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Centaurus – o carro de três rodas

Modelo nacional foi pioneiro e durou pouco

No começo dos anos 50 o incentivo para um carro 100% nacional era forte e um se destacou pelo seu design pouco comum-ele possuía três rodas. O Centaurus era um carro de três rodas, considerado meio carro e meio motor. A Revista Reparação Automotiva conta um pouco de sua história!

Idealização

theodor darié

Theodor Darié foi o responsável pela criação do Centaurus. Nascido na Romênia, mas radicado no Rio de Janeiro, ele chefiava a divisão de estudos e projetos da Fábrica Nacional de Motores (FNM), onde atuou para o lançamento e nacionalização dos caminhões da marca.

O Centaurus surgiu como uma atualização do VM 400 e tinha cinco lugares, a carroceria era uma espécie de caixa aberta, feita de chapas dobradas sobre estrutura tubular. 

O veículo experimental pesava 400 quilos e alcançava a máxima de 65 km/h. Ele funcionava bem e logo foi idealizado um plano de produção e venda para o público em geral. Batizado de VM 800 ele possuía quatro rodas e motor de dois cilindros, 2T e 800cm³, montado na traseira. Mesmo com o incentivo dos colegas da FNM ele nunca saiu do papel.

Centaurus

centaurus

Como o projeto do VM 800 não foi adiante, Darié fez algumas alterações no pioneiro VM 400 e, em 1956, mostrou um novo protótipo de três rodas, batizado de Centaurus.

As proporções e a arquitetura básica eram parecidas com as do VM 400, mas havia diferenças para conseguir uma produção em série. Antes escondido por uma carenagem, o trem motor passava a ser exposto. E, em vez do guidom central, o Centaurus trazia um volante convencional, à esquerda.

O Centaurus recebeu o motor monocilíndrico do VM 400, com um câmbio de seis marchas à frente e duas à ré, com alavanca na coluna de direção. Com a modificação na transmissão, a máxima subiu para 80 km/h.

Os freios só estavam nas rodas traseiras. O trem motor dianteiro era facilmente desmontável, o que fez com que Darié afirmasse que ele podia ser consertado com grande rapidez. O Centaurus tinha também um sistema antifurto: o motorista podia carregar consigo a roda da frente após o carro ser estacionado.

O carro continha apenas 2,45 metros e sua carroceria conversível era feita de tubos de aço soldados e revestida com chapa dobrada, podendo levar seis pessoas ou, retirando-se os bancos, 400 quilos de carga.

O Centaurus foi idealizado como um modelo de extrema simplicidade e o mais barato possível, com o intuito de atender à necessidade premente de transportes baratos no Brasil. Seu preço deveria ser inferior a Cr$ 100 mil, metade do valor de um Fusca com quatro anos de uso.

Em associação com a fábrica de elevadores Induco, o engenheiro Darié falava em produzir dez Centaurus por dia, com a mão de obra de 300 operários: “Se nada me faltar, em seis meses poderemos iniciar a produção seriada”. Pintado de vermelho escuro, o triciclo chegou a ser exibido em um estande da Induco na Exposição da Indústria Automobilística Brasileira, em julho de 1957 – uma espécie de proto-Salão do Automóvel, nas dependências do Aeroporto Santos Dumont, no Rio, mas apesar disso, o veículo não saiu para venda.

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