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Autolatina – A breve parceria entre Volkswagen e Ford

história da autolatina

O setor automotivo é muito competitivo, mas essa competição não impede que concorrentes se juntem para uma parceria, visando corte de gastos e lucros. Uma dessas uniões aconteceu por um breve momento em território brasileiro, a Volkswagen e Ford se uniram e criaram a Autolatina. A Revista Reparação Automotiva conta como foi essa joint adventure entre as duas montadoras.

Idealização

A união entre Volkswagen e Ford nasceu em 1987 e para explica-lá melhor precisamos conhecer o contexto do mercado brasileiro na época.

Durante a segunda metade da década de 80, o mercado interno estava em retração e contava com uma pequena participação das fabricantes nacionais no mercado nacional. Ambas as marcas estavam com dificuldades para se manterem no Brasil, ambas tinham passado por uma crise de vendas e espaço de mercado no começo da década de 80.

Antes da fusão, a Volkswagen controlava 34% do mercado nacional, já a Ford mantinha uma fatia de 21%. Após a união, passaram a controlar juntas, 60% do mercado brasileiro e 30% do argentino.

Logo adotado para a Autolatina

Apesar de se tornarem dominantes, a Autolatina enfrentou sérias dificuldades internas e externas em seus sete anos de existência. O primeiro e grande problema foi a falta de investimento das matrizes. Dado a concorrência entre a Ford e a Volkswagen, em âmbito mundial, havia a dificuldade da troca de conhecimento técnico, debilitando as colaborações locais. Outro problema foi a constante tensão entre a Autolatina e os sucessivos governos brasileiros com os quais, por motivos diferentes, ela se desentendeu, ora por causa do congelamento de preços, ora por conta da supervalorização da moeda.

Outro problema acontecia com os revendedores, pois como não houve inter-relação processo/produto/mercado, as vendas eram feitas em separado pelas fabricantes que, apesar da fusão, continuavam disputando o lançamento de carros novos no mercado, cada uma com sua marca de origem.

Frutos da Parceria

Com a Autolatina, as duas empresas passaram a ter operações conjuntas em diversos níveis, inclusive produtos compartilhados: a Volkswagen produzia os Ford Versailles e Ford Versailles Royale (derivados dos Volkswagen Santana e Volkswagen Santana Quantum) e a Ford produzia os Volkswagen Logus e Volkswagen Pointer (derivado do Ford Escort). Outros carros também marcaram a época como o Ford Verona e Volkswagen Apollo, este o maior fracasso da parceria, sendo o carro da Volkswagen produzido durante menos tempo em toda a história da marca – foram menos de dois anos.

santana autolatina
versailles autolatina

No início dos anos 90, a criação da Autolatina começou a ser questionada internamente. A equipe da Volkswagen, sentia-se incomodada com perda de mercado para o Uno Mille. A empresa queria entrar neste segmento de “populares”, mas a Ford tinha uma estratégia diferente, o que se evidencia pela sua tardia entrada neste mercado com o modelo Ford Ka.

Da mesma forma, os engenheiros da Volkswagen percebiam que era chegada a hora de remodelar o Volkswagen Gol, mas o pessoal da Ford não concordava com o investimento necessário, pois tinha outras prioridades na linha Escort. Além disto, havia entre o pessoal da Volkswagen a percepção de que seus produtos ganhavam mercado enquanto os da Ford perdiam. O tempo, porém, mostrou que ambas as marcas estavam perdendo terreno para a concorrência, inclusive devido à abertura do mercado e à entrada de novas empresas no setor.

A dissolução

A decisão de dissolver a Autolatina foi tomada no final de 1994 e efetivou-se em 1996, ocasião em que os sistemas de informação passaram a ser específicos a cada uma delas. A separação foi mais amigável do que pode parecer à primeira vista: foi uma questão ligada a filosofias e estratégias de negócio, com poucos traços de sentimentos e rancor. Um sinal claro disto foi que os empregados puderam optar pelo seu destino, ou seja, se iriam para a Ford ou para a Volkswagen, independentemente de sua origem.

Dentre os problemas a solucionar estavam os produtos que usavam componentes das duas empresas (exemplo: o Escort com motor Volkswagen) e aqueles em que uma das fábricas produzia para a outra (exemplo: o Volkswagen Logus produzido pela Ford com motor Volkswagen). Para solucionar tal dilema, o acordo previa que, por um ano, produtos híbridos seriam mutuamente suportados. Após este período, cada empresa deveria estar capacitada a trabalhar com seus próprios recursos.

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