Conforto compacto - hatch japonês com novo câmbio

Antes restrita ao mercado de luxo, a transmissão CVT começa a equipar outros modelos da frota nacional

 

O Nissan March 1.6 ganhou a opção de câmbio CVT (sigla inglesa para transmissão continuamente variável), que oferece mais conforto ao usuário e economia de combustível, pois aproveita melhor a faixa de torque do motor nas mais diversas situações de condução. O preço, porém, é alto: R$ 54.890, na versão SV CVT e, R$ 59.290, na SL CVT. 

 

Chamado de XTRONIC, tem duas polias de diâmetro variável, ligadas por uma correia metálica. A polia condutora (ou primária) recebe o torque do motor, e a conduzida (ou secundária) o transmite ao diferencial. 

 

O princípio de funcionamento é simples e depende 100% do fluido de transmissão, uma vez que ele é o responsável por criar o atrito necessário entre as polias e a correia metálica. Com fluido sob pressão, a correia adere às polias, que variam de diâmetro de acordo com as demandas do pedal do acelerador. 

 

Em rotações reduzidas, a polia condutora apresenta um raio menor, enquanto a polia conduzida fica com um raio maior. Na medida em que o carro acelera, o movimento das polias se inverte. A distância entre as polias é fixa, como também o comprimento da correia. Operando assim, o câmbio CVT possibilita um número de marchas infinito entre as menores e maiores relações.

 

 

Novidades - Desenvolvido pela Jacto, empresa da Nissan, o câmbio XTRONIC CVT apresenta os sistemas Lock Up e Active Slip Control, que permite acelerações com respostas mais vigorosas, pois segura a polia e a solta de forma gradual para que o torque seja transmitido de uma forma mais linear e rápida.

 

Em relação às gerações anteriores de transmissões CVT da marca japonesa, a correia conta com uma maior área de contato e houve um aumento na rigidez da polia. A bomba de óleo também foi otimizada, não conta mais com a válvula de controle de entrada do óleo e a geometria da área de sucção foi modificada, para reduzir o nível de atrito em até 30%.

 

Outra novidade é a utilização do método de partícula para a visualização do fluido do câmbio, o que melhora a geometria do conjunto e também do diferencial.

 

Na oficina - Como todo sistema CVT, o nível de manutenção é baixo. “São raros os casos de necessidade de reforma do câmbio”, afirma o especialista em transmissão automática Maurício Carreiro, instrutor da TTR Treinamentos, de São Bernardo do Campo (SP). O especialista comenta que o defeito mais comum é a vibração causada pela patinação da correia metálica. “É um sinal claro de que o fluido da transmissão precisa ser substituído”, afirma. 

 

De acordo com o manual do proprietário do March, o fluido de transmissão precisa ser verificado a cada 20 mil km ou 12 meses e, caso o motorista utilize o veículo para rebocar um trailer ou o conduza por vias não pavimentadas com frequência, os intervalos de inspeção devem ser menores, para verificar possíveis deteriorações. A cada 100 mil km, quando houver necessidade, deve ser substituído. 

 

Segundo Carreiro, é bom ficar atento. O fluido de transmissão perde as propriedades com o uso e pode sofrer deterioração com o aumento de temperatura, que causa oxidação, perda de ação detergente e mudança de viscosidade. “O CVT possui um trocador térmico para esfriar o fluido de transmissão, que utiliza o mesmo líquido de arrefecimento do motor. Por essa razão, é importante sempre manter o sistema de arrefecimento em ordem”, explica.

 

Motor - O câmbio CVT está associado ao motor 1.6 no Nissan March, código HR 16DE. Durante avaliação na oficina, Claudio Cobeio, da Cobeio Car, chamou a atenção para a dificuldade de reparo do sistema de ignição. “Para trocar velas, bobinas e fazer qualquer serviço nos injetores, é preciso remover todo o coletor de admissão”, comenta. Vale lembrar que este motor utiliza velas de ignição com eletrodos de platina, que rodam até 100 mil km sem necessidade de troca. O óleo do motor recomendado é o 5W30 API SN ou superior, ILSAC classificação GF-5. A capacidade máxima do carter é de 4,3 litros (troca com filtro). Já o sistema de arrefecimento tem 7,2 litros (no modelo com câmbio manual são 6,7 litros).

 

Suspensão - Uma surpresa desagradável foi verificar que o Nissan March não dispõe de barras estabilizadoras nos eixos dianteiro e traseiro, que contam com suspensões independentes do tipo McPherson e eixo de torção, respectivamente. Cobeio explica que a barra estabilizadora limita a rolagem do carro em curvas. “Dá para sentir que ele inclina um pouco mais do que deveria”, comenta.

 

No entanto, se a montadora optou por não utilizar o componente fez isso de uma forma consciente e equipou o modelo com molas específicas que possibilitam um comportamento dinâmico adequado.

 

Assim, quando for necessário substituir as molas, é preciso ficar mais atento quanto às características e qualidade das peças.

 

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