Falha repetitiva da embreagem “E” – Revista Reparação Automotiva

Falha repetitiva da embreagem “E”

A transmissão ZF 6HP21 está nas oficinas há algum tempo. Se ainda não topou com alguma, com certeza a  encontrá no futuro próximo

A transmissão ZF 6HP21 tem estado presente já nas oficinas por algum tempo. Se ainda não topamos com alguma em nossa oficina, com certeza encontraremos alguma no futuro próximo. Esta transmissão utiliza outros nomes, tais como 6R60, bem como outras variações. Qualquer que seja o nome usado, todas trabalham da mesma maneira e possuem um ponto de falha em comum; a embreagem “E”, que controla a 5ª marcha. Alguns pontos de falha já são conhecidos de nossos reparadores, tais como a bucha que alimenta a embreagem “E” e que, devido ao desgaste, gera código de falha de patinação após certo tempo de uso na estrada. Neste boletim tratamos de áreas problemáticas no corpo de válvulas.

Para isto, vamos mapear o corpo de válvulas, seguindo o caminho do fluido e que envolve o circuito de aplicação da embreagem. Fazemos isto de maneira a examinar todas as áreas que possam gerar vazamentos e causar uma falha. O lixamento de certas áreas do corpo fundido pode ajudar a indicar pontos baixos que podem ser a causa da falha. Assim, vamos inspecionar cada caminho do fluido de maneira que a falha não se repita.

A figura 1 mostra o solenoide EDS4, que alimenta e controla circuitos e também a válvula da embreagem “E”, que controla a embreagem.

A figura 2 mostra a válvula de redução de pressão, que alimenta TODOS os solenoides. Vamos começar com esta válvula, porém é muito importante reconhecer que se tivermos um problema aqui, poderemos ter outras falhas também. Como estamos tratando somente da embreagem “E”, vamos em frente.

A pressão proveniente do solenoide se encaminha para três válvulas, e para o acumulador do solenoide. A pressão é aplicada entre a válvula da embreagem “E” e o tampão e luva (figura 1), e então entre as válvulas de seleção na extremidade da válvula de manutenção de pressão “E” (figura 3).

Os alojamentos e válvulas devem ser inspecionados quanto a danos e molas quebradas. Temos de gastar algum tempo também testando estas válvulas com o equipamento de vácuo, pois muitas vezes seu desgaste não é notado somente com a inspeção visual.

Seguindo o fluxo de fluido desde a pressão principal (linha) até a porta “E” na carcaça, a válvula de seleção ‘3’ abre um caminho desde a pressão de linha principal até a válvula de manutenção de pressão ‘E’ (figura 4) e a válvula da embreagem ‘E’ (figura 5). Em algumas aplicações da ZF, a válvula de seleção em sua posição de descanso permite que o fluido passe por ela, e o solenoide não movimenta a válvula. Ao seguir o caminho de alimentação do solenoide, isto nos leva a descobrir algo que talvez não tenhamos percebido ainda quando se olha para o diagrama hidráulico. 

A válvula da embreagem ‘E’ abre o caminho desde a válvula de seleção até o circuito de aplicação da embreagem ‘E’, enquanto que a válvula de manutenção ‘E’ bloqueia a pressão de fluido para a exaustão, impedindo que ela escoe.

As válvulas da transmissão ZF são conhecidas por perder a camada de anodização (figura 6), portanto é uma boa ideia desmontar todo o corpo de válvulas para inspeção, mesmo que não tenhamos problemas adicionais com esta transmissão.

Continuando, queremos testar na bancada o solenoide EDS4 (figura 7). Utilizando um pequeno pedaço de mangueira de borracha, para bloquear a área de alimentação do solenoide, e a seguir aplicar uma pressão de 30 psi (2 bars) de ar comprimido através da extremidade do solenoide que alimenta as válvulas. O ar deverá passar através do solenoide livremente. Agora, aplique uma tensão no solenoide e verifique se ele veda a área de escoamento. 

Se o solenoide passar no teste e tudo mais estiver OK, podemos concluir que está havendo um problema de comando do módulo da mecatrônica, contudo, é muito mais provável encontrar vazamentos nas áreas que foram detalhadas neste artigo, ou nos componentes internos da transmissão, tais como buchas, anéis de vedação, etc.

Todos estes procedimentos podem parecer tediosos e que gastam tempo, porém encontramos várias oficinas que têm lutado com estas falhas, mesmo após a reforma da caixa, e após várias remoções e colocações da caixa, perceber que as falhas apresentadas e repetitivas eram provenientes destas áreas que foram negligenciadas. Não se faz necessário testar desta maneira cada transmissão que aparecer em nossa oficina, porém sempre que tivermos uma falha da embreagem ‘E’, vale a pena gastar tempo nesta avaliação mais profundamente.

O mapeamento do corpo de válvulas toma tempo, mas ficará mais fácil à medida que formos pegando prática nesta tarefa. Ficaremos surpresos de ver o quanto melhoramos em nosso trabalho e na satisfação de nosso cliente quando nos atentamos aos detalhes.

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