NOVO TOYOTA PRIUS - os cuidados com a frota eletrificada

 

Muito popular em vários países, há quase duas décadas, o primeiro veículo híbrido fabricado em série no mundo espera iniciar uma grande mudança também no Brasil.

 

Lançado em 1997, o Prius é o veículo híbrido mais comercializado em todo o planeta. Em quatro gerações, vendeu quase seis milhões de unidades, em mais de 90 países. No Brasil, poucas centenas rodam pelas ruas, principalmente na cidade de São Paulo. Desde 2012, a capital paulista usa o modelo em sua frota de táxis.

 

O híbrido da Toyota conta com dois motores: um a combustão interna e outro elétrico. Desde 2015, quando foi lançado o modelo atual, o motor a gasolina é um quatro cilindros de 1.800 cc, com duplo comando, 16 válvulas e o chamado Ciclo Atkinson. Tem 98 cv de potência a 5.200 rpm, com um torque máximo de 14,2 kgfm a 3.600 rpm. 


O Ciclo Atkinson foi projetado para que os quatro tempos de um motor (admissão, compressão, expansão e exaustão) se realizassem numa única volta do virabrequim. Para chegar a esse resultado, era usado um tempo de expansão muito maior do que o de compressão. O propulsor ficava mais eficiente, porém perdia potência.


No Prius, assim como em outros modelos híbridos, como o Ford Fusion, o Ciclo Atkinson é obtido com o controle da abertura da válvula de admissão. O segredo é manter as válvulas de admissão abertas no começo da compressão, deixando que uma parte da mistura ar-combustível que foi admitida retorne. Assim, o motor consome menos.

 

 ELÉTRICO - Atualmente, o motor elétrico do Prius gera 72 cv de potência e 16,6 kgfm de torque máximo. Acoplado ao conjunto há uma transmissão CVT. Porém, nada disso é visível ao abrir o capô do carro. De cima, vê-se apenas o motor a combustão e uma caixa preta com uma etiqueta amarela de alerta para a alta tensão. 


É nessa caixa que ficam instalados o conjunto de inversor e controlador do sistema híbrido. Nunca deve ser aberta sem as devidas precauções, sob o risco de se levar um choque de até 600 volts e 25 amperes, mais do que o suficiente para matar uma pessoa.


Na estratégia adotada pela Toyota, o motor elétrico traciona as rodas dianteiras nos momentos mais críticos, como o início do movimento. Há apenas uma condição em que os dois motores entram em cena: ao pisar fundo no acelerador. Com a estratégia, o Prius chega a fazer 20 km/l na cidade. Mas tudo depende da forma de dirigir.

 

OFICINA - Fazer a manutenção do Prius não é muito complicado, de acordo com o chefe do Centro de Treinamento Automotivo (CTA) da Bosch, Diego Riquero Tournier. “O diagnóstico de falhas do motor a combustão é idêntico ao de um carro comum, e no sistema híbrido não há o que reparar; caso haja alguma falha é preciso trocar todo o conjunto”, revela.


A principal dica de Tournier aos reparadores é ter muito cuidado para não ser eletrocutado pelo veículo. “Aqui na Bosch, é padrão isolar a área do carro, que só deve ser ultrapassada pelo técnico responsável. E sempre que for feita qualquer manutenção no sistema híbrido, é obrigatório o uso de luvas para alta tensão”, alerta.


Para trabalhar nas partes mecânicas convencionais, não é preciso usar luvas de alta tensão. Porém, é preciso ficar atento para não “invadir” a área do sistema híbrido, que é sempre muito bem sinalizada. “Caso seja preciso abrir um cabeçote, por exemplo, não há qualquer perigo. Mas a remoção do motor já exige cuidados especiais”, exemplifica o chefe do CTA.


O Prius também dispõe de uma chave para desligar as baterias. “A primeira providência, após diagnosticar uma falha, é desconectar o sistema híbrido. Para tanto, é importante usar luvas de alta tensão e, antes de iniciar a manutenção, aguardar pelo menos 30 minutos para que a tensão nos componentes se dissipe”, explica Tournier.

 

 

PREVENTIVA - Uma característica interessante dos híbridos é o intervalo para a substituição de algumas peças, como as pastilhas de freios. Existem casos de taxistas, por exemplo, que demoraram 160 mil km para trocar esses itens, pois a grande maioria das frenagens é feita pelo o sistema de recuperação de energia do motor elétrico.


Para lubrificantes, filtros e líquido de arrefecimento, os intervalos são, de acordo com o manual do fabricante, a cada 10.000 km. Vale lembrar que, por ser um híbrido, o modelo da Toyota conta com dois sistemas de arrefecimento, um para o motor a combustão e outro para o inversor, que funcionam de forma independente.


Outra característica do Prius é a ausência de alternador e motor de arranque, uma vez que o motor elétrico assume o papel dos dois componentes. Porém, a exemplo de um automóvel comum, possui uma bateria de 12 V que alimenta os módulos eletrônicos, sistema de iluminação, acionamento dos vidros etc. É preciso ficar atento à sua manutenção.


Pelo importante papel que desempenha, essa bateria é monitorada e gerenciada eletronicamente, para manter a carga sempre nos valores ideais. Ao substituí-la, é importante manter as mesmas características de amperagem (45 Ah) e CCA (295 A), pois, se forem alteradas, o sistema de gerenciamento pode dar um alerta de falha.

 

EMBAIXO - A parte inferior do Prius é bem convencional, como as suspensões e o sistema de freios, similares aos de outros sedans japoneses. Apenas o servofreio é diferente. Em seu lugar, trabalha uma bomba elétrica de vácuo. Outro detalhe que chama a atenção são as carenagens inferiores, para melhorar a aerodinâmica.

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

  • Facebook Social Icon
DESTAQUE NA REPARAÇÃO

Gestão de fornecedores. Saiba o porquê é valiosa para a sua empresa

18/10/2019

1/3
Please reload

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Please reload