PASSAT 2.0 TFSI - injeção direta e muitos problemas

 

O modelo pode ser uma armadilha para os reparadores desatentos, é preciso ter experiência para evitar as trocas desnecessárias de peças

 

O Passat foi o primeiro carro de uma montadora popular a receber um sistema de injeção direta de combustível, em 2006. O motor 2.0 tinha 150 cv de potência e 20,4 kgfm de torque máximo. Um ano depois, a VW acrescentou o turbo, o que elevou a potência para 200 cv e o torque para 28,4 kgfm. 

 

Com pressão de injeção de combustível de até 120 bar, o sistema FSI do Passat é complexo e nem sempre fácil de entender, uma vez que utiliza componentes diferentes da injeção indireta, como a bomba de alta pressão, injetores exclusivos e uma bomba de combustível com módulo PWM. “São peças que costumam apresentar defeitos sem a menor cerimônia”, afirma Claudio Cobeio, da CobeioCar. “Em um dia estão funcionando, no outro, não”, diz. 

 

No entanto, Cobeio comenta que o mais difícil é acertar o diagnóstico. “Como há diversos itens muito sensíveis, é fácil errar”, afirma o reparador. Diante dessa situação, o melhor a fazer é sempre ter uma boa conversa com o cliente, para saber dele todos os detalhes da forma de utilização do carro. “Muitas vezes é nessa conversa que encontramos o defeito”, diz.

 

Módulo da bomba - Um dos sintomas de que o módulo PWM da bomba de combustível precisa ser trocado é quando o carro começa a morrer sozinho, parado ou até mesmo andando. “É um defeito que causa bastante dúvida entre os reparadores, pois muitos chegama pensar que é bomba de alta, quando na verdade é o módulo que parou”, diz Cobeio. 

 

Outros problemas que Cobeio já enfrentou com os motores EA888 fabricados entre 2008 e 2010 foram o elevado consumo de óleo, causado pelo rompimento do diafragma da tampa de óleo, e o afrouxamento do esticador da corrente de sincronismo, que pode até entortar as válvulas de admissão. “Só esses dois defeitos crônicos mostram o quanto é importante investigar a procedência do carro, antes mesmo de abrir o capô”, afirma.

 

Com preços ao redor de R$ 39.000, segundo a tabela Fipe, o Passat 2.0 FSI Turbo 2009 é, geralmente, um carro de segunda mão quando chega à oficina e, como é muito comum nesses casos, o novo proprietário não faz a menor ideia do que comprou.

 

Queima de válvula - Um defeito que tem se mostrado bastante comum no motor TFSI da Volkswagen é a queima de válvulas.

 

Cobeio comenta que é preciso ficar atento com o sistema de arrefecimento do cabeçote, pois a injeção direta não oferece um bom resfriamento das válvulas pelos injetores. “Ao contrário da injeção indireta a válvula trabalha quente e seca. Nesse sentido, a injeção direta é uma faca de dois gumes”, diz.

 

O defeito é sério e Cobeio comenta que muitos reparadores tem errado no diagnóstico e trocado peças desnecessárias, como velas e bobina, sem resultado. “Se o carro vem falhando muito, é bom investigar bem com o estetoscópio automotivo, pois pode ser que haja um buraco nas válvulas”, afirma.

 

Coletor de admissão -  Uma característica do motor FSI (sigla inglesa para injeção de combustível estratificada ou em camadas) é a presença de flaps no coletor de admissão, que serve para restringir a entrada de ar, o que gera uma maior aceleração na câmara de combustão (efeito Venturi). Em diversos casos, o componente de acionamento dos flaps, que é de plástico, se rompe, causando um mau funcionamento do sistema, com a falha no motor devido a mistura pobre, o que faz com que a luz de injeção acenda. 

 

Uma forma bem simples de diagnóstico é verificar se a haste de acionamento dos flaps está saltada para fora do coletor de admissão. Se estiver a forma de resolver o defeito é com a troca de todo o conjunto. O componente não aceita reparo.
 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

  • Facebook Social Icon
DESTAQUE NA REPARAÇÃO

Revista Reparação Automotiva Edição 140

29/05/2020

1/3
Please reload

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Please reload