PAIXÃO PELO FUSCA - Reparador dedica a sua vida ao modelo

 

 

Há mais de cinquenta anos, Guido “faz milagres” para garantir a alegria de milhares de fãs do carro mais querido do planeta

 

Quando cheguei ao número 417 da rua Frei Gaspar, no bairro paulistano da Mooca, um  grupo de senhores estavam à porta, conversando. “O Guido saiu, mas logo volta”, me informaram. Mesmo antes de saberem o que eu estava fazendo ali, veio a pergunta: “Você tem Fusca?”
Fui pego de surpresa. Não tenho Fusca, e não menti. “Mas gostaria de ter um elétrico”, respondi. Isso gerou uma discussão que terminou com outra pergunta: “Como ficou o Civic?” No dia anterior, a Honda havia entregado o novo modelo para avaliação. Mostrei o carro para eles e até gostaram, mas acharam bastante caro e logo começou outra discussão...

 

Conversamos de quase tudo até o Guido chegar. Não nos conhecíamos, apenas tínhamos falado por telefone no dia anterior. Como eu era o único estranho na roda, logo ele entendeu quem eu era e começou a contar sobre os Fuscas e seus segredos. 
Assim é Guido Jair Ferrari, um mestre na restauração do modelo e também dono de vários exemplares. É apaixonado pelo VW desde criança, quando convenceu o pai a trocar o Ford 29 por um Fusca. As lembranças de Guido valem um livro. Ou dois. Afinal, ao longo de mais de cinquenta anos de carreira, contabiliza cerca de 450 veículos da “família a ar” restaurados. 

 

SABRICO - Guido começou a trabalhar com mecânica de automóveis aos 10 anos de idade, na oficina de um primo do seu pai. Nunca mais parou. Aos 15, foi contratado pela Sabrico, antiga concessionária que ficou famosa por vender o primeiro Fusca importado para o Brasil, em 1950. “Fiquei lá entre 1962 e 1968, praticamente só trabalhava com eles”, contou.
Por sinal, além da paixão pelos Fuscas, trabalhar, e muito, também sempre foi uma marca registrada do Guido. “Naquela época eu queria fazer tudo. Aos finais de semana consertava os carros dos vizinhos, na garagem da casa do meu pai. Como só tinha espaço para um carro, muitas vezes acabava trabalhando na rua mesmo”, recordou.

 

Como os “bicos” de final de semana começaram a render bem, decidiu partir para a carreira independente. Instalado há mais de quarenta anos na rua Frei Gaspar, Guido é o tipo de reparador que monta e desmonta um motor de Fusca até com os olhos vendados. “No auge, teve ano que cheguei a fazer mais de 160”, comentou.
Mas o encerramento da fabricação do modelo, em 1986, foi um baque. “Quase não vinham mais Fuscas para fazer a manutenção e, de 1990 em diante, também começou a minguar o atendimento às frotas, que sempre tiveram muitos carros e Kombis”, declarou. 
A reviravolta começou a partir de 1998, quando antigos clientes passaram a procurá-lo para fazer trabalhos de restauração. 

 

CLUBE - Guido passou a fazer parte do Fusca Clube do Brasil, ajudar na organização de encontros e passeios, além de colecionar desafios, pois cada projeto era único, ao gosto dos clientes. “Vinha de tudo, desde Kombi de seis portas até restauração original de Karmann-Ghia e réplica de Porsche Spyder”, disse o reparador, relembrando a época mais divertida de sua carreira.

 

O Spyder, uma réplica feita pela Amazonas (uma antiga fábrica de motos com motores de Fusca), foi uma verdadeira saga. O dono queria colocar rodas de cinco furos e freios a tambor, como no carro de James Dean. Porém, a suspensão era moderna e soldada ao chassi. “Foram muitos desenhos e horas de torno, mas deu certo”, recordou com um sorriso de satisfação.

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