Eletrônica embarcada, sistemas de segurança veicular – Revista Reparação Automotiva

Eletrônica embarcada, sistemas de segurança veicular

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Eletrônica embarcada, sistemas de segurança veicular

Eletrônica embarcada, sistemas de segurança veicular
A evolução do sistema de freios

Olá amigo reparador, tudo bem? Nesta edição iremos tratar da evolução dos sistemas de segurança veicular, através da eletrônica embarcada.

Base histórica

No início do século passado, surgem as grandes indústrias para trazer conforto e segurança nos veículos.  Os automóveis recebem buzina, luzes traseiras e freios a tambor (apenas nas rodas traseiras). Um exemplo desta era do glamour automotivo americano, é o modelo da Hudson de 1925.

Exemplar de colecionador Hudson Super Six – Proprietário Mauro Fernandes, Uberaba MG.

“Hudson Motor Car Co. foi uma marca e fabricante de automóveis norte-americana ativa de 1909 até 1954, quando houve a fusão com a Nash Motors para a American Motors Corporation. “O modelo Hudson Super Six, pertence a categoria da época a J Phaeton. Um veículo de sete lugares, com muito conforto e segurança. 

O sistema de freios era a tambor, acionado por varão. Como nas carruagens. Não havia assistência hidráulica ou pneumática.

Como nas motocicletas mais básicas, um eixo (varão) era acionado pelo pedal, e fazia expandir as sapatas dentro do tambor (campana) realizando o atrito e frenagem. O conjunto possuí o tamanho de um aro de 14 polegadas, para garantir a frenagem com segurança.

Passaram-se os anos, e a busca por segurança automotiva, não para, está sempre em evolução.

Freios com controle eletrônico

Onze anos após a produção do Hudson Super Six (1925), em 1936 a Robert Bosch registra a patente de um sistema de freios anti-travamento. Passou-se 34 anos e a Bosch lança o ABS 01, porém sua durabilidade ainda era reduzida, mas em 1978 os Mercedes e BMW saem de série com o Inovador Sistema de Freios ABS, cujo controle eletrônico por uma unidade  comando era solo, ou seja, a Central de ABS não tinha comunicação com transmissão ou motor. Vamos lembrar aqui de alguns veículos no Brasil, que surgiram com o sistema: 

  • Santana
  • Versailhes
  • Tipo
  • Monza

Em 1987, a Bosch lança o Sistema TCS – Controle de Tração, começa a comunicação entre módulos, o sistema de freios comunica com o sistema de transmissão e por sua vez com gerenciamento do motor. 

Em 1995, a Bosch lança o controle de estabilidade, o ESP, trazendo mais segurança, onde o sistema controla a estabilidade do veículo independente da experiência do motorista.

Assim, a cada dia os carros trazem novidades, e em sua maioria, buscando oferecer aos ocupantes do veículo conforto e segurança.

Manutenção

Toda a manutenção veicular está alicerçada por procedimentos técnicos, estabelecidos pelos fabricantes e associações de engenheiros. No Brasil, a entidade responsável é a ABNT- Associação Brasileira de Normas Técnicas, pelo Comitê CB-005, do Setor Automotivo. Estas Normas visam apresentar ao reparador a forma correta de realizar os reparos e manutenção de todos os sistemas dos veículos automotores.

Para o sistema de freios, existem normas que apresentam os procedimentos corretos de manutenção:

ABNT NBR 14778:2001, veículos rodoviários automotores em manutenção –inspeção, diagnóstico, reparação e/ou substituição Em Sistema De Freios.

O Que Diz A Norma De Forma Geral:
1. Diagnosticar
2.Remover O Conjunto
3.Limpar
4.Inspecionar
5. Medir
6.Substituir os Componentes Necessários

Para conhecer a norma por completo, acesse ao site da ABNT:
www.abntcatalogo.com.br
E compre a coleção de normas, pois deve ser considerado como ferramenta de trabalho na oficina. Lembramos que, as normas não podem ser replicadas, ou distribuídas todo o seu conteúdo, por se tratar de documento legal, com registro de direitos autorais. Ao fazer a aquisição da coletânea de normas para sua oficina ela trará seu CNPJ e nome da empresa impressos em cada página.

Pois bem, conforme podemos ver, existem procedimentos técnicos que devem ser obedecidos, para realização da correta manutenção.

Caso Real

Vamos apresentar um caso real recebido em nossa oficina a General Tech AutomotiveDiagnóstic, em Uberaba MG. 

Veículo: VW New Beetle 2013

Defeito: Cliente reclamava que o veículo apresentava luz de anomalia no painel de instrumentos referentes a pastilhas de freios, 

E posteriormente em viagem por uma rodovia com trechos sinuosos, apresentou as luzes de anomalia de ESP e ABS.

Manutenção: seguindo os procedimentos técnicos, conforme estabelece a NORMA, realizamos o diagnóstico com Scanner, que indicava falhas nos sensores de rodas lado esquerdo dianteiro e lado direito traseiro. Utilizando um osciloscópio, identificamos que os sensores funcionavam, porém com pulsos de forma errônea, em sua frequência e amplitude de sinal.  

Após a desmontagem, e limpeza do sistema, identificamos que a causa dos defeitos apresentados era a contaminação dos discos fônicos.

Em alguns modelos, os sensores de ABS, são induzidos por um lado magnético dos rolamentos de rodas, mas em outros como o VW New Beetle, possuem um disco fônico como o da figura acima, onde ao girar a roda, os espaços abertos formando uma “coroa de dentes” ao passar à frente do sensor ele emite sinal elétrico para central de ABS/ESP, e a mesma interpreta o sinal e realiza comandos conforme a velocidade informada em cada roda. 

Realizada a limpeza e troca das pastilhas desgastadas, não foi necessária a substituição de nenhum sensor, pois a falha, dos mesmos estava condicionada as impurezas, sujeiras acumuladas nos discos fônicos.

Porque limpar o sistema de freios

Há poucos dias, surgiu a polêmica nas redes sociais e canais da web, sobre informações que limpar os sistemas de freios. Muito bem, vamos por ordem:                                                 

1º- A Norma Técnica, diz que devemos limpar e depois inspecionar.

Se realizarmos a manutenção de qualquer item sem primeiro limpar os componentes, não há como realizar uma metrologia dos componentes correta. Não há como identificar muitas vezes pequenas trincas, pois a sujeira irá impedir a visualização das falhas e ou defeitos.

2º- Qualidade do serviço prestado, se ao desmontar e montar um componente novo em um veículo, sem realizar a limpeza no sistema a ser instalado, ele está sujeito a danificar o novo componente, a não obter a solução do problema. Fato este, que, no caso do New Beetle aqui relatado, um sensor novo não resolveria o problema.

Por que a sujeira afetou o sinal dos sensores?
Devemos conhecer a composição das pastilhas de freios, pois em sua maior parte, a sujeira acumulada era proveniente do pó de pastilha gerado nas frenagens.


Informação Técnica da Fras-le

Tipos de matéria base: Metálicas: Compostas de ligas metálicas como: latão, ferro e alumínio. Resistentes a altas temperaturas e solicitações mecânicas, consequentemente alto coeficiente de atrito. Oferecem boa durabilidade e eficiência, porém com menor conforto. Orgânicas: Compostas basicamente de celulose e resina fenólica. Coeficiente de atrito satisfatório, boa performance térmica e conforto razoável. Baixa durabilidade. Cerâmica: Resistência ao calor, durabilidade tornaram-se uma excelente escolha para aplicações severas. A cerâmica: óxido de alumínio, boro e o carboneto de silício são os compostos cerâmicos mais comuns.

Os materiais de atrito são compostos por:

Ligantes – materiais aglutinantes (resinas termofixas e borrachas) responsáveis por unir os compostos do material de atrito. Fibras – fibras acrílicas, de carbono, limalha de latão, lã de cobre, lã de aço, fibra de vidro e lã de rocha, responsáveis pela resistência mecânica.

Modificadores de atrito – proporcionam características de fricção dos materiais de atrito, modificando o coeficiente de atrito, grafite e sulfetos de molibdênio, antimônio, cobre-zinco, manganês, chumbo e titânio.

Cargas minerais – aditivos utilizados para complementar a formulação, como exemplo a barita (sulfato de bário BaSO4).

Ao conhecer a composição que depois irá se acumular nos sistemas de freios, e causar danos ao mesmo, podemos ver, que a composição metálica, formando um acúmulo nos discos fônicos, faziam o efeito de vedação dos canais (dentes) abertos para gerarem o sinal através dos sensores.

Existem falhas em outros sistemas do veículo, onde os sensores operam de forma errada devido a sujeira acumulada, o sensor de rotação é um deles. Quando a roda fônica impregnada de material externo, muitas vezes não emite sinal que irá permitir o funcionamento do veículo.

DICA PARA O REPARDOR

  • Busque qualificação profissional,
  • Filtre as informações que são passadas, nem tudo que está na web, grupos de whatsapp é o correto, 
  • Verifique junto as NORMAS Técnicas e manuais de manutenção o procedimento a ser realizado,
  • Preze pela qualidade do serviço a ser prestado por você.

Estamos a disposição para quaisquer dúvidas dos leitores, fale conosco, e não deixe de ler todas as matérias disponibilizadas pela
Revista Reparação Automotiva, até a próxima edição!

Aguardamos você na próxima edição, e desejo a todos os leitores um ano novo repleto de trabalho e muito desenvolvimento profissional!

Leandro Marco
Busque qualificação profissional na General TECH, de Uberaba (MG)
www.generaltechauto.com

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