Ford Ka com 82.000 km rodados – Revista Reparação Automotiva

Ford Ka com 82.000 km rodados

Aventureiro transforma um Ford Ka em mini motorhome e roda mais de 80 mil km pela América do Sul. Conheça quais as partes que mais sofreram desgaste

Por: Edison Ragassi/ Fotos: Dudu Leal

O gaúcho Gustavo Blume, de 28 anos, transformou seu Ford Ka 1.0L motor 3 cilindros hatch, ano 2018 modelo 2019, em um mini motorhome para realizar o sonho de viajar pelo continente. “Eu viajava de maneira convencional, ficava em hotel, mas tinha o sonho de fazer uma aventura destas com uma moto. Depois de analisar o roteiro, avaliar os preços, cheguei a conclusão que o melhor era ir com o meu Ford Ka”, explica Gustavo.

Depois de tomar a decisão de realizar o sonho, o próximo passo foi guardar dinheiro e comunicar a empresa onde trabalhava como representante comercial que ficaria afastado. 

Ele já havia optado em utiliza o modelo compacto da Ford no trabalho, para reduzir custos. “Eu viajava muito a trabalho com um carro 2.0L, mas fiz as contas, analisei o custo/ beneficio e optei por um carro menor, menos potente, mas que atendia minhas necessidades a um custo menor”, lembra ele.

Sendo assim, quando Gustavo iniciou a aventura, ele possuía o Ka há um ano, e havia rodado 53.000 km. 

Para realizar a viagem aventureira, além dos acessórios para transformá-lo em um mini hotel, a única modificação feita no veículo original foi incluir o protetor de cárter. “Durante duas semanas eu instalei os acessórios de conforto. Na parte mecânica não alterei nada. Sei que por questões de segurança não é indicado colocar o protetor de cárter (isso porque, no caso de uma colisão frontal, o motor é preparado para ser projetado para baixo e o protetor pode impedir que isso ocorra), mas como sabia que iria passar por terrenos acidentados, utilizei o protetor, que me salvou em várias situações. Eu olho embaixo do carro e penso meu Deus, ainda bem que coloquei”, lembra o aventureiro.

Depois da aventura, Gustavo continuou a utilizar o carro nos seus afazeres diários. A reportagem da Revista Reparação Automotiva, levou o Ford Ka até a oficina reparadora Mecânica Weranto, em Novo Hamburgo (RS). A oficina é dirigida por Milton Hansen, que analisou as condições de desgaste das partes mecânicas do carro. Já Gerson Luiz Flesch, da Flesch Car, também localizada em Novo Hamburgo, porém ele é especialista na eletrônica embarcada, analisou o circuito elétrico do Ka. Ambas as oficinas são integrantes da Auto Rede.

Para iniciar esta avaliação técnica, o especialista em eletrônica embarcada confirmou a quilometragem rodada pelo Ka. Ao chegar à oficina, o odometro marcava 82.087 km rodados, o que foi confirmado ao instalar o equipamento de diagnose. Nesta primeira análise, o scanner não apontou avarias ou códigos de erros. Segundo Gustavo, durante o trajeto, o único problema que ele enfrentou na parte elétrica do carro foi ter uma lâmpada queimada. “As lâmpadas utilizadas no carro do Gustavo são de boa qualidade, o que pode ter provocado a queima é a vibração excessiva, pois ele trafegou durante longos períodos por terrenos acidentados”, comenta Gerson.

O Ford Ka utiliza o motor 1.0L TiVCT, de 3 cilindros, com 12 válvulas e comando variável na admissão e escape. Ele é fabricado no Brasil, no Complexo industrial da Ford em Camaçari (BA). Sua estréia aconteceu em 2014, ele entrega potência de 85cv (E)/ 80cv (G) a 6.500 rpm e torque de 10,7 kgfm (E)/10,2 kgfm (G) a 4.500 rpm. Acoplado ao motor está o câmbio manual de 5 marchas.

Entre as características técnicas do motor, ele tem a correia sincronizadora banhada em óleo, uma patente da Ford. O óleo lubrificante é do tipo sintético (5W20). “Neste tipo de motor é importantíssimo utilizar o óleo indicado pela Ford, pois a correia embebida em óleo pode sofrer avarias, se o lubrificante não for o indicado”, alerta Milton Hansen. Gustavo realizou uma troca de óleo durante a viagem, na oficina foi constatado que o lubrificante manteve o nível. “Já está próximo de trocar novamente, pois a recomendação é de realizar a troca a cada 10.000 km ou um ano”, lembra Gustavo.

As velas também foram trocadas, antes de iniciar a viagem. “Não havia necessidade de substituir, mas troquei por segurança”, comenta o aventureiro. As velas utilizam bobinas individuais, ou seja, não há cabos para enviar a corrente elétrica. “As velas resistiram bem ao uso extremo do carro, porém, a bobina apresentou um pouco de oxidação na parte inferior”, avalia Hansen.

Como não é recomendado lavar o motor, o processo de limpeza deve ser feito por profissional especializado e a seco, Gustavo não lavou o motor de seu Ka após a viagem, por isso a aparência suja. Mas, apesar disso, o 3 cilindros que tem vida útil estimada em 240 mil quilômetros estava em perfeita condições.

Ford Ka com undercar robusto

Após levantar Ford Ka, Hansen identificou um pequeno desgaste no retentor traseiro do virabrequim. “Este é um item que deve ser substituído em breve, ou principalmente, caso ele resolva fazer um outra viagem deste porte”, recomenda o reparador.   

O Ford Ka tem a suspensão dianteira do tipo independente McPherson. A traseira usa o eixo autoestabilizante tipo Twist Beam. “Apesar das estradas acidentadas pelas quais o Ka rodou, os amortecedores e molas, assim como o as bandejas, pivôs não apresentam desgastes excessivos e também não precisam ser substituídos ainda”, analisa o diretor da Mecânica Weranto.

E o sistema de freio do carro é composto por discos e pastilhas na dianteira e tambores na traseira. “Os discos estão dentro das especificações recomendadas e o desgaste das pastilhas também, assim, ainda pode rodar dentro da margem de segurança”, fala o reparador.

Após avaliar o Ford Ka que rodou 82.087 km, os reparadores Milton e Gerson consideram que, apesar de ter passado por situações extremas, o carro é de construção robusta e com peças resistentes.

Ficha técnica

Ford Ka 2018/2019

Motor

Denominação: 1.0 3C Duplo Comando Flex

Posição: Dianteiro, transversal

Cilindrada: 999 cm³

Número de cilindros: 3

Número de válvulas: 12

Taxa de compressão: 12:1

Comando válvulas: TiVCT (Comando de válvulas variável na admissão e escape)

Sistema de injeção: Injeção eletrônica multiponto

Potência: 85 cv (E)/ 80 cv (G) a 6.500 rpm

Torque: 10,7 kgfm (E)/10,2 kgfm (G) a 4.500 rpm

Transmissão: Manual, 5 marchas

Tração: Dianteira

Direção: Assistência elétrica

Suspensão

Dianteira: Independente, McPherson

Traseira: eixo autoestabilizante tipo Twist Beam

Freios

Dianteiros: Discos ventilados

Traseiros: Tambor

Dimensões

Comprimento: 3.886 mm

Distância entre-eixos: 2.491 mm

Largura: 1.911 mm

Altura: 1.525 mm

Capacidades

Tanque de combustível: 51 litros

Porta-malas: 257 litros banco em posição normal

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