Nove anos de parceria com os profissionais da reparação

O mercado brasileiro mudou muito na última década, e grandes novidades chegarão num futuro próximo. Essa é a aposta da maioria dos empresários, executivos e dirigentes que atuam na reposição e reparação automotiva. Apesar dos abalos causados pela recente crise, ninguém duvida do nosso potencial para o futuro.

 

Quando a primeira edição de Reparação Automotiva chegou às oficinas, em 2007, a indústria automobilística nacional comemorava um marco. Após 10 anos de espera, finalmente, as vendas atingiam 2,5 milhões de unidades, entre carros, comerciais leves, caminhões e ônibus vendidos no ano.

 

A primeira edição da revista Reparação Automotiva chegou às oficinas em 2007.
Desde então, o setor passou por várias mudanças e se fortaleceu a cada desafio


De 2007 a 2012, as vendas dispararam, chegando ao patamar recorde de 3,8 milhões de veículos. A facilidade de crédito e o bom momento econômico e político do país impulsionaram o mercado automotivo nacional, que havia sofrido uma queda brusca depois da crise internacional de 1999 e vinha “patinando” havia anos. 
Entendendo que havia uma possibilidade para crescer ainda mais, as montadoras e o governo passaram a fazer apostas elevadas. Em 2012, surgiu o Inovar-Auto, Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores. Entre outras medidas, limitou a quantidade e taxou os veículos importados. 
Dezenas de empresas se habilitaram ao novo plano. Um dos resultados mais comemorados foi o início da produção de vários veículos de luxo no país, fabricados pela Audi, BMW, Mercedes-Benz e Land Rover. Alguns chineses também aproveitaram a medida, como a Chery e a Foton. A JAC Motors, que chegou com uma grande força, ainda segue sem fábrica.

 

REPOSIÇÃO - Mesmo com as vendas de carros novos quebrando todos os recordes, o mercado de reposição seguiu positivo, porém de uma forma menos intensa. Muitos preferiam trocar de carro todo ano ao fazer a manutenção do usado. Porém, nos últimos anos, com o agravamento da crise, a história mudou, e uma grande frota passou a frequentar as oficinas.
Francisco de La Tôrre, presidente do Sincopeças-SP, comenta que, nos últimos dez anos, o crescimento quase exponencial dos modelos, marcas e versões, além da entrada de novos concorrentes (inclusive na internet) e a migração de alguns distribuidores para o varejo, obrigou as lojas de autopeças a buscarem uma excelência em administração e logística.
Na avaliação de Antonio Fiola, presidente do Sindirepa Nacional, o mercado brasileiro evoluiu muito e continua evoluindo, devido ao avanço tecnológico dos veículos. “Hoje, são necessários vários equipamentos e muito conhecimento para fazer o diagnóstico e reparar os veículos. A capacitação e a atualização constante do reparador são indispensáveis”, resume.
Capacitar os reparadores é a especialidade do professor Fabio Rocha, diretor do Senai Conde José Visconde de Azevedo, mais conhecido como “Senai Ipiranga”. Para ele, os últimos dez anos foram marcados por mudanças intensas, principalmente no comportamento dos profissionais, que evoluíram muito na conscientização sobre a importância da manutenção correta e a atualização constante.

 

FUTURO - Cada vez mais, os veículos serão elétricos, eletrônicos e conectados. Disso, não há dúvidas. Só ainda não sabemos quanto tempo levará para essas tecnologias se popularizarem no Brasil. Mas, para alguns poucos, essa nova realidade já faz parte do dia a dia, tal como ocorreu com os telefones celulares, quando chegaram ao mercado nacional. 
Para Francisco de La Tôrre, a próxima década reservará muitas mudanças na parte tecnológica e na relação das pessoas com a mobilidade. “Compartilhamento, novos combustíveis e conectividade modificarão profundamente o nosso setor. Os veículos deixarão de ser um bem de consumo para se tornar um serviço”, avalia. 
Antonio Fiola também compartilha essa visão. “Pelo que vi na última Automechanika de Frankfurt, os carros elétricos e as frotas compartilhadas são duas tendências muito fortes. Na Alemanha, por sinal, são uma realidade. E, diante dos graves problemas ambientais enfrentados pelo planeta, fazem todo o sentido”, afirma.  

 

Fiola alerta também para a mudança de comportamento dos jovens, que perderam grande parte daquele desejo pelo carro. “Isso influenciará muito o nosso mercado. Mas ainda não dá para ter uma ideia de como essa situação evoluirá. O fato é que as mudanças estão ocorrendo muito rápido, e o setor de reparação precisará ficar bastante atento”, conclui.
Na visão de Fabio Rocha, as parcerias entre as indústrias e os reparadores tendem a se fortalecer no futuro, assim como a alta especialização dos profissionais. “Nos últimos anos, criamos uma graduação, em Sistemas Automotivos, e uma pós-graduação, em Motores. Agora, partimos para as parcerias internacionais. Não podemos parar, o futuro não espera”, destaca.

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18/11/2019

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