CHEVROLET AGILE - Defeitos em série

10/09/2016

Chevrolet Agile 1.4 Econo.Flex  precisa de nova embreagem com apenas 30.000 km, mas  é após os 100.000 km que os problemas surgem de forma consecutiva

 

Lançado no segundo semestre de 2009 como modelo 2010, o Chevrolet Agile 1.4 Econo.Flex foi o primeiro veículo da marca a contar com sistema de gerenciamento de motor desenvolvido 100%  pela General Motors do Brasil. Batizado de “System Zero”, foi feito especialmente para o uso flex. Segundo a Chevrolet, o sistema de gerenciamento eletrônico do motor conta com um dos softwares e sensores de última geração, capazes de medir efetivamente a quantidade de ar admitida pelo motor possibilitando um cálculo mais preciso da quantidade de combustível a ser utilizada. Na teoria, a proposta era boa, mas na prática, nem tudo saiu de acordo com o planejado. O proprietário da Autoelétrica e Mecânica Morikawa, Alexandre Morikawa, de Guarulhos, comenta que já diagnosticou várias unidades com falha no sensor de massa de ar (MAP). “O carro não pega de manhã de jeito nenhum”, comenta.
O proprietário da oficina CobeioCar, Claudio Cobeio, localizado na região de Santo Amaro, em São Paulo, comenta que para resolver esse defeito é preciso fazer uma atualização do software de injeção. “Depois que passa pela atualização, fica excelente”, afirma Cobeio.

 

Na oficina
O veículo desta reportagem é um dos primeiros comercializados no País, e desde 0Km é acompanhado de perto pelo engenheiro Sergio Torigoe, proprietário do Centro de Diagnóstico Automotivo Torigoe, localizada na zona Leste de São Paulo.
“Com pouco mais de 30 mil km a embreagem ficou alta e dura, e a luz de injeção acendeu no painel”, comenta Torigoe. Com scanner, foi detectado problema no sensor de pedal da embreagem. A solução foi trocar a embreagem e efetuar procedimento de regulagem do pedal de embreagem para apagar a luz de injeção.” 

 

Após este episódio, o modelo recebeu as manutenções preventivas de acordo com as indicações do manual do proprietário, porém ao completar 100.000 km voltou a apresentar problemas e foi para a oficina com dificuldades na partida a frio. “Fizemos o socorro, passamos o scanner para forçar o aprendizado do combustível que havia no tanque, reprogramamos várias vezes e nada”, comenta Torigoe.

 

Foi trocado o óleo do motor na tentativa de soltar os tuchos, porém sem sucesso. Assim, foi necessário abrir o cabeçote para trocar os tuchos hidráulicos. Este tipo de comportamento em modelos Chevrolet era muito comum nos Corsa. Do nada, não pegava de manhã. Isso era causado por uso de óleo lubrificante com especificação errada. Como consequência, os tuchos hidráulicos não carregavam e não abriam as válvulas, por isso o carro não pegava. Assim, antes de abrir o cabeçote, troque o óleo e tente dar a partida.
 

 

O virabrequim com desgaste axial, resultado de dirigir com o pé apoiado na embreagem

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quando o pedal da embreagem fica mais alto do que o do freio, é sinal de que está na hora de trocar a embreagem. O modelo tem sensor no pedal que faz acender a luz de injeção quando chega ao limite

 

 

 

 

 

 

Dica:  Para regular o curso do pedal é necessário utilizar scanner automotivo, ler o defeito e iniciar procedimento de regulagem. “Basta seguir as instruções do scanner, que pede para pisar até o fim do curso do pedal da embreagem e soltar. Dessa forma, o sensor consegue determinar a posição de repouso e curso máximo”, explica Torigoe.


Dica: Para trocar os tuchos do Agile 1.4 é preciso retirar o comando de válvulas. Outros veículos da marca, como o Vectra, dá para tirar com auxílio de ferramentas específicas, sem remover o comando.

 

Dica: Para descobrir se o dono do carro dirige com o pé apoiado no pedal da embreagem, Torigoe tem um truque: “Peça para dar uma volta com o cliente para que ele mostre o defeito do carro com ele dirigindo. Sem ele perceber, posicione o celular com a câmera de vídeo apontada para os pés dele enquanto ele dirige. Ao retornar para a oficina, pergunte se ele dirige com o pé apoiado na embreagem e, após dar a resposta, mostre o vídeo para ele.”

 

Mais defeitos
Durante os testes de rodagem pós-troca dos tuchos foi detectado ruído de rolamento da embreagem e dificuldade de engate das marchas. Como o carro tinha mais de 100.000 km e a última troca havia sido aos 30.000, o proprietário autorizou a realização do serviço.

 

Ao desmontar a embreagem, Torigoe comenta que o rolamento estava todo danificado, com as esferas saindo do alojamento. “A troca do kit de embreagem ocorreu no momento certo, porém depois que realizamos a substituição, percebemos um barulho muito alto no motor. Desmontamos novamente e verificamos uma folga axial do virabrequim”, explica Torigoe.
“Esse é o tipo de problema difícil de explicar para o cliente, pois o carro dele entrou para fazer um serviço (dificuldade de partida a frio), e acabou com defeito grave no virabrequim após realizarmos uma manutenção preventiva”, comenta Torigoe. “Por sorte o carro é de um cliente que nos conhece há anos e confia nos nossos serviços”, diz.

 

Este tipo de defeito é possível diagnosticar pelo óleo lubrificante. Ao escoar o óleo do carter, verifique se há presença de limalha de ferro. “É preciso coar o óleo, pois nem sempre dá para ver no recipiente”, diz Torigoe. Se houver limalha, recomenda-se trocar o óleo e o filtro.

 

Segundo Torigoe, como não havia folga antes da troca da embreagem a conclusão é que o rolamento compensava esse espaço. “A provável causa disso é pro dirigir com o pé apoiado na embreagem, porém a grande maioria dos motoristas não admite que faz isso”, diz o reparador.
Torigoe explica que foi possível retificar o virabrequim, que estava com os colos desgastados. Também foram trocadas as bronzinas. 

 

Defeito crônico
Especialistas em câmbio afirmam que os modelos Chevrolet com motor 1.4 têm apresentado defeito crônico de desgaste prematuro do rolamento no eixo piloto. “O Agile que trocamos a embreagem está começando a roncar”, afirma Torigoe. 

 

 

 

Diferença de encaixe do rolamento em eixo piloto bom e ruim

 

Segundo o reparador, o sintoma é um ronco igual ao que se ouve quando se anda em marcha à ré, e só ocorre ao acelerar suavemente. “Em uso normal, é quase imperceptível, porém com o tempo o ronco passa a ficar mais forte”, alerta.
 

Três exemplos de eixo piloto com desgaste: à esquerda, um bem ruim, ao centro, um no começo do desgaste, à direita, um bom

 

Catalisador
O Agile avaliado também apresentou saturação do catalisador, sendo necessária a troca do componente. Vale lembrar que a garantia da peça é de 80.000 km, e a vida útil depende muito da qualidade do combustível utilizada, assim como a boa frequência das trocas de óleo do motor.

 

“A luz de injeção acendeu e realizamos diagnóstico por scanner e teste com termômetro digital para verificar a integridade do catalisador. Por incrível que pareça, as duas sondas de oxigênio trabalhavam normalmente e o teste do termômetro foi satisfatório. Apagamos a luz de injeção e a memória de erro, porém o carro voltou duas vezes na oficina na mesma semana com a luz acessa. Decidimos então trocar o catalisador, e isso resolveu o problema”, afirma Torigoe.

 

Dica: Para efetuar o teste do catalisador é preciso um termômetro digital. O carro deve estar em temperatura normal de funcionamento. O procedimento e simples: apontar o termômetro para a entrada do catalisador e medir a temperatura. Depois apontar para a saída do catalisador e medir novamente. O bom catalisador tem a temperatura de saída maior do que a de entrada. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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