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Tensor da correia sincronizadora, troca ou não troca?

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Tensor da correia sincronizadora, troca ou não troca?

Olá, amigo reparador, tudo bem? Nesta edição destacamos a polêmica de trocar ou não trocar o rolamento tensor junto com a correia sincronizadora.

POLÊMICA DESNECESSÁRIA!

Sempre vem à tona, uma polêmica:

• Seguir ou não normas técnicas?

• Limpa-se o sistema de freios ou não, para a manutenção?

• Limpeza de bicos injetores, é empurroterapia?

• Troca do tensor da correia dentada junto com a mesma é desonestidade dos reparadores?

Vamos por partes, e assim entender a manutenção dos componentes dos veículos.

Em primeiro lugar, é preciso fazer um adendo, pois assuntos polêmicos exigem mais informações. Além dos 35 anos de profissão como reparador automotivo, sou graduado em Produção Industrial, Mecatrônica Automotiva, Pós – graduado em Engenharia de Manutenção, Pós-Graduado em Engenharia Automotiva, membro associado do comitê de Normas Técnicas Brasileiras, CB05.

Não vivo de informações alheias, mas vivencio a manutenção dia a dia na oficina, e confirmo que trabalhar sob orientações técnicas dos fabricantes. Seguindo as normas técnicas, o reparador busca evitar danos ao veículo do cliente, e prejuízo com retrabalho e indenizações por não executar a manutenção corretamente.

VAMOS POR PARTES

Qual a durabilidade de um rolamento tensor? Conforme alguns fabricantes do componente, esta situação muda, de acordo com a utilização do veículo, mas em média, um rolamento tensor é programado conforme sua construção, para rodar até 100 mil km, quando rolamento único, e 150 mil quando com rolamento de apoio. Bom, mas então eu poderia realizar em uma troca sim e outra não, o tensor da correia dentada. 

De forma alguma, pois o menor tempo programado para troca de uma correia dentada é de 60 mil km, e o tensor não irá resistir, e um provável dano surgirá.

Quando o fabricante diz que o rolamento é programado para durar até 100 mil km, ele também apresenta a informação que o mesmo deve ser substituído aos 70 mil km.  Não podemos confundir durabilidade estimada com a real. 

Fatores, como poeira, vazamento de óleo, produtos de lavagem, afetam sua vida útil.

Os manuais das montadoras avisam para inspecionar a cada 10 mil km, e substituir caso necessário os componentes de sincronismo.

O que diz a NORMA da ABNT?

NBR 15759:2011

Na página 02 da norma, item 4.2.2, diz que: Na Instalação substituir todos os itens do sistema sincronismo.

Lembrando que, em alguns carros as engrenagens devem ser substituídas também.

Na Europa e Estados Unidos, os kits são compostos de bomba d’água e todas as engrenagens, além do rolamentotensor e a correia.

VAMOS A OUTRO PONTO, CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR

O Código de defesa do consumidor, apresenta no artigo 26, que existe a garantia de 90 dias, e que, se houve erro nos serviços prestados, o reparador deve arcar com o prejuízo do cliente. Mais do que justo!

Agora uma pergunta, para aqueles que dizem, que a troca do tensor da correia dentada é golpe, empurroterapia, quando a mesma vem no kit para substituição:

A fábrica do componente diz que sua durabilidade é de 100 mil km, no máximo 150 mil. Mas a lei diz que ela irá garantir por 90 dias o produto. O reparador ouve o cliente que apresenta uma reportagem que diz não precisar trocar o tensor, apenas a correia. Esta correia se danifica por causa tensor, empena as válvulas do cabeçote, porque a troca ocorreu aos 60 mil kms, e o veículo estourou correia aos 75 mil, porque o rolamento travou. 

Quem vai pagar a conta para o consumidor?

CASO DE OFICINA

Veículo: Renault Duster,

Troca da Correia dentada: 80 mil km

Travamento do tensor: 93 mil km.

Prejuízo: Retífica do motor por completo, R$12.750,00.

Todas as válvulas empenadas, pistões danificados.

A troca do kit, não é uma questão de desonestidade, mas sim de segurança para o cliente e para o reparador.

Existe um organograma sobre manutenção, que vem definido na engenharia, que qualquer engenheiro que se preze como profissional idôneo, não despreza nunca quando o assunto é manutenção:

1.Manutenção preventiva

2.Manutenção corretiva

3.Manutenção preditiva

Esta última, é a menos aplicada, e deveria ser a principal, pois, por ela atuamos com a previsão de danos, por exemplo, o PH do líquido de arrefecimento, ponto de ebulição do fluído de freios, tensor de correia dentada, etc.

Porém, a mais comum no dia a dia, é corretiva, aquela que só é executada porque o veículo parou por algum defeito ou falha.

A preventiva é nada mais, nada menos a que vem estabelecida no manual pelas montadoras, onde a cada 10 mil km, se revisa o veículo, faz-se uma inspeção geral dos componentes.

Não se deixe enganar, por temas polêmicos, e que não agregam seguridade a seu cliente e a sua oficina. Realize as manutenções de forma técnica e assertiva, siga os padrões de manutenção conforme as normas técnicas, e manuais técnicos.

Explique a seu cliente a situação a que ele se expõe, pois ao deixar de trocar um componente de  risco, por informações indevidas, muitas vezes de clube XX, canal kyu, página ZZ, o prejuízo será dele, e não de quem falou o que não devia.

Trabalho de qualidade, proporciona segurança e durabilidade ao veículo de seu cliente. 

Dica: Assine o TARGET, o app de Normas Técnicas, que lhe dará acesso as informações sempre atualizadas pela ABNT e Normas Internacionais. A Associação de Mecânicos Premium – AMP, possui assinatura para uso exclusivo de seus associados. Vale a Pena conferir! Até a próxima edição.

Leandro Marco
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www.generaltechauto.com

Assista a live da Revista Reparação Automotiva com Fabricantes do Setor, onde foi discutido este assunto

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