ano positivo. Para ele, o setor da reparação repetirá o desempenho de 2016, com um crescimento na ordem de 10%. “A frota nacional cresceu e o consumidor ainda está relutante em trocar de carro e assumir um financiamento”, afirma.
A Anfavea, associação dos fabricantes de veículos, aposta que mais pessoas voltarão a sonhar com um veículo novo. A entidade projeta um crescimento de 4% nas vendas de automóveis e veículos comerciais, em relação a 2016. "A conjuntura macroeconômica está ficando mais favorável", avalia o presidente da entidade, Antonio Megale.

 

DÚVIDAS - Faz parte da cultura do empresário brasileiro acreditar que tudo será melhor no ano que começa. É uma “renovação da esperança”. Não é ruim, mas nem sempre reflete a realidade. Para Sérgio Duque, economista e gestor da Audatec Marketing, a reposição automotiva deverá crescer bem menos, cerca de 2% em relação a 2016.
“Ainda temos graves problemas estruturais para resolver, e o primeiro semestre praticamente será reservado para corrigi-los. Não podemos esquecer de que o nosso país tem mais de 12 milhões de desempregados, o déficit fiscal permanecerá ao redor de 2% do PIB, a dívida pública deverá crescer até 2021 e ainda teremos muita instabilidade política”, reforça Duque. 

 

CAUTELA - Proprietário da oficina MegaCar, em São Paulo, José Natal Silva aposta num empate. “Acredito que 2017 deverá ser igual ao ano passado, mas dependerá muito da região onde está localizada a oficina”, pondera. Para Silva, nos bairros populares, cada vez mais cheios de desempregados, ninguém vai fazer a manutenção do carro. Se quebrar, encosta ou vende.
Esse também é o pensamento do presidente do Sindirepa no Paraná, Wilson Bill. “O consumidor está sendo muito cauteloso, querendo evitar mais endividamento. Está fazendo somente uma manutenção corretiva, o mínimo necessário para o seu veículo continuar rodando. Se permanecer assim, 2017 não será exatamente um ano muito melhor do que foi 2016”, destaca.

 

PROBLEMAS - Diante de um cenário tão complexo, muitos empresários da reparação acreditam que o ano ainda é imprevisível e pode gerar até alguns problemas de relacionamento com os clientes. “Fazer só o necessário é um erro grave”, alerta o dono da Mingau Automobilística, da cidade paulista de Suzano, Edson Roberto de Avila.
Na opinião de “Mingau”, os reparadores devem pensar muito bem antes de realizar uma manutenção “econômica” no veículo de um cliente, trocando apenas o mínimo necessário. Caso esse reparo cause algum problema mais sério ou até um acidente, toda a responsabilidade técnica recairá sobre a oficina, causando um grande prejuízo. 
“Sou posto de assistência técnica de várias marcas e sempre encontro situações desse tipo. Tempos atrás, um reparador trocou a correia dentada e a polia do veículo, mas o cliente se recusou a trocar o tensionador, por questão de economia. Dias depois, a peça quebrou e fez um grande estrago. Aí começou a polêmica sobre quem pagaria todo o prejuízo”, recorda. 

 

ESPECIALIZADOS - As oficinas que trabalham com sistemas complexos, como é o caso dos câmbios automáticos, também estão cautelosas a respeito de 2017. Apesar do aumento da frota de veículos com esse tipo de transmissão, os consumidores endividados ou desempregados têm adiado ao máximo o reparo dos veículos.
“O movimento caiu 40% no ano passado. Espero reverter essa situação ao longo do ano. Janeiro deu sinais de melhora, espero que continue assim”, revela Roberto Gomes Caetano, proprietário da SOS dos Automáticos, na cidade de São Caetano do Sul (SP). Com mais de 25 anos de profissão, o reparador é uma referência nessa tecnologia. 

 

UBER - Diante de um cenário tão complexo como o atual, os reparadores chegam a se deparar com concorrentes que nunca imaginaram. Ao conversar com alguns clientes, Caetano descobriu que muitos deixaram o carro quebrado na garagem e passaram a andar de táxi ou Uber. Sem recursos, não tinham condições de pagar a pesada conta da oficina.
É bom lembrarmos que, em média, um reparo simples de um câmbio automático (como uma troca de fluido e alguns solenoides) custa cerca de R$ 2.000,00. Uma reforma completa ultrapassa facilmente os R$ 5.000,00. “O ideal da nossa oficina é atender, no mínimo, quatro carros por mês. Em 2016, houve períodos em que fizemos apenas um”, lembra Caetano.
 

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