Tempo de mudanças - O papel da oficinas na nova mobilidade

 

 

Em entrevista exclusiva, o diretor de aftermarket da Delphi, Amaury Oliveira, fala sobre o futuro da tecnologia automotiva e como os reparadores podem se preparar

 

Na Automechanika Frankfurt, na Alemanha, a Delphi apresentou diversas novas tecnologias para montadoras e o mercado de reposição, com destaque para as ferramentas de diagnóstico para sistemas de combustível de alta pressão e o DS-Flash Pass-Thru, que oferece às oficinas independentes acesso aos dados técnicos dos fabricantes dos veículos.

 O diretor executivo da divisão de aftermarket da Delphi, Amaury Oliveira, esteve lá e concedeu uma entrevista exclusiva para a revista Reparação Automotiva, na qual comentou sobre a eletrificação e a conectividade dos veículos e como isso poderá impactar o dia a dia dos reparadores no Brasil e no mundo.


Reparação Automotiva - A Delphi apresentou diversas novidades na última Automechanika. Quando essas novas tecnologias chegam ao Brasil?


Amaury Oliveira - Temos a política de lançar os nossos produtos globalmente, de acordo com a demanda de mercado. Quando se fala em carros com sistemas mais avançados de monitoramento, por exemplo, quando houver clientes, traremos para o Brasil.


RA - A realidade aumentada já está pronta para o mercado ou ainda demora?
AO - Tudo depende da demanda. A realidade aumentada para a segurança dos veículos já está disponível. No curtíssimo prazo, não a vejo na América do Sul. Mas a popularização desses dispositivos vai ser inevitável. Acredito que, em dez ou quinze anos, todos os veículos terão.
 

RA - E na reparação?
AO - Também acredito que teremos em um futuro não muito distante, principalmente como uma ferramenta de treinamento. A geração mais antiga talvez não se beneficie com esse tipo de tecnologia, mas as próximas gerações com certeza vão participar deste futuro, que não está tão longe assim.
 

RA - Mais uns dez anos?
AO - Quinze, no máximo. Talvez até um pouco antes disso. De seis em seis anos temos um ciclo tecnológico muito grande sendo alterado. É muito difícil fazer uma previsão, mas eu diria que o futuro está muito próximo, mais do que podemos imaginar.
 

RA - Estará acessível para o dono do carro? Ele vai ter interesse?
AO - A Delphi, que fabrica tecnologia, disponibilizará para quem quiser usar. Agora, se falamos de um futuro com veículos autônomos, car sharing e esses tipos de mobilidades diferentes, talvez o consumidor tenha muito pouco interesse em mexer no carro. 
 

RA - Nem motorista mais vai ter...
AO - Sem dúvida. A Delphi já fez um carro que cruzou de costa a costa os Estados Unidos quase sem nenhuma interferência humana. Se não precisar mais dirigir o carro, como fica isso? A tarefa de levar de um ponto A para um ponto B talvez ficará restrita aos carros de locadoras. Você terá um carro para usar apenas em um momento e sem a necessidade de dirigir, somente com um controle autômato eletrônico total. 
 

RA - Mas, enquanto isso não acontece, a frota antiga continuará precisando de manutenção tradicional...
AO - Certamente. Com os mais de 45 milhões de veículos rodando e o ritmo atual da economia brasileira, essa transformação poderá demorar muito mais do que trinta anos. Devemos ter ainda uma grande necessidade de técnicos para a reparação automotiva por um bom tempo.
 

RA - E equipamentos...
AO - Sim, e cada vez mais sofisticados.
 

RA - No Brasil, o próximo passo é o carro híbrido?
AO - Eu diria que sim. O nosso futuro é, sem sombra de dúvidas, a redução das emissões e a chegada dos veículos híbridos. 
 

RA - Voltando ao tema da conectividade, como ficam as oficinas independentes?
AO - A Delphi tem alguns dispositivos que podem fazer esse trabalho na reparação independente. Só falta adequar o modelo de negócio para que a tecnologia possa ser usada. 
 

RA - Que tipo de adequação?
AO - Tem de ter recursos, sistemas, logística, e-commerce, enfim, estrutura para atender a demanda. Trata-se de uma alteração no modelo de negócio da cadeia. O interesse é de todos. Quem sair na frente talvez ganhe a corrida. Mas pode ser que ninguém queira sair na frente, e sim de mãos dadas com parceiros estratégicos.

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